Por Ir. João Antônio Johas Leão Em Espiritualidade

Santo Antão a entrega total a Jesus, ontem e hoje

Podemos dizer que a origem do monarquismo foi no Egito, mais precisamente nas regiões desérticas desse lugar. Os primeiros “monges” eram os chamados ermitãos ou anacoretas e devem a Santo Antão muito do seu estilo de vida. Antão era do Egito, de família rica, e ficou particularmente tocado com o Evangelho do Jovem rico, no qual Jesus lhe pede vender todas as coisas e doar o dinheiro aos pobres. Com esse chamado pessoal, Antão resolve ir viver sozinho no deserto, onde foi alvo de muitas tentações, que ficaram famosas na idade média.

Santo Antonio do Deserto ou Antão do EgitoJá enquanto era vivo, começou a ter uma fama de santidade muito grande e foi por isso que muitas outras pessoas se aproximavam de Antão e buscavam viver uma vida semelhante à sua. Antão os recebia e os fazia seus filhos espirituais, proporcionando-lhes uma direção espiritual. Antão também defendeu a fé de heresias e consolou muitos cristãos perseguidos por causa da fé. Ele não redigiu nenhuma regra monástica, mas suas frases e conversas com Paulo de Tebas foram bem guardadas e transmitidas oralmente para os monges mais novos, até que foram reunidas por Isaías por volta do ano 450.

Talvez esse estilo de vida nos pareça muito distante hoje, mais de 1500 anos depois. Em uma sociedade globalizada que parece conectar de maneira cada vez mais eficaz a tudo e a todos, o silêncio interior e a solidão podem parecer absurdos e completamente ultrapassados. Mas se olhamos mais de perto e compreendemos as diferenças culturais que nos separam de Santo Antão, poderemos ver que muito do que ele viveu pode nos ajudar hoje em dia a ter um contato mais íntimo com Deus.

De fato, o único desejo de Antão ao deixar tudo e ir viver uma vida retirada, era o de responder a um chamado que Jesus lhe tinha feito pessoalmente. Quantos de nós podemos dizer que vivemos uma relação tão pessoal e íntima com Jesus a ponto de descobrir o seu chamado para as nossas vidas? Mas ele tem um plano para cada um de nós, para que sejamos felizes e para que façamos os demais felizes também.

Este desejo de ser fiel a Deus ficou muito claro no episódio das tentações, tão característico da vida de Santo Antão. E na nossa vida cristã também não faltam momentos difíceis nos quais somos convidados, com a Graça de Deus, a vencer diversas tentações. É como diz a frase: “Não existe cristianismo sem cruz”. Antão nos mostra como, com a ajuda do Senhor, é possível viver na graça de Deus e nos mostra ainda como viver assim é valioso. Quantos de nós podemos dizer que lutamos realmente contra as tentações e que temos um real desgosto pelo pecado?

Disso tudo não pode ficar a mensagem de que somos muito pecadores e que nunca conseguiremos viver uma autêntica vida cristã. É totalmente o contrário. Ao perceber nossas falhas precisamos nos atirar com mais audácia nos braços de Deus e pedir que seja Ele quem nos guie e nos carregue em nossa vida. Que como Santo Antão no passado, possamos hoje colocar Jesus verdadeiramente no centro de nossas vidas e responder assim o chamado de Deus a sermos seus filhos e filhas amados.

João colunista assinatura

Seja o primeiro a comentar

Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.

0

Boleto

Reportar erro! Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou
de informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:

Por Ir. João Antônio Johas Leão, em Espiritualidade

Obs.: Link e título da página são enviados automaticamente.