O Suriname é um país situado ao norte da América do Sul, fazendo fronteira com o estado do Pará, a Guiana Francesa e com a Guiana (Inglesa). Sua área é de 163,3 mil km2 e sua população aproxima-se de 530 mil pessoas, distribuídas em 11 distritos, sendo que o maior é o da capital onde se concentra mais da metade da população do país. A capital Paramaribo localiza-se na orla do Oceano Atlântico, na foz Rio Suriname. A maior parte da área do país ainda é coberta por floresta.
Foto: arquivo pessoal.

Missionários Redentoristas celebram missa em Batávia, comunidade surinamense.
Calcula-se que hoje existam 80 mil brasileiros vivendo no país, a maior parte trabalhando nos garimpos e minas existentes, sobretudo, no interior.
Em 1866 deu-se a chegada dos redentoristas ao Suriname, onde a figura mais destacada é a de Pedro Donders e o trabalho que realizou, sobretudo, na capital e no leprosário de Batávia. Ele chegou ao Suriname em 1842, ainda como sacerdote diocesano. Quando entrou para a Congregação, em 1867, já tinha mais de 50 anos, vindo a falecer em 1887.
Foto: reprodução.

Beato Pedro Donders.
Hoje seu túmulo encontra-se na catedral de Paramaribo e uma vez ao mês a Igreja Diocesana organiza uma romaria ao lugar onde existiu o Leprosário de Batávia. Quando o leprosário foi extinto em 1897 os internos foram transferidos para outro lugar e as casas, bem como todas as instalações foram queimadas. Hoje, existe no local uma capela e uma cruz foi erguida no lugar onde Donders foi sepultado e algumas poucas casas. No programa da romaria faz-se uma via-sacra, celebra-se a Santa Missa e partilha-se o lanche e a refeição.
O Suriname chegou a ser uma das Vice-Províncias da Holanda com mais de 50 membros, celebrando o seu cinquentenário. Mas, dos membros da Vice-Província apenas 03 eram nativos, entre eles o Pe. Moesai e o agora bispo emérito Dom Aloisius. Com exceção do bispo atual, todos os anteriores foram também redentoristas. As vocações que por acaso surgissem eram enviadas à Holanda. Em Suriname não se chegou a ter uma casa de formação.
Após o Capítulo Geral de 1997 em West End – EUA, numa reunião extraordinária com o Superior Geral da Congregação Pe. Joseph Tobin, recém-eleito, a Província de Amsterdã entregou o Suriname ao Governo Geral que pediu então ao Brasil que assumisse a missão, fato este aceito pelos superiores provinciais presentes. Em 2001, chegou a 1ª turma de brasileiros formada pelo Pe. Paulo (Província do Rio), Pe. Dionísio Zamuner (de São Paulo) e Pe. José Virgílio (de Porto Alegre). De lá para cá, já passaram outros 11 confrades destas primeiras unidades, e também de outras unidades, incluindo os que aqui estão.
Atuação Pastoral
Nos últimos anos, por razões numéricas e pela complexidade da missão, frente ao contexto eclesial e cultural, não foi possível criar um maior envolvimento missionário, realizando a comunidade redentorista mais um atendimento temporário, com a realização do essencial do dia a dia, a Pastoral Ordinária. Uma das maiores dificuldades para a equipe missionária continua sendo a questão da língua que limita bastante a comunicação. Aqui se fala o holandês, o inglês e o saranatongo como línguas principais.

