Por Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R Em História da Igreja Atualizada em 21 SET 2017 - 09H41

História da Igreja na América Latina: A evolução da Teologia

PÁGINAS DE HISTÓRIA DA IGREJA AMÉRICA LATINA
Parte 25

Como se falava e como se ensinava as “coisas de Deus” 

Estamos quase concluindo a apresentação da História da Igreja na América Latina, no período conhecido como Cristandade Latino-Americana. Mais alguns poucos artigos e daremos início ao estudo de um novo período de nossa história. Por hoje nos toca estudar um pouquinho a evolução da Teologia em nosso continente, incluindo a maneira como as verdades cristãs eram apresentadas ao povo e como se deu o ensino da Teologia nos colégios e primeiras faculdades. 

História da Teologia na América Latina

A teologia enquanto processo de reflexão que fechava a estrutura da cristandade viveu três fases distintas no período colonial ou tempo da Cristandade Latino-Americana:

A)  Com as primeiras gerações de colonizadores e de evangelizadores veio a reflexão teológica que avaliava a conquista e evangelização das Américas (século XVI).

B)    Com a estabilização e aprofundamento do processo de colonização e com a criação das estruturas eclesiásticas como as dioceses e paróquias veio também a estabilização escolástica e acadêmica coma fundação das primeiras universidades (séculos XVI-XVIII).

C)    Mais tarde começam a surgir os primeiros sinais de uma teologia modernizante, influenciada pelo iluminismo e articulada com os interesses da burguesia europeia e criola. Este processo se afirma com a luta pela hegemonia e independência (século XVIII-XIX).

A Teologia diante da conquista e evangelização (desde 1511). Neste primeiro período formam-se duas correntes bastante antagônicas: Uma linha mais profética-libertadora vê com olhos críticos a conquista, sobretudo, por causa dos métodos mais brutais de exploração. Esta linha da teologia profética-libertadora nasceu da luta e do confronto com a dura realidade vivida nas colônias, combatendo o pecado sócio-político do momento da conquista, especialmente com a luta contra a escravidão. Era uma Teologia que visava a formação dos missionários e buscava iluminar os reis na elaboração das leis.

O exemplo da oposição dessas duas correntes se deu com a diferença entre o Frei Bartolomeu de Las Casas x Juan Ginés de Sepúlveda que chegava a justificar a escravidão natural do índio.

Primeira Universidade do Brasil
Nasceu em Salvador (BA) a primeira universidade do Brasil, graças à ação dos jesuítas. 

Teologia Acadêmica da Cristandade Colonial (1553-1808)

Com a fundação das universidades do México (1553) e Lima (1551) se deu a inauguração acadêmica com o ensino da Teologia na América Latina. Em pouco mais de 200 anos, até 1775, na faculdade do México, 1162 alunos já haviam alcançado o título de doutor.

Como havia acontecido na Europa, aqui também as faculdades giravam ao redor da Teologia e, a princípio, as Sagradas Escrituras, decretos e cânones, artes, leis, gramática, retórica e eloquência eram as principais matérias ensinadas. 

A Universidade Nacional Maior de São Marcos, criada no dia 12 de maio de 1551, em Lima, Peru, é uma das mais antigas do mundo, e nunca parou de funcionar desde a sua criação. O curso mais antigo é o de Teologia, concebido para formar os clérigos da região. O escritor Mario Vagas Llosa é um dos nomes mais conhecidos que estudaram nesta universidade. 

A partir de 1622 diversos colégios transformaram-se centros universitários. Em Lima os cursos começavam na segunda quinzena de outubro e terminavam em fins de julho, com aulas de manhã e à tarde. Aos sábados aconteciam as defesas de teses, exames e as disputas.

Na Filosofia reinava soberano Aristóteles e na Teologia predominavam os escritos e a obras de São Tomás de Aquino, naquilo que é chamado de Segunda Escolástica.

As maiores bibliotecas (dos Jesuítas) chegavam a alcançar até 20 mil volumes com a maioria das obras cientificas e literárias generalizadas na Europa.

Como também acontecia nos outros campos do ser e do agir eclesiástico, também o ensino da Teologia sofre algumas críticas. O primeiro argumento contrário é a falta de originalidade, com a ausência quase que total de inovações, reduzindo-se à cópia da Teologia Escolástica.

Outra crítica se faz em relação ao elemento ideológico da Teologia que servia de justificação e sustento do regime colonial e até mesmo de seus vícios e erros.

Nem Espanha e nem Portugal tinham grande interesse de incentivar os estudos universitários, daí se explica também a falta de recursos e de inventividade no campo teológico. Na parte da Espanha havia a influência das universidades de Alcalá e Salamanca. Por parte de Portugal havia a forte influência das Universidades de Coimbra e Évora. 

Em relação aos espanhóis, os portugueses tomaram atitudes diferentes no que se refere à implantação das universidades no Brasil e em terras colonizadas por eles. Entre nós, foi lento o avanço das universidades, desde o período da Colônia até a Primeira República. Na ordem política-religiosa, a preocupação maior era a de estabelecer um ensino que atendesse aos interesses da elite colonial portuguesa, filhos de portugueses nascidos no Brasil. 


Universidade de São Marcos em Lima
A Universidade São Marcos de Lima é a pioneira das Américas.

Nomes de projeção

Foto de: reprodução. 

Bartolomeu de Las Casas

Entre os expoentes da Teologia colonial
desponta o Frei dominicano
Bartolomeu de Las Casas.

Na primeira fase da história brasileira o destaque fica com o Pe. Antônio Vieira (1608-1615). Na América Espanhola destacam-se Antônio Rúbio (1548-1615), Pedro de La Penã, OP (+1583), Bartolomé de Ledesna, OP (+1604), Pedro de Ortigosa, SJ (+1626), Juan de Ledesna (+1636), Esteban de Salazar, OSA. 

Fases da História da Teologia – Visão complexiva

Teologia na época da cristandade colonial (1492-1808)

- Teologia Indígena.
- Teologia Profético-Libertadora.
- Escolástica Colonial.
- O Barroco - Transição e Ecletismo (século XVII).
- O Iluminismo Americano (século XVIII).
- Preparação do movimento de independência. 

Teologia na época da Neocristandade (1808-1960)

- Teologia durante a independência e formação das novas repúblicas (1808-1880). Momento de crise da cristandade colonial.
- A teologia no período Liberal-Oligárquico (1880-1930) - Neocristandade conservadora.
- Teologia durante o período Populista-Desenvolvimentista (1930-1960) – Neocristandade reformista.

Rumo a uma Teologia Latino-Americana de Libertação (1960)

- Período de Nascimento (1960-1988)
- Período da primeira sistematização (1968-1976).
- Período de Expansão (1976-1984)
- Período de amadurecimento e discernimento (a partir de 1984)


Escrito por
Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R. (Arquivo redentorista)
Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R

Redentorista da Província de São Paulo, graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma, já trabalha nessa área há muitos anos, tendo lecionado em diversos institutos. Atua na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da Província de São Paulo.

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