No início desta semana, a Comissão Especial de Bioética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), se reuniu na sede da Conferência, em Brasília (DF), para debater e avaliar ações desenvolvidas no último ano, além de prever o planejamento das atividades para o próximo biênio.
Entre os assuntos discutidos estão a produção de novos subsídios formativos, materiais de auxílio que podem ser apresentados em forma de vídeo sobre os temas emergentes e a possibilidade de elaboração de um novo documento de bioética a ser apresentado ao Conselho Permanente da CNBB.
A comissão, presidida pelo bispo auxiliar de Curitiba, Dom Reginei Modolo, conhecido como Dom Zico, que trabalha com um grupo que reúne professores de universidades católicas, integrantes da Associação Brasileira de Médicos Católicos, do Conselho Nacional de Saúde, da Associação dos Juristas Católicos, entre outros especialistas, tem o objetivo de assessorar a Presidência da CNBB e os bispos do Brasil diante de questões éticas relacionadas à defesa e promoção da vida humana.
Ao iniciar a reunião, o presidente da CNBB, cardeal Dom Jaime Spengler, ressaltou o papel da Igreja como referência ética diante das transformações culturais do nosso tempo. Ele afirmou que a ética está ligada à “casa do humano”, ou seja, à forma como a sociedade compreende e define a dignidade da pessoa.
“Compreender a casa do humano hoje se tornou um grande desafio para toda a sociedade. Vivemos uma crise antropológica profunda, com valores que sustentaram nossa cultura entrando em crise”.
Dom Jaime acrescentou que, mesmo diante das críticas, a Igreja continua sendo percebida pela sociedade como uma reserva ética:
“Isso nos confere uma grande responsabilidade. A sociedade ainda nos respeita e espera de nós uma palavra consistente, fundamentada psicologicamente, filosoficamente e eticamente”.
Ele também destacou os novos desafios que surgem com temas emergentes, como a inteligência artificial.
O presidente da Comissão Especial de Bioética, Dom Reginei Modolo, enfatizou que a missão principal da comissão é afirmar, em todas as circunstâncias, o valor inviolável da vida humana.
A nossa missão principal é concretizar aquilo que o documento do Dicastério para a Doutrina da Fé recorda: "a vida é sempre um bem. Não importa idade, condição social, origem ou situação de vulnerabilidade, a vida é sempre um bem e precisa ser cuidada e defendida”.
Ele afirmou ainda que o trabalho envolve o trabalho conjunto de conscientização, formação e posicionamentos públicos quando a dignidade humana está ameaçada.
“Percebemos o risco de algumas vidas serem consideradas menos importantes ou descartáveis. Queremos atuar justamente para que isso não aconteça, promovendo uma visão positiva e integral da vida”.
Nos próximos anos, a Comissão pretende ampliar a produção de vídeos e materiais formativos sobre temas prioritários, acompanhar projetos de lei que possam ameaçar a proteção da vida e fortalecer a articulação com a Pastoral Familiar e outros organismos da Igreja. Também seguirá oferecendo pareceres técnicos solicitados pela presidência da CNBB e pelos bispos, além de estudar a elaboração de um novo documento de bioética para atualizar a atuação da Igreja diante dos desafios atuais.
"Nosso serviço é ajudar a Igreja a anunciar, de modo concreto, a beleza do Evangelho da vida, especialmente onde ela está mais ameaçada”, concluiu Dom Reginei.
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