Você já compartilhou alguma coisa e depois descobriu que não era verdade? Ou respondeu no impulso e se arrependeu? Nas redes sociais, nossas escolhas também mostram como vivemos a fé.
Em mensagem enviada ao VII Seminário Internacional sobre Comunicação da Igreja, realizado nos dias 27 e 28 de julho, em Santiago, no Chile, o Papa Leão XIV pediu que cada instrumento tecnológico esteja a serviço da verdade e do bem. O encontro refletiu sobre os desafios da inteligência artificial à luz da encíclica Magnifica humanitas.
O Papa também pediu que a tecnologia seja usada com sabedoria e responsabilidade, preservando a dignidade das pessoas e favorecendo o encontro e o anúncio do Evangelho.
Esse ensinamento pode nos ajudar a fazer um breve exame de consciência digital. Antes de publicar, comentar ou compartilhar, faça estas cinco perguntas:
Nem tudo o que recebemos pelo celular é verdadeiro. Uma notícia pode ser antiga, uma fotografia pode ter sido retirada de outro acontecimento e um vídeo pode mostrar apenas uma parte da história.
Antes de encaminhar, confira a origem, a data e o contexto. Quando não for possível saber se a informação é verdadeira, o melhor é não compartilhá-la.
São Paulo nos aconselha:
“Enfim, irmãos, ocupai-vos com tudo o que há de verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, louvável, virtuoso e recomendável” (Fl 4,8).
Uma publicação pode chamar a atenção e, mesmo assim, não fazer bem a ninguém. Algumas mensagens espalham medo, aumentam a raiva ou alimentam fofocas.
Antes de compartilhar, pergunte: isso vai informar, orientar ou ajudar alguém? Ou servirá apenas para provocar, assustar ou aumentar uma discussão?
O Catecismo da Igreja Católica ensina que a informação deve estar a serviço do bem comum e ser comunicada com verdade, justiça e caridade.
Nem tudo o que chega até nós precisa ser divulgado. Fotografias de acidentes, situações constrangedoras, discussões familiares e momentos de sofrimento podem expor pessoas que precisam de cuidado.
O mesmo vale para publicações que ridicularizam alguém ou incentivam ataques. Antes de compartilhar, podemos recordar o ensinamento de Jesus:
“Fazei aos outros tudo aquilo que quereis que eles vos façam” (Mt 7,12).
Eu gostaria que uma fotografia, um erro ou uma situação delicada da minha vida fosse divulgada daquela maneira?
Um comentário escrito no impulso pode ferir e aumentar uma discussão. Antes de responder, vale respirar e perceber se nossas palavras ajudam no diálogo ou apenas aumentam o conflito.
A Carta de São Tiago recomenda:
“Seja cada um pronto para ouvir, lento para falar, lento para se irar” (Tg 1,19).
5. Estou usando a tecnologia com responsabilidade?
As redes sociais, os aplicativos e a inteligência artificial podem ajudar em muitas tarefas, mas não podem decidir por nós o que é verdadeiro, justo ou bom.
Cabe a cada pessoa verificar o que recebeu, pensar nas consequências e não usar a tecnologia para enganar, expor ou prejudicar alguém.
Como ensina Leão XIV, esses recursos devem estar a serviço das pessoas, ajudando a promover o encontro e o anúncio do Evangelho.
O exame de consciência digital pode ser feito em poucos segundos:
Isso é verdadeiro? Faz o bem? Respeita a pessoa? Aproxima os outros? Estou agindo com responsabilidade?
Em alguns momentos, a melhor decisão será compartilhar. Em outros, será esperar, conferir a informação, mudar o tom da resposta ou simplesmente não encaminhar.
Assim, a tecnologia estará realmente a serviço da verdade, do bem e da dignidade de cada pessoa.
.:: Acesse a12.com/santopadre e acompanhe outros ensinamentos do Papa Leão XIV
Fonte: Vatican News
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