História da Igreja no Brasil – XXV
A evangelização do Brasil está diretamente ligada à formação da nação brasileira. Portugal, ao longo de quase três séculos, criou uma colônia e ocupou gradativamente um território ocupado por inúmeras nações indígenas. Esta vasta população foi sendo dizimada pela guerra, pelos massacres, pela escravidão e pelas doenças trazidas ou provocadas pelo branco europeu; sem deixar de falar também da disseminação do alcoolismo. Uma parte sobreviveu, fugindo para regiões inacessíveis aos brancos. Outra pequena parte foi integrada ao novo povo, junto com os africanos que mais tarde para cá foram trazidos como escravos.
A evangelização está ligada à colonização e na maioria das vezes a consciência era esta: É preciso e é legitimo subjugar os índios (″pacificar”) para depois cuidar de sua evangelização. Esta foi a razão maior do massacre. Talvez seja este um dos maiores pecados da história da Igreja no Brasil, no seu período colonial.
Aqui entre nós, Portugal passou a aplicar táticas já aplicadas com relativo sucesso em outras áreas conquistadas e a política colonizadora abrangia todos os campos, mas era legitimada por diversos elementos religiosos.
01. Da implantação à consolidação organizacional (1500 – 1759):
A primeira fase de nossa história começa no ano 1500 e vai até o ano de 1759 quando cerca de 600 jesuítas foram expulsos do Brasil durante a administração do primeiro ministro português, Marquês de Pombal.
A fase de implantação do catolicismo e da organização das primeiras estruturas de Igreja foi sustentada por alguns elementos já descritos anteriormente que descrevemos agora sumariamente.
Elementos que favoreceram a Colonização:
Espírito de cruzada:
O espírito de cruzada veio ainda da Idade Média como ideal de dilatação da fé e conversão dos infiéis, usando até mesmo de meios contrários à fé cristã.
Ligação do poder temporal com o poder religioso:
Isto aconteceu sob a forma do Padroado Régio. Na teoria, os fins espirituais vinham primeiro, mas na pratica os objetivos temporais prevaleceram.
Ação do Estado:
A Igreja estava nas mãos do estado que se encarregava de recrutar missionários e sustentar a organização territorial que foi sendo criada. Isto era decorrência do Ideal de Cristandade e da ligação entre o trono e o altar.
Política oficial:
A Igreja coloca-se a serviço da política oficial, legitimando o comportamento de suas autoridades, em troca da proteção fornecida pelo estado.
02. Avanços da Evangelização:
Depois de chegarem ao Brasil, a partir do inicio do século XVI, os portugueses tomaram posse de nossa terra. Aqui passaram a implantar o modelo colonial baseado na economia mercantilista (comercial), no monopólio da metrópole sobre a colônia e na subserviência da Igreja, que assim, amparada e protegida, pode desenvolver-se, evangelizando a população local e criando as primeiras suas estruturas.
Passada a fase de deslumbramento e angustia diante da natureza a sujeitar, puderam os portugueses tratar de adaptar aqui o que se conveniou chamar de ″civilização”, sem o suporte material e moral da metrópole e portuguesa.
03. Modelo de colonização:
Aos poucos a máquina civil e administrativa de Portugal foi sendo montada seguindo os moldes da metrópole. O mesmo podemos dizer em referência às estruturas de Igreja.
Administração:
As cidades e vilas que vão sendo criadas, ainda que com pequena expressão, sendo administradas pela Câmara Municipal, que ao lado do governo geral gozará de prestigio e autonomia.
Justiça:
Era aplicada pelas autoridades locais, apoiadas nas câmaras municipais. Aos poucos vai se destacando a autoridade dos donos de engenhos e fazendas (Casa Grande e Senzala) que serão, em nível local, as autoridades de fato.
Economia:
A política da coroa se pautava pelas normas do mercantilismo da época. A exploração se fazia nos moldes do exclusivismo da metrópole e a terra colonizada pelo sistema de latifúndio e monocultura. Será desenvolvido desta forma o famoso sistema dos Ciclos Socioeconômicos.
Política:
Também no campo da política a principio prevaleceu a autonomia, mas aos poucos foi crescendo a fiscalização e a tributação, sobretudo na exploração das minas. Vai predominar mais tarde a centralização administrativa.
Sociedade:
Na sociedade brasileira que aos poucos vai sendo constituída, vão predominar duas classes: a dos patrícios, constituída pelos Senhores de Engenho, pelos donos de fazendas e latifúndios, proprietários de minas e exploradores da mão de obra escrava. Do outro lado estará a gente livre, constituída por brancos pobres e dependentes. Índios e negros estarão fora da pirâmide social.
Cultura:
A fiscalização e controle desta área serão bem grandes. No sentido cultural a Igreja será a única classe letrada. Aos poucos a cultura será estendida aos filhos dos brancos poderosos. Somente no século XVIII surgirão as academias e sociedades secretas. Quem podia alcançar os estudos universitários devia recorrer à universidade de Coimbra em Portugal.
Neste quadro é que a Igreja vai desenvolver a sua ação evangelizadora, sempre controlada pelo estado. A isto se deve também todas as características da formação da nação brasileira.
Os portugueses chegaram ao Brasil a partir do final do século XV, aqui implantando a maior de suas colônias até então. A princípio ficaram surpresos com a natureza intensa a explorar. Também pelo motivo de que aqui as dificuldades eram bem maiores. Os colonizadores não tinham o apoio que a metrópole poderia conceder.
Depois de uns 30 anos de abandono começou, de fato, a exploração e a evangelização de nossa terra, chamada primeiro de Terra de Santa Cruz, a seguir Terra de Vera Cruz e depois Brasil.
A partir da primeira missa celebrada em solo brasileiro pelo franciscano Frei Henrique de Coimbra, começou o trabalho de estabelecer uma organização territorial, criando estruturas mínimas de Igreja.
Podemos dizer que somente pelo fim do século XVII é que Portugal começou de fato a cuidar da colônia, a partir da descoberta do ouro e de outros metais nobres em nossa terra.
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