As festas rurais sempre foram muito gostosas de a gente participar. As festas nas capelas de nossas paróquias espalhadas pelo interior tinham um sabor especial com as quermesses, as comidas, a cantoria, leilões e a participação de muita gente. Em muitos lugares essas tradições se mantêm, mesmo com o esvaziamento da zona rural devido à mecanização da agricultura e mudança das famílias para a cidade.
Em várias partes do Império Romano existiam as festas chamadas de “pagãs”, mas a palavra e o conceito tinham outro significado, diferente do que passou a se usar para designar as pessoas que não professavam a religião católica. Naquele tempo, os moradores dos distritos rurais eram chamados de “pagi”, ou seja, numa tradução livre, podem ser chamados de “moradores da zona rural”.
Na Roma antiga existia um festival dedicado não à cidade, mas às comunidades do interior, chamado de “Paganalia” ou “Feriae Paganicae”. Era uma celebração reservada aos habitantes dos pagi, os distritos rurais.
Assim como existia o “Septimontium”, que era um feriado ou uma grande festa dedicada para aqueles que viviam nas colinas de Roma, as “Paganalia” eram destinadas para aqueles que viviam fora das muralhas da antiga cidade. Era um festival bem "territorial", ligado ao trabalho agrícola e à vida no campo.
O conceito de “pagus” pode ter um duplo sentido, referindo-se tanto às águas e nascentes como também às pessoas que moravam entre as colinas e assentamentos elevados. De qualquer forma, não eram simples vilarejos; eram estruturas bem mais organizadas e até mesmo fortificadas, com funções administrativas, religiosas e defensivas.
Na maioria das vezes, as datas dos rituais variavam de lugar para lugar e não eram fixas, estando geralmente ligadas às coisas da terra e da natureza. O escritor antigo Ovídio falou de sacrifícios e de um ritual de purificação coletiva para definir a identidade e afastar as influências nocivas que poderiam cair sobre os campos e as plantações.
Outro escritor antigo, Dionísio de Halicarnasso, ao falar das reformas de Servius Tullius, descreve também a instituição dos pagi como um contraponto rústico às tarefas urbanas. Cada distrito tinha seus próprios magistrados responsáveis pelo censo, pela manutenção e pela realização dos ritos sagrados. Na maioria dos Paganália, porém, fazia-se uma celebração anual, na qual, em um altar especial, eram realizadas as homenagens aos deuses tutelares, da qual todos os chefes de família deviam participar.
Durante esse festival, que favorecia o encontro das pessoas que às vezes passavam o ano todo sem se encontrar, não apenas eram oferecidos sacrifícios, mas as pessoas eram contadas, a identidade da comunidade era reafirmada e o vínculo entre homens, território e divindade era renovado. Mais do que um simples festival agrícola, os Paganalia eram a face rural de um sistema religioso e administrativo amplamente difundido.
E, como toda boa festa rural, não podiam faltar as rezas, a música, os “causos” e muita comida boa!
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