Três grupos linguísticos e culturais são mais fortes, especialmente na capital: Chineses, javaneses (vindos da Indonésia) e indianos. Eles chegaram ao país a partir da extinção da escravidão negra ocorrida em 1863. A imigração chinesa começou há 160 anos e os primeiros javaneses aqui chegaram há 140 anos. Além disso, há os negros que são ainda muito discriminados.
Em termos de religião, as forças predominantes são os hinduístas (27%), os muçulmanos (20%) e o cristianismo (47%) onde destacam-se os protestantes históricos (Calvinistas). As igrejas neopentecostais já começaram a chegar também. Entre os cristãos há a predominância dos católicos, ainda que não tenham uma fidelidade e presença na Igreja. Um ponto importante é que há uma abertura da diocese ao diálogo inter-religioso e cultural. É muito curioso ver uma mesquita e uma sinagoga construídas lado a lado na capital.
Em 2013 começaram a dar os primeiros passos no sentido de um maior envolvimento na pastoral, buscando um dinamismo missionário. A comunidade redentorista atende atualmente, 3 paróquias e 4 comunidades da zona sul de Paramaribo (Bairro Latour) e outras 2 filiais em outra região.
A presença missionária no Suriname é uma Missão “Ad Gentes” de todas as (Vice) Províncias do Brasil, aberta à participação de todos os confrades.
Diferentemente do Brasil, por causa do modelo de Igreja implantado pelos holandeses, cada paróquia tem uma única igreja que às vezes nem capela do Santíssimo Sacramento possui. Só a paróquia maior do Bairro Latour tem mais uma comunidade.
Com a saída dos holandeses e a chegada dos redentoristas brasileiros, os diocesanos ficaram atendendo essa área. Os redentoristas ficaram apenas com a Catedral que depois também foi entregue ao clero diocesano. O último holandês, Pe. Mülder, deixou ao Suriname em 2011 e, neste mesmo ano, a última propriedade dos holandeses, uma grande casa erguida próximo à Catedral também foi vendida. A única propriedade que os redentoristas possuem agora no país é a casa onde vivem.
Como ação pastoral existe a catequese nas escolas, mas que também passa por um processo de laicização; há um grupo de pré-jovens, equipe de liturgia iniciante (leitores) e neste ano começaram a Novena Perpétua realizada na igreja Sagrado Coração de Jesus aberta aos brasileiros nas noites de terça-feira, ainda com uma pequena participação. A grande maioria dos brasileiros é proveniente do estado do Maranhão e de Belém do Pará. Recentemente começou-se um curso de formação bíblica para que surjam lideranças e a Igreja ganhe uma maior dimensão missionária.
Nas comunidades formadas por surinamenses está sendo preparada uma equipe de visitação às famílias que traz bastante esperança de um crescimento na participação e no compromisso com a Igreja.
Na área existem 2 diáconos permanentes da diocese que são surinamenses e outros 2 estão sendo preparados. O trabalho é muito lento pelas próprias características culturais e étnicas. A equipe brasileira tem um programa de 2 horas numa rádio FM no endereço: www.radiobrasilsuriname.com.
Foto: arquivo pessoal.

Padre Inácio com missionários que atuam no Suriname, no túmulo do Beato Pedro Donders.
Pastoral com os brasileiros
Numa paróquia ou igreja ligada à Catedral faz-se a Pastoral com os brasileiros atendidos pela equipe missionária. A sede das reuniões e celebrações já mudou de lugar algumas vezes e agora está nesta igreja.
O sonho de construir uma igreja era antigo e agora já conseguiram um terreno com a ajuda da diocese. Com as contribuições do dízimo e festas, começaram a arrecadação de fundos para a construção. No projeto está previsto, uma igreja, um centro comunitário, uma espécie de casa paroquial e uma quadra de esportes.
A comunidade redentorista vislumbra com o trabalho pastoral junto aos brasileiros a possibilidade de um grande crescimento no dinamismo missionário, podendo, inclusive, pensar em se deslanchar uma ação missionária junto aos garimpos, pois há uma forte penetração das igrejas evangélicas e dos pastores neopentecostais.
Compromisso
A presença missionária no Suriname é uma Missão “Ad Gentes” de todas as (Vice) Províncias do Brasil, aberta à participação de todos os confrades. Por isso, renovamos o chamado a novos missionários voluntários que venham integrar esta importante frente missionária da Congregação, não apenas pelo fato do Governo Geral desejar a sua continuação, mas pela originalidade da missão aqui neste país, onde temos o importante legado espiritual e pastoral do Beato Pedro Donders e pela possibilidade que a missão aqui tem de abrir novos campos e horizontes de atuação, especialmente entre os brasileiros, cujo contingente já ultrapassa a soma de 80 mil no Suriname.

Pe. Inácio Medeiros, C.Ss.R
Vigário Provincial de São Paulo
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