História da Igreja

A evangelização na formação do Brasil Colonial

Conheça a trajetória da Igreja desde a primeira missa até a expulsão dos jesuítas, e como a fé legitimou a política de ocupação do território brasileiro.

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Pe Jose Inacio de Medeiros

Escrito por Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.

17 SET 2013 - 15H51 (Atualizada em 27 ABR 2026 - 11H57)

Reprodução/ Wikipedia

A evangelização do Brasil está diretamente ligada à formação da nação brasileira. Portugal, ao longo de quase três séculos, criou uma colônia e ocupou gradativamente um território habitado por inúmeras nações indígenas.

Esta vasta população foi sendo dizimada pela guerra, pelos massacres, pela escravidão e pelas doenças trazidas ou provocadas pelo branco europeu — sem deixar de mencionar a disseminação do alcoolismo. Uma parte sobreviveu, fugindo para regiões inacessíveis aos brancos; outra pequena parte foi integrada ao novo povo, junto aos africanos que, mais tarde, foram trazidos como escravizados.

A evangelização está ligada à colonização e, na maioria das vezes, a consciência da época era esta: era preciso e legítimo subjugar os indígenas (“pacificar”) para depois cuidar de sua evangelização. Esta foi a razão maior do massacre e, talvez, um dos maiores pecados da história da Igreja no Brasil em seu período colonial.

Aqui, Portugal passou a aplicar táticas já utilizadas com relativo sucesso em outras áreas conquistadas. A política colonizadora abrangia todos os campos, mas era legitimada por diversos elementos religiosos.

01. Da implantação à consolidação organizacional (1500 – 1759)

A primeira fase de nossa história começa no ano de 1500 e estende-se até 1759, quando cerca de 600 jesuítas foram expulsos do Brasil durante a administração do primeiro-ministro português, o Marquês de Pombal.

A fase de implantação do catolicismo e da organização das primeiras estruturas da Igreja foi sustentada por alguns elementos, descritos sumariamente a seguir:

Espírito de cruzada: herança da Idade Média, trazia o ideal de expansão da fé e conversão dos “infiéis”, utilizando, por vezes, meios contrários à própria ética cristã.

Ligação do poder temporal com o poder religioso: manifestou-se sob a forma do Padroado Régio. Na teoria, os fins espirituais vinham primeiro; na prática, os objetivos temporais prevaleciam.

Ação do Estado: A Igreja estava subordinada ao Estado, que se encarregava de recrutar missionários e sustentar a organização territorial. Isso era decorrência do Ideal de Cristandade e da união entre o trono e o altar.

Política oficial: A Igreja colocava-se a serviço da política oficial, legitimando a autoridade da Coroa em troca da proteção fornecida pelo Estado.

02. Avanços da Evangelização

Após chegarem ao Brasil no início do século XVI, os portugueses tomaram posse da terra e implantaram um modelo colonial baseado na economia mercantilista, no monopólio da metrópole sobre a colônia e na subserviência da Igreja. Assim, amparada e protegida, a instituição pôde desenvolver-se, evangelizando a população e criando suas primeiras estruturas.

Passada a fase de deslumbramento e angústia diante da natureza a ser dominada, os portugueses trataram de adaptar o que se convencionou chamar de “civilização”, mesmo com as limitações de suporte material e moral da metrópole portuguesa.

03. Modelo de colonização

Aos poucos, a máquina civil e administrativa de Portugal foi montada, seguindo os moldes da metrópole. O mesmo ocorreu com as estruturas da Igreja.

Administração: as cidades e vilas criadas eram administradas pela Câmara Municipal, que, ao lado do Governo Geral, gozava de prestígio e autonomia.

Justiça: era aplicada pelas autoridades locais, apoiadas pelas câmaras. Gradualmente, destacou-se a autoridade dos donos de engenhos e fazendas (sistema de Casa-Grande e Senzala), que se tornaram as autoridades de fato no nível local.

Economia: A política da Coroa pautava-se pelo mercantilismo. A exploração seguia o exclusivismo metropolitano, e a terra era colonizada pelo sistema de latifúndio e monocultura, desenvolvendo o sistema dos Ciclos Socioeconômicos.

Política: inicialmente prevaleceu certa autonomia, mas a fiscalização e a tributação cresceram, sobretudo com a exploração das minas, levando à centralização administrativa.

Sociedade: na sociedade brasileira em formação, predominavam duas classes: os patrícios (senhores de engenho, donos de terras e minas) e a gente livre (brancos pobres e dependentes). Indígenas e negros escravizados permaneciam à margem da pirâmide social.

Cultura: O controle nesta área era rígido. A Igreja constituía a única classe letrada e, aos poucos, o acesso à cultura foi estendido aos filhos da elite branca. Somente no século XVIII surgiram as primeiras academias e sociedades secretas. Para estudos universitários, era necessário recorrer à Universidade de Coimbra, em Portugal.

Neste cenário, a Igreja desenvolveu sua ação evangelizadora, sempre sob o controle do Estado. A essa simbiose devem-se muitas das características da formação da nação brasileira.

Embora o contato inicial tenha ocorrido em 1500, a exploração e a evangelização efetivas só começaram após cerca de 30 anos de relativo abandono. A terra, inicialmente chamada de Terra de Santa Cruz e Vera Cruz, tornou-se o Brasil.

A partir da primeira missa, celebrada pelo franciscano Frei Henrique de Coimbra, iniciou-se o trabalho de estabelecer uma organização territorial e as estruturas mínimas da Igreja. Contudo, foi apenas no final do século XVII, com a descoberta do ouro, que Portugal passou a dedicar um cuidado mais rigoroso à colônia.

Escrito por:
Pe Jose Inacio de Medeiros
Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.

Missionário redentorista que atua no Instituto Histórico Redentorista, em Roma. Graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma. Atuou na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da antiga Província Redentorista de São Paulo, tendo sido também diretor da Rádio Aparecida.

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Por Elisangela Cavalheiro, em História da Igreja

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