Por Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R Em História da Igreja Atualizada em 03 MAR 2020 - 14H33

A saúde pública no Brasil e o controle das epidemias

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No período colonial
uma das doenças que mais atingia a população era a varíola. O seu combate fez surgir, então, as poucas iniciativas na área de saúde pública. Um pouco mais adiante, a chegada da Família Real e da Corte Portuguesa ao Brasil, em 1808, propiciou mudanças nas instâncias sociopolíticas, econômicas e sanitárias do país. Várias doenças e epidemias passaram a receber um combate maior.

A cidade do Rio de Janeiro, sede do Império português, onde se localizava o principal porto do país, tornou-se, então, um centro de intervenções sanitárias. Justamente em 1808, foi criada a primeira instância voltada para a saúde pública no Brasil, a Provedoria-Mor de Saúde, responsável pela salubridade da corte e pela fiscalização dos navios que chegavam aos portos.

Pela relevância que o combate à varíola adquiriu, Dom João VI também criou a Junta Vacínica da Corte, no ano de 1811, sendo ela responsável pela vacinação que deu base aos processos de imunização atual, desenvolvidos por Edward Jenner, considerado o “pai” da imunologia. Talvez seja a vacina um dos maiores progressos de toda a humanidade.

Após a Independência, em 1822, os serviços de saúde no Brasil passaram a ser da competência das câmaras municipais, atendendo à proposta de descentralização do poder que, em conjunto com as iniciativas particulares, estimularam a criação de instituições locais para o controle, não só da varíola, que continuava sendo o grande mal desse tempo, como de outras doenças infecciosas, como o sarampo e até mesmo a caxumba, doenças felizmente hoje sob controle.

Combate às epidemias – Questão de saúde pública

Leia MaisAs epidemias nos tempos modernos Grandes Epidemias da História: Peste Negra dizimou população da EuropaAs grandes epidemias da história Em meados do século XIX, o crescimento das epidemias da varíola, febre amarela, tuberculose e outras levou o governo imperial a centralizar as poucas ações de saúde pública existentes no país na Junta de Higiene, criada em 1849. Mas, no conjunto, a saúde pública era precária e gozava de poucos meios para se combater as epidemias.

A febre amarela chegou ao Rio de Janeiro em 1849 e logo se tornou um problema complicado para as autoridades sanitárias, causando grandes estragos na população. A cidade do Rio de Janeiro, que sofria com um quadro sanitário caótico, caracterizado pela presença de diversas doenças graves como varíola, febre amarela e malária, passou por um processo de saneamento, comandado pelo médico sanitarista Oswaldo Cruz.

Em 1904, foi instituída a vacinação obrigatória contra a varíola para todo o território nacional. Esta obrigação gerou um forte protesto no Rio de Janeiro, que ficou conhecido como a “Revolta da Vacina”.

O médico Carlos Chagas, sucessor de Oswaldo Cruz, introduziu a propaganda e a educação sanitária como rotina de ação, reestruturando o Departamento Nacional de Saúde, que era então ligado ao Ministério da Justiça. Em seu tempo, foram criados diversos organismos de saúde, que se expandiram para fora do Rio de Janeiro e passaram a combater os principais males de seu tempo, como a tuberculose.

As ações e campanhas de combate às endemias deslocaram-se para o campo. Estas campanhas levaram à criação da SUCAM e, mais tarde, a Fundação Nacional de Saúde ou Funasa. Foi o tempo de começar o enfrentamento de outra doença que ainda hoje causa muitos estragos na saúde pública: a doença de Chagas, provocada pelo chamado bicho barbeiro.

Um pouco mais tarde, os problemas provocados pela Primeira Guerra Mundial e pelo efeito devastador da pandemia da Gripe Espanhola, de 1918, colaboraram para que a saúde pública passasse a ocupar lugar de destaque nos debates. Esse período foi marcado por um pensamento nacionalista, que passou a ver o abandono e as precárias condições de saúde das regiões interioranas entre as principais causas dos problemas da nação.

Em 1930 se deu a criação do Ministério da Educação e Saúde, por Getúlio Vargas. Mais tarde, em 1953, criou-se o Ministério da Saúde, para centralizar todas as ações de saúde num só organismo. Ainda assim, o Brasil continuou ao longo do século XX sendo vítima de diversos males e de diversas epidemias. Até mesmo o sarampo, que havia sido controlado, tem ameaçado voltar, sem falar da epidemia da dengue e outros males que afetam grande parte do nosso país.

A grande diferença é a forma de enfrentamento e a agilidade em combater as epidemias. Enquanto a China construiu um novo hospital para tratar os infectados pelo coronavírus em apenas 10 dias, no Brasil as iniciativas se arrastam e a saúde pública nunca foi verdadeiramente tratada como prioridade número 1.

Escrito por
Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R. (Arquivo redentorista)
Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R

Redentorista da Província de São Paulo, graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma, já trabalha nessa área há muitos anos, tendo lecionado em diversos institutos. Atua na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da Província de São Paulo.

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