Por João Antônio Johas Em Espiritualidade Atualizada em 27 SET 2018 - 09H42

São Vicente de Paulo, um coração trabalhado por Deus

São Vicente de Paulo nasceu em 1581, na pequena vila de Pouy, na França. Ele pertenceu a uma família humilde, que trabalhava no campo para sobreviver e, desde pequeno, mostrou que o dom da fé que se vivia intensamente em família iria criar raízes profundas e dar bastante frutos ao seu tempo.

Seus pais perceberam sua facilidade com os estudos e se sacrificaram para dar-lhe uma boa educação, que, naquela época, significava entrar no seminário. Demonstrou sua aptidão para os estudos, mas algumas coisas precisavam ainda serem purificadas para que ele se tornasse o santo que Deus tinha planejado.


O desejo de ser padre

Vindo de uma família sem muitos recursos, diz-se que Vicente tinha em seu coração um desejo de ter uma carreira sacerdotal de sucesso, conseguindo alguns benefícios para poder se aposentar cedo e ajudar sua família. Isso não quer dizer que essa era a única motivação ou que ele não era realmente um vocacionado ao sacerdócio; simplesmente mostra que no coração do homem cresce joio junto com o trigo.

Assim como na parábola que Jesus contou, a vida cristã não é uma constante busca por arrancar o joio para separá-lo do trigo, porque Deus sabe que muitas vezes arrancaríamos o trigo junto. Na vida de São Vicente, vamos vendo que é Deus que, com muita paciência e pedagogia, nos conduz pela vida e vai nos purificando pouco a pouco se nos mantivermos abertos à sua Graça.

E São Vicente se manteve aberto. Sabemos o grande santo que terminou sendo. Principalmente preocupado com os mais necessitados, é o padroeiro de todas as obras de caridade, além de fundador de comunidades religiosas e movimentos de leigos que estão até hoje presentes nas dioceses do mundo inteiro. Essas pessoas que seguem o carisma de São Vicente se preocupam em diminuir os espaços entre aqueles que são chamados a dividir seus bens e aqueles que os necessitam.

Qual foi a causa da conversão desse santo, que depois inspirou tantas pessoas?

A pedagogia divina que age nos corações de todos os fiéis é sempre um mistério de amor. Não podemos entender, realmente, tudo o que aconteceu entre Vicente e Deus, e que fez com que o coração do primeiro fosse sendo cada vez mais configurado com o do segundo. Assim como não podemos entender tudo o que acontece, inclusive, no nosso próprio coração. Mas alguns detalhes de Deus são mais fortes que outros e, com certeza, podemos, olhando para a nossa própria vida, perceber momentos em que Deus estava falando mais forte. Parece que, para São Vicente, a época em que ele foi escravizado foi um desses momentos importantes.

Foram dois anos de escravidão, passando por três donos diferentes. O último deles foi um senhor que tinha deixado a religião católica e se “convertido” ao islamismo, por medo de ser escravizado. Sua segunda mulher, ouvindo os cantos e orações de Vicente, quis saber mais sobre essa religião e acabou chamando a atenção do esposo por ter deixado uma fé tão bonita. Convertido, o patrão propôs que fugissem de volta para a França, e Vicente acabou sendo libertado. Seu patrão entrou para um mosteiro. Foi uma experiência difícil, que certamente ajudou São Vicente a entender que o sacerdócio não é um lugar para buscar fama ou carreiras bem-sucedidas, mas para amar, entregando-se totalmente aos outros, onde quer que esteja.

Uma dedicada aos mais pobres

Voltando a exercer o sacerdócio, teve muito contato com pessoas mais carentes e, pouco a pouco, foi percebendo que era a eles que o Senhor o chamava a entregar todo seu tempo. E assim foi deixando que seu coração fosse sendo modelado por Jesus, até que, finalmente, pela graça de Deus e sua cooperação, pode formar o Santo que estava chamado a ser desde sempre. Ele faleceu em 1660, com quase 80 anos e canonizado em 1737, pelo Papa Clemente XII. Em 1885, por Leão XIII, foi declarado padroeiro de todas as obras de caridade.

Que possamos fazer de nossas vidas também um serviço aos demais, principalmente aos que mais necessitam. São Vicente costumava dizer: “Não sei quem é mais carente: se o pobre que pede pão, ou o rico que pede amor”. Tenhamos então a valentia de ir até os mais necessitados, seja de coisas materiais ou espirituais, para partilhar do que temos e ajudar, assim, a fazer um mundo mais humano, onde reine o Amor que Cristo veio nos dar.

Escrito por
Irmão João Antônio Johas (Redação A12.com)
João Antônio Johas

Licenciando em Filosofia pela Universidade Católica de Petrópolis, Pós-graduando em Antropologia Cristã pela Universidade Católica San Pablo em Arequipa, Peru.

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