Por Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R Em História da Igreja Atualizada em 17 SET 2018 - 09H34

A Era Apostólica da Igreja Primitiva

A primeira fase da história do cristianismo, que começa por volta do ano 30 d.C - ou seja, poucos anos após a ressurreição de Jesus - indo até por volta de 300 d.C., é chamada de Era Apostólica ou de Igreja Primitiva. Esta é a fase em que o Cristianismo experimenta sua primeira expansão, com a fundação das primeiras comunidades cristãs.

No início do cristianismo, as igrejas locais ainda estavam em formação e, em sua maioria, estavam em Jerusalém e em outras localidades próximas, na Judeia e na Samaria, sob a orientação dos apóstolos, com destaque para Pedro, João e Tiago.

Os primeiros cristãos eram provenientes do judaísmo e as comunidades cristãs primitivas eram formadas pelos judeus e pelos gentios convertidos ao judaísmo, que confessaram a fé em Jesus Cristo como Messias, “o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.

Nas origens, as autoridades dos judeus pensavam que os seguidores de Jesus fossem como que uma seita originada no judaísmo, pois os cristãos ainda não tinham esse nome. As autoridades afirmavam que os cristãos estavam praticando uma religião misteriosa em torno do nome de Jesus. O fato de, aos poucos se contraporem à religião oficial, iria provocar a primeira onda de perseguição e de conflito com o judaísmo oficial.

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Desde o início, a celebração da Eucaristia se torna o centro da vida cristã

O fato de assumirem a fé em Cristo e, desta forma, se recusarem a seguir os princípios religiosos do judaísmo (recusando-se também a adorar a outros deuses do Império Romano e adotando o monoteísmo rígido, como no judaísmo), com a consequente oposição ao culto dos imperadores, um pouco mais tarde vai se tornar a causa geradora de muitas perseguições por parte do Império Romano e, logo, das primeiras prisões e mortes dos cristãos.

Projeção da figura de Paulo

O primeiro mártir cristão, Estevão,  morreu justamente apedrejado e Paulo (que neste tempo era funcionário do governo e tinha como função perseguir cristãos), assistia ao seu apedrejamento, como nos conta o livro Atos dos Apóstolos.

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O sangue dos mártires sustenta a vitalidade do cristiniasmo

Pouco depois, indo a Damasco, Paulo teve um encontro com Jesus, permanecendo cego durante três dias. Isso o levou a converter-se, acreditando em Cristo como filho de Deus. Várias de suas cartas foram destinadas às igrejas de Filipos, Corinto, Galácia, Roma, Tessalônica, Colossos, Éfeso e outras. Essas cartas, juntamente com os quatro evangelhos e com as revelações dadas a João, vão compor mais tarde o Novo Testamento.

Leia MaisAs Primeiras comunidades e a formação da IgrejaCristianismo - Da Pregação de Jesus até ConstantinoA Palestina no tempo de JesusNas comunidades primitivas, os cristãos liam as Sagradas Escrituras do Velho Testamento em grego ou aramaico. Além da formação do que conhecemos hoje como Novo Testamento, onde os evangelhos narram o fato de maior relevância pra os cristãos - a ressurreição de Jesus - o início do cristianismo primitivo é marcado pela crença na volta iminente de Jesus.

Desde o início, os cristãos reuniam-se para encontrar-se com Deus, mesmo em meio às perseguições e, aos poucos, vão formando uma assembleia distinta do judaísmo, com quem se confundiam no início.

A palavra Igreja tem origem na palavra grega Ekklesia, que fazia referência a um conjunto de pessoas, uma assembleia de pessoas. Esta consciência de quem é a Igreja de Cristo vai crescendo aos poucos, sobretudo depois de Pentecostes. Assim, os cristãos aos poucos começam a falar da Igreja como corpo de Cristo, como um grupo de pessoas que espera sua volta.

Os que formavam a Igreja em Jerusalém tinham uma vida marcada pelo senso de comunidade, pois repartiam os seus bens, vendiam suas propriedades e bens materiais e os davam à Igreja, para a divisão dos recursos entre todos do grupo.

A morte dos apóstolos

Dos doze apóstolos chamados por Jesus, dez deles morreram como mártires, à exceção de Judas, o traidor, que tirou a própria vida. O último apóstolo a morrer, João, encontrou um destino muito diferente. Vivendo quase até o final do século I, acredita-se que ele morreu de causas naturais.

A tradição apostólica diz que João foi o autor do último livro do Novo Testamento, o Apocalipse, bem como de três cartas e do Evangelho que traz o seu nome. Neste, ele é descrito como “o discípulo que Jesus amava” e é quem recebe de Jesus, na cruz, a missão de cuidar da Virgem Maria. Como ele era o mais jovem dos apóstolos, isso explica parcialmente porque os estudiosos acreditam que ele viveu um longo caminho, até chegar aos 95 anos.

De Pedro, a tradição afirma que ele foi crucificado de cabeça para baixo; Tomé foi morto pela lança; Judas Tadeu, com flechadas e, um por um, todos tiveram uma morte trágica, por causa do nome de Jesus.

Mas a resposta do fato de João ter escapado de um destino semelhante aos demais por tanto tempo tem sua explicação na tradição. As autoridades tentaram matar João de uma maneira horrível, mas isso não aconteceu.

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Os escritos de Joao ajudam a sustentar a fé e a coragem da Igreja perseguida

A história conta que, após a Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria, João foi preso pelas autoridades e levado para Roma, onde foi condenado à morte. O método de execução prescrito seria extremamente cruel. Ele seria mergulhado em óleo quente fervente na frente de uma multidão de espectadores no Coliseu.

O fogo foi aceso embaixo da panela, o óleo estava fervendo, e João foi trazido para fora. Guardas o apanharam e então o mergulharam no líquido escaldante. Foi quando algo incrível aconteceu. Em vez de ver um homem ser brutalmente fervido até a morte, a multidão testemunhou um milagre: João ficou no óleo completamente ileso.

Algumas versões da história dizem que muitos espectadores se converteram por causa do que viram. O governante romano, furioso e envergonhado por não poder matar João, decidiu, em vez disso, bani-lo para a pequena ilha grega de Patmos, e foi justamente lá que ele recebeu a visão que transcrevera no livro do Apocalipse.

Em algum momento, João foi capaz de deixar Patmos e viajar de volta para Éfeso, onde morreu de causas naturais. Dado tudo o que tinha acontecido, viver quase cem anos foi realmente algo milagroso.

Escrito por
Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R. (Arquivo redentorista)
Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R

Redentorista da Província de São Paulo, graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma, já trabalha nessa área há muitos anos, tendo lecionado em diversos institutos. Atua na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da Província de São Paulo.

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