A Igreja tem buscado maneiras de fortalecer o caminho sinodal a partir das orientações do Sínodo da Sinodalidade, e fortalecer as ações já existentes são passos importantes nesta jornada, como já vimos o exemplo dos Conselhos Paroquiais Pastorais.
Outro ponto importante é a espiritualidade mariana, que tem um papel importante na formação sinodal das pastorais, porque Maria nos ensina a escutar, acolher e caminhar juntos.
O Missionário Redentorista, Ir. André Luiz C.Ss.R., especialista em mariologia, explica de que maneira Maria pode ser compreendida como modelo de sinodalidade na Igreja.
O irmão redentorista esclarece que essa é uma questão mais espiritual do que histórica, “porque no período de Jesus ainda não havia tanta liberdade da mulher como nós a compreendemos hoje. Então não havia uma atuação direta da parte de Nossa Senhora, mas era uma prefiguração do que viria a ser”.
“Nós percebemos que a sinodalidade é uma unidade no sentido de comunhão, de caminhar juntos. Podemos perceber que Maria, em toda a sua vida, foi caminhar junto com Jesus. Durante os três anos da vida pública de Jesus, em diversos momentos, nós vemos a presença de Nossa Senhora ali, durante os milagres, durante os sermões, em momentos decisivos da vida de Jesus. Então, Nossa Senhora caminha junto. Com Jesus e com os discípulos, então, Ela se torna este modelo porque ela caminha com seu filho Jesus e caminha com a Igreja. A Igreja nascente, ela tem ali uma centralidade em Pedro, o sucessor dos apóstolos, mas também em Maria que rezava com eles, formando este ponto de unidade, então nesse sentido, Maria é um símbolo, um sinal de unidade para a Igreja”, acrescenta.
Nossa Senhora viveu a fé de forma simples e profunda, aberta à vontade de Deus e atenta às necessidades da comunidade. No caminho sinodal, olhar para Maria é aprender a confiar no Espírito Santo e a colocar-se a serviço da missão.
“No livro dos Atos dos Apóstolos, no capítulo em que fala a respeito de os discípulos perseveravam na oração com Maria, mãe de Jesus, aí nós vemos que Maria estava inserida na Igreja nascente, ela participa de todo o processo de nascimento da Igreja, então ali de alguma maneira está presente este conselho, esta sinodalidade, esta comunhão, tanto dos apóstolos e discípulos como Maria, mãe de Jesus, mas também de Maria com eles, sendo esse suporte na fé, na esperança e no cumprimento do messianismo, da aplicação do Reino de Deus na Terra”, afirma Ir. André Luiz.
Maria é exemplo de sinodalidade, ela ensina a escuta atenta da Palavra, o silêncio que discerne e a disponibilidade para servir. Assim, inspira as pastorais a viverem menos o individualismo e mais a comunhão e a corresponsabilidade.
No caminho sinodal das comunidades, a espiritualidade mariana ajuda as pastorais a rezar juntas, discernir juntas e agir juntas.
“Maria continua a ser o membro mais importante da Igreja, como disse o Conselho Vaticano II, membro supereminente, alguém que ocupa um certo destaque na vida da Igreja e na vida de Jesus, e por isso ela se torna um referencial, um arquétipo, uma imagem, um exemplo, um testemunho de como ser discípulo de Jesus Cristo, porque Maria foi discípula de Cristo, além de mãe, ela o acompanhou no início da sua vida pública e o preparou até esse momento da vida pública, então ela se torna para nós um exemplo de como ser um bom cristão, como ser uma liderança, como ser alguém que está totalmente doado ao projeto de Deus”, explica o missionário redentorista.
No caminho sinodal, olhar para Maria é aprender a confiar no Espírito Santo e a colocar-se a serviço da missão.
Como Maria, somos chamados a ouvir o que Deus quer dizer através das pessoas e das realidades. Essa espiritualidade fortalece o diálogo, o respeito às diferenças e a busca pelo bem comum.
“Maria ainda é e continuará sendo para a Igreja a sua fiel mais ilustre, aquela que desponta-nos no discipulado, a Cristo Jesus, no projeto do Reino, da comunhão com os apóstolos, da comunhão com a Igreja, sendo para a Igreja este exemplo a ser seguido pelas suas virtudes, pelas suas qualidades, pelo seu jeito de mãe e mulher. Maria continua a colaborar com a Igreja, sendo a nossa intercessora junto do Pai”, conclui Ir. André Luiz.
A escola de Maria no caminho sinodal contribui na formação pastoral mais humana, fraterna e missionária.
:: Conheça a voz e a presença da mulher na Igreja sinodal
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