Por Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R Em História da Igreja Atualizada em 02 AGO 2019 - 14H59

As Primeiras comunidades e a formação da Igreja

PÁGINAS DE HISTÓRIA DA IGREJA

HISTÓRIA ANTIGA 03

A festa de Pentecostes, que originalmente era a festa das colheitas, assumiu um grande significado para os cristãos: o pentecostes passou a significar o começo da missão apostólica dos discípulos de Jesus e da Igreja, bem como a criação da Igreja como uma instituição humana, histórica, concreta e a sua caminhada no tempo.

A comunidade primitiva de Jerusalém passou a ser constituída pelos apóstolos, pelos seguidores de Cristo (os discípulos) e por pessoas recém-convertidas ao cristianismo. No dia de Pentecostes, eram cerca de 120 pessoas. Mas este grupo original foi crescendo graças à ação dos apóstolos, sobretudo devido à sua pregação.

Entre o grupo apostólico, o destaque fica por conta do apóstolo Pedro, constituído como chefe da comunidade e cabeça da Igreja. É ele o primeiro missionário e o primeiro pregador depois de Pentecostes.

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A Festa de Pentecostes marca o início da caminhada da Igreja como uma instituição presente na história da humanidade


A princípio, os cristãos participam da vida comum do povo, mas aos poucos vai se formando uma comunidade à parte, com vida própria. Gradativamente, a comunidade cristã também vai se organizando especialmente para prover o atendimento aos seus pobres, órfãos e viúvas. Porém, desde o começo a Igreja passou a enfrentar dificuldades como as perseguições. A Igreja cresceria, a partir de então, sobre o sangue dos mártires.

A primeira dificuldade enfrentada foi o conflito com o judaísmo oficial. Isto provocou a primeira perseguição e a morte dos primeiros mártires. Entre eles, citamos Santo Estevão e São Tiago (cf. At 7,54-60; 8,1-4). Por causa da perseguição, a Igreja se dispersou pela Samaria e Judeia.

A segunda dificuldade foi o conflito com os discípulos de João Batista a respeito do messianismo de Jesus.

As outras dificuldades foram os embates com as falsas doutrinas que surgiam, sobretudo com o gnosticismo (gnosis = conhecimento). Mas o cristianismo passou a crescer e expandir-se graças à ação missionária dos apóstolos e com as viagens missionárias de Paulo. Outro elemento que reforçou muito este crescimento foi a vida interna da comunidade. Esta se baseava na doutrina segura dos apóstolos, na centralidade da Eucaristia (fração do Pão), na posse em comum dos bens e no testemunho da ressurreição. (cf. At 42-47).

A ORGANIZAÇÃO DA IGREJA PRIMITIVA:

Na Igreja primitiva, destacava-se o grupo apostólico. Sua autoridade fundava-se no mistério pascal de Jesus Cristo, do qual o grupo  foi testemunha. Os apóstolos foram convocados por Cristo e estiveram com Ele.

Os Apóstolos:

 Exerciam sua autoridade, não como poder, mas como ministério e como serviço.

 Pela imposição das mãos, constituíam representantes seus nas comunidades fundadas e lhes conferiam autoridade para o governo da comunidade e serviço litúrgico. São os apóstolos quem escolhem os diáconos.

 São eles os primeiros responsáveis pela obra de evangelização.

Depois da morte dos apóstolos, os seus representantes tornam-se seus sucessores. Começa então na Igreja uma nova era, a Era Apostólica, o tempo dos Santos Padres. Deste modo, aos poucos as comunidades recebem uma nova forma de organização, mas não ainda hierárquica.

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Os apóstolos eram garantia da unidade da Igreja e de sua doutrina


Bispos e presbíteros

Leia MaisCristianismo - Da Pregação de Jesus até ConstantinoExistiam os bispos e presbíteros, os doutores, os anciãos, profetas, diáconos e outros ministérios naturais. O papel do bispo não se revestia ainda da importância que teria mais tarde. Bispos e padres exerciam o governo das comunidades de modo colegiado; estavam em condição de equivalência.

Nas maiores comunidades, um Conselho de Presbíteros cuidava de sua direção. Somente depois de 200 anos, o ministério do bispo vai ficando restrita a uma única pessoa. A comunidade cristã participa da autoridade dos apóstolos e de seus sucessores. Existe a corresponsabilidade.

No século II, começou-se a definir-se o ministério do bispo. Eram estas as suas funções principais:

• É o bispo quem convoca os presbíteros e lhes confere autoridade.

• É ele quem dirige a vida das comunidades, especialmente a vida litúrgico-sacramental.

• É ele o responsável pelo ensino, pela incorporação ou mesmo pela expulsão de algum membro da comunidade.

• É o bispo quem também se torna responsável pela formação dos candidatos ao sacerdócio.

Ministérios e serviços

Desde o tempo dos apóstolos, já existiam os ministérios nas comunidades. Mas, à medida em que o ministério eclesiástico foi ganhando importância, foram surgindo normas mais preciosas para a pessoa que passasse a assumir algum serviço ou ministério na comunidade. Veio a exigência do celibato, da virgindade consagrada e da dedicação em tempo integral às funções eclesiásticas. Porém, uma coisa era bastante clara: quanto mais baseada na fraternidade, menor era a necessidade de uma autoridade forte como se daria em épocas subsequentes.


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Aos poucos as comunidades cristãs foram diferenciando a sua vida em relação às demais pessoas do Império Romano


A grande preocupação estava na unidade da Igreja. Para ser cristão era preciso, em primeiro lugar, a Profissão de Fé e a participação na vida litúrgico-sacramental da comunidade. Era necessária a unidade da comunidade com o bispo, da comunidade entre si e da comunidade com as outras Igrejas locais. A expressão mais visível desta unidade eram os Símbolos (Profissão de Fé), os concílios e as coletas que se faziam para auxiliar as comunidades mais necessitadas. Aos poucos surgiu a consciência do primado do bispo de Roma.

Como consequência da vida interna da Igreja, do apostolado e da evangelização, lá pelo ano 100 da Era Cristã, já existiam cerca de 50 comunidades cristãs, espalhadas pela Ásia, Oriente Médio, África e Europa. No ano 200, as comunidades seriam cerca de 100, concentradas especialmente nas cidades.

Escrito por
Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R. (Arquivo redentorista)
Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R

Redentorista da Província de São Paulo, graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma, já trabalha nessa área há muitos anos, tendo lecionado em diversos institutos. Atua na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da Província de São Paulo.

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