Você frequenta a igreja, participa das Missas, acompanha as celebrações e, quem sabe, até ajuda em alguma atividade da paróquia. Mas já parou para pensar que também pode contribuir com as decisões e os caminhos da sua comunidade?
Afinal, a Igreja não é feita apenas por padres ou pessoas que estão à frente das pastorais. Ela é formada por todos os fiéis, cada um com sua história, seus dons e sua maneira de viver a fé.
É justamente essa participação que está no centro da sinodalidade, um caminho que convida a Igreja a caminhar unida, ouvir diferentes vozes e construir sua missão em comunidade.
Igreja: um caminho que fazemos juntos
A palavra sinodalidade pode até parecer complicada, mas sua ideia é bem simples: caminhar juntos! Na prática, significa que todos têm algo a oferecer à vida da Igreja. É ouvir o que o outro tem a dizer, compartilhar experiências, reconhecer os desafios da comunidade e buscar soluções em conjunto.
Assembléia Paroquial na comunidade Nossa Senhora da Natividade
Essa proposta ganhou destaque com o Sínodo sobre a Sinodalidade, convocado pelo saudoso Papa Francisco. Em seu Documento Final, aprovado em outubro de 2024, a Igreja reforça que a comunhão, a participação e a missão precisam fazer parte de sua caminhada.
"O caminho sinodal orienta-nos assim para uma unidade plena e visível dos Cristãos, como testemunharam, com a sua presença, os delegados das outras tradições cristãs. A unidade fermenta silenciosamente no seio da Santa Igreja de Deus: é profecia de unidade para todo o mundo." (Documento Final da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, 2024, n. 4)
O documento também destaca a importância de uma Igreja que escuta, promove o diálogo e reconhece a contribuição de todos os batizados. Afinal, cada pessoa pode colaborar com a missão evangelizadora a partir de sua realidade e dos dons que recebeu.
Isso significa que a sinodalidade não acontece somente em grandes reuniões ou encontros no Vaticano. Ela também está presente nos pequenos gestos, desde quando uma pessoa é acolhida na comunidade, quando alguém tem espaço para falar, quando diferentes gerações conseguem dialogar e quando os fiéis se unem para ajudar quem precisa.
A missão de construir a Igreja é de todos
É nesse contexto que as assembleias paroquiais ganham importância. Esses encontros são oportunidades para que padres, lideranças, agentes de pastorais, movimentos e fiéis possam conversar sobre a realidade da comunidade e pensar juntos nos próximos passos.
É o momento de olhar para a paróquia e perguntar: o que estamos fazendo bem? O que precisa melhorar? Quais pessoas ainda não conseguimos alcançar? Como podemos acolher melhor quem chega?
Essa participação também encontra fundamento no Código de Direito Canônico. O cânon 536 prevê a possibilidade de criação do conselho pastoral paroquial, formado por fiéis que ajudam a promover a ação pastoral da comunidade, sob a direção do pároco.
Ou seja, a colaboração dos leigos não é apenas uma iniciativa interessante: ela faz parte da vida e da organização da Igreja.
No Brasil, essa caminhada também está presente nas novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2026–2032), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O documento orienta a ação evangelizadora e oferece referências para que as dioceses e paróquias avaliem suas realidades e planejem os próximos passos.
"Também os organismos do Povo de Deus, as associações e irmandades, as novas comunidades, as escolas católicas, os meios de comunicação de inspiração católica e todos os entes eclesiais do Brasil devem se deter com empenho no estudo das DGAE em vista da sua aplicação nas suas respectivas atividades." (CNBB, Perguntas e respostas sobre as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, 2026–2032)
Assembleia Paroquial na Igreja de São Luis de Tolosa
Como posso participar mais da minha comunidade?
Se você pensa que precisa ter uma função importante ou fazer parte de uma pastoral há muitos anos para ajudar, pode ficar tranquilo! Existem diferentes maneiras de contribuir. E algumas delas começam com atitudes bem simples:
looks_one Participe das conversas e reuniões
Procure saber se sua paróquia está organizando assembleias, encontros ou reuniões abertas aos fiéis e conheça melhor a comunidade, ouvindo outras experiências.
looks_two Conheça as pastorais e os movimentos
Já pensou em descobrir o que acontece além das celebrações? Conheça as diferentes pastorais que atuam com crianças, jovens, famílias, idosos, pessoas em situação de vulnerabilidade e veja onde seus dons podem ajudar.
looks_3 Compartilhe suas ideias e sugestões
Às vezes, uma boa ideia pode surgir de uma conversa simples. Compartilhe sua percepção com as lideranças da comunidade.
looks_4 Esteja disposto a ouvir
Participar também significa escutar. Nem sempre as pessoas terão a mesma opinião, mas aprender a respeitar e ouvir também faz parte de uma comunidade que deseja caminhar unida.
looks_5 Coloque seus dons a serviço
Você que tenha algum dom como, a música, comunicação, organização, acolhida, catequese ou trabalhos sociais, pode transformar isso em uma forma de servir. Converse com sua paróquia e descubra como colaborar.
Por isso, a participação não termina quando uma assembleia acaba ou quando uma reunião termina. Ela continua nas atitudes do dia a dia, no cuidado com o próximo, na disponibilidade para servir e no compromisso com a missão de Jesus.
E você, já participa de alguma atividade na sua paróquia? Que tal dar um passo a mais?
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Fonte: Documento Final da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, Código de Direito Canônico
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