O assunto “sinodalidade” tem sido amplamente abordado em diversos textos e conteúdos produzidos pela Rede Aparecida de Comunicação. Buscar a compreensão de todos sobre a importância de se viver em comunidade tem sido uma missão, e mostrar as diversas realidades em que o caminho sinodal é percorrido nos ajuda a dar exemplos dessas ações sinodais.
O A12 conversou com Dom Roque Paloschi, arcebispo da Arquidiocese de Porto Velho, capital de Rondônia. A região em que o bispo atua nos apresenta uma comunidade de pluralismo, com povos originários, quilombolas, ribeirinhos, imigrantes, diversas realidades vivendo em comunhão.
Dom Roque explica que a Amazônia nos mostra uma experiência bonita, porque, mesmo depois da expulsão dos jesuítas, dos afastamentos e das congregações que deixaram o local, ela renasceu.
“Ela nasce, sobretudo, como um caminho muito participativo. Eu sempre digo que ter comunidades em que, de repente, o ministro ordenado, o missionário, vai uma ou duas vezes por ano, é muito difícil. Mas perceber que essa comunidade leva a sério o processo catequético, as celebrações dominicais, os grupos de reflexão bíblica, e que essas comunidades se empenham na defesa da vida e no cuidado, na criação, no zelo para os mais machucados, isso tudo é sinal do Reino, é sinal de Deus e é sinal também das sementes do Verbo presentes, mas que, vivendo em comunidade, isso se torna mais concreto e mais natural”.
Nesse trabalho de acolhimento e evangelização, a Igreja precisa desenvolver ações que verdadeiramente aproximem os irmãos e, para isso, o arcebispo explica que existe um trabalho de coordenação partilhada e corresponsabilidade, com a participação de ministros ordenados, religiosos, diáconos, leigos e leigas que fazem parte da coordenação arquidiocesana e pastoral.
Com essa coordenação em âmbito diocesano, é possível também distribuir as ações nos regionais, fazendo com que a comunidade seja ativa e corresponsável. Tornando possível a realização de iniciativas em diversos âmbitos.
“Nós temos também iniciativas, por exemplo, em relação ao cuidado da casa comum, onde muitas comunidades com espaços estão arborizando, reflorestando. Nós temos um empenho também, por exemplo, com os moradores de rua, fruto não de recursos que vêm de fora, mas fruto da partilha, da generosidade das famílias, das comunidades”.
O caminho sinodal convoca a participação de todos, e os jovens são fundamentais nesse processo. Dom Roque conta que também existe um trabalho dedicado à juventude e também às mulheres.
“Nós temos, sobretudo, o desafio de cuidar da juventude. A juventude precisa ter muito carinho, muita proximidade. Nós temos isso que vai caminhando pela graça de Deus, pela ação do Espírito Santo, mas, sobretudo, pelo testemunho. E aqui entra também o reconhecimento para o mundo feminino, o mundo das mulheres, que são, como se diz, as sentinelas na perspectiva de defesa da vida, de zelo pela missão da misericórdia como Igreja em nossa região de Porto Velho”.
Quando o Sínodo para a Sinodalidade teve início, o saudoso Papa Francisco já pedia por revisão e atenção nas estruturas, justamente para aproximar o Povo de Deus das decisões da Igreja e despertar a corresponsabilidade de cada um.
Dom Roque explica que esse desafio é um processo, e que é preciso acreditar nesta caminhada para que ela seja verdadeiramente sinodal.
“São processos em que a gente precisa acreditar. Não são caminhos que se fazem com toque mágico, mas são processos que precisam se estabelecer e dar tempo para isso, porque nós precisamos, sobretudo, repensar, seja a gestão, seja a missão, seja realmente esse desafio de ser uma Igreja em saída, que não fica, repito, que não fica numa pastoral da conservação, mas que aceita o desafio de se lançar e sair pelas ruas e pelas praças, proclamando e gritando o Evangelho com a vida”.
O arcebispo explica que já observa grandes mudanças e participações neste caminho sinodal e que cada vez mais é necessário seguirmos os passos de Jesus.
“Eu vejo o desejo de caminhar, sabendo que somos passivos de erros, de atropelos, mas o importante é que tudo isso sempre é feito no diálogo, na avaliação, no planejamento, na execução. Tudo isso vai nos ajudando a crescer, aonde ninguém é o dono, ninguém é o Senhor, mas todos nós somos discípulos missionários, discípulos para seguir nas pegadas, de Jesus”.
Fonte: Colaboração: Elisangela Cavalheiro
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