Por Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R Em História da Igreja Atualizada em 21 SET 2017 - 09H58

Igreja na América Latina: a organização das terras conquistadas

PÁGINAS DE HISTÓRIA DA IGREJA NA AMÉRICA LATINA
Parte 12
 

A organização das terras conquistadas 

Apesar dos estudos históricos mostrarem que outros povos podem ter chegado ao nosso continente antes dos portugueses e espanhóis, estes aqui chegaram em fins do século XV e início do século XVI. Era uma extensão imensa de terras que precisava ser colonizada e organizada e, depois de um período de incertezas o processo de colonização começou pra valer. No Brasil, a partir de 1532 começou a ser implantado o sistema conhecido como Capitanias Hereditárias. Nas terras dominadas pela Espanha seria implantando o sistema de Vice-Reinos.

As terras pertencentes à Espanha iam da atual Patagônia (Argentina) até o México, penetrando também na Florida e sudoeste dos EUA (Califórnia, Arizona, Novo México...). Os principais portos de entrada eram o de Vera Cruz (México), Porto Belo (Panamá) e Cartagena (Colômbia). 

Estratégias de colonização:

Os espanhóis para se fazerem donos das terras conquistadas trataram logo de cuidar da fundação de cidades, das quais as mais antigas e importantes eram a do México, Lima (1535) e Quito (1533). Junto a isso partiu-se para a exploração intensa das riquezas minerais como a prata de Potosi, na Bolívia.

Deu-se também início à organização do sistema de Vice-Reinos, dos quais os primeiros foram os da Nova Espanha (México), Nova Granada (Colômbia) e Nova Castela (Peru). Todos os nomes se referiam aos reinos existentes na Espanha. Junto com os Vice-Reinos organizou-se também algumas regiões como a de Nova Toledo (Chile) e La Plata. Estas eram de menor importância que os Vice-Reinos. Cada Vice-Reino, por sua vez, eram formados por capitanias e audiências e estas por governadorias.

Paralelo a isso tratou-se logo de organizar a imigração para garantir a posse das terras conquistadas. Em 1574 a população espanhola na América era calculada em 152 mil pessoas e no século XVIII já eram 10 milhões.

Vice-Reinos
A organização dos Vice-Reinos foi a forma prática encontrada para manter a dominação das amplas terras conquistadas.
 

O Mundo Americano

População. É preciso dizer que em relação à população indígena aqui existente há um exagero no número, pois tudo se conta aos milhões. O cálculo moderno indica duas possibilidades: a maximalista fala de 100 milhões de indígenas, a minimalista fala de 08 milhões. A tendência intermediária, mais exata e plausível fala que nas terras conquistadas pelos espanhóis existiram entre 13 e 40 milhões de indígenas.

 

"A que se deve a superioridade do branco europeu sobre a população autóctone das américas?"

Motivos da extinção dos indígenas