Por João Antônio Johas Leão Em Espiritualidade

Um Domingo de contrastes

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Já estamos terminando o tempo da quaresma. Esse tempo que a Igreja nos deu para estar mais perto de Jesus, no silêncio do deserto, e assim aprender dele como viver uma vida de acordo com a nossa dignidade de Filhos de Deus. Foi um tempo especial para a conversão, através do jejum, da oração e da caridade.

Nos últimos Domingos desse tempo a liturgia foi nos conduzindo, Domingo a Domingo, para que renovemos nosso encontro com o Senhor, fonte de água viva (Diálogo com a Samaritana), Luz do mundo (Cura do cego de nascença) e Vida que vence a morte (Ressurreição de Lázaro). Tudo isso porque Deus quer que em nós se renove a fé, assim como se renovaram muitos que viram o que Jesus fazia.

Mas nem tudo são flores. Na vida de Cristo, e na vida de todo discípulo de Cristo, sempre existem os espinhos, as incompreensões. Por isso, enquanto vários acreditavam em Jesus pelo que Ele estava fazendo, outros, como os fariseus, viam nos sinais que Ele fazia uma ameaça e decidiram mata-lo. (Jo 11, 47-48. 53).

Assim chegamos no Domingo de Ramos. Que é um Domingo de contrastes as vezes difíceis de compreender. Por um lado, louvamos a Jesus que entra em Jerusalém aclamado como o Messias esperado, aquele que cumpria as promessas de Deus. Mas por outro lado escutamos no Evangelho a dura paixão e morte de Jesus. Em sinal de reverência, humildade e pedido de perdão pelos nossos pecados, nos ajoelharemos ao escutar o sacerdote proclamar: “Então Jesus, dando um forte grito, entregou o Espírito.”

 

Semana Santa, momento de meditar sobre os mistérios centrais na nossa fé.

Com gritos de glória e de dor esse Domingo introduz a Semana Santa. Semana em que vamos meditar sobre os mistérios centrais da nossa fé. Hosanas por um lado e Crucifica-o por outro. Que grande contradição, mas se olharmos atentamente, podemos aprender muito da atitude de Jesus e das pessoas que o aclamavam.

Quantas vezes nós tivemos um encontro pessoal com Jesus que nos levou a convicção de que Ele é realmente o caminho, a verdade e a vida, que nos convenceu que Ele é a resposta para a nossa busca pela felicidade. Então abrimos as portas do nosso coração e o acolhemos com os ramos, com entusiasmo e alegria. No entanto, pouco depois, com nossas atitudes e opções contrárias ao que Ele ensinou, o expulsamos do nosso interior gritando crucifica-o, preferindo o “Barrabás” dos nossos vícios e pecados?

É que somos assim, frágeis, quebradiços vasos de barro. Não podemos esquecer de nossa natureza ferida pelo pecado. O Papa Francisco lembra desse grave mal de nossa sociedade atual na sua exortação Evangelii Gaudium: “...com a negação de toda a transcendência, produziu-se uma crescente deformação ética, um enfraquecimento do sentido do pecado pessoal e social....”. 

O pecado realmente existe e está em nós. Ele nos afasta de Deus, impedindo que o vejamos com facilidade, nos afasta de nós mesmos, dificultando a autocompreensão, o autoconhecimento, nos afasta dos demais, dificultando as relações pessoais e, finalmente, nos afasta da natureza criada, fazendo com que a utilizemos mal, de maneira egoísta.

 

Ele sabe que Deus é mais forte que o pecado que leva a morte, por isso pode entrar triunfalmente em Jerusalém sabendo que queriam levá-lo a morte.

Mas isso não deve desanimar-nos a ponto de que percamos as esperanças. Essa é uma tentação muito grave: “Eu não tenho salvação, o ser humano não tem jeito mais, está muito ruim, já não se pode fazer nada.” Quando se pensa assim, se diz que o mal e o pecado têm mais força que Deus e isso não é verdade.

Jesus, no Domingo de Ramos, nos ensina justamente isso. Ele sabe que Deus é mais forte que o pecado que leva a morte, por isso pode entrar triunfalmente em Jerusalém sabendo que queriam leva-lo a morte.

O ser humano frágil e pecador é a razão pela qual Jesus veio ao mundo. Ele mesmo disse que não veio pelos justos (Mt 9,13), mas pela ovelha perdida (Mt 18, 14). A primeira condição para que sejamos salvos por Jesus é reconhecer que necessitamos salvação. Somos vasos de barro nos quais o Senhor quer depositar o seu tesouro, a sua salvação.

Nesse sentido, nos diz o Papa: “Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria.”

Deus quer que tenhamos a mesma confiança que Jesus possui. Essa confiança de filhos e filhas de Deus. A isso nos chamou a atenção o Santo Padre em sua mensagem para essa quaresma.

Ele nos dizia no começo desse tempo: “Jesus é rico de confiança ilimitada em Deus Pai, confiando-Se a Ele em todo o momento, procurando sempre e apenas a sua vontade e a sua glória.” Jesus mesmo nos mostra, no Domingo de Ramos, essa confiança infinita em no Pai, para que aprendamos dele.

Confiemos então no poder de Deus que se manifesta na nossa fraqueza. Que nesse Domingo de Ramos o contraste entre os “hosanas” e o “crucifica-o” nos ajudem a reconhecer-nos necessitados da salvação que Deus quer dar a cada um de nós, assim seremos fortes nEle, alcançando a felicidade que nosso coração tanto deseja e tornando-nos propagadores dessa felicidade a muitas outras pessoas que ainda não a encontraram. 

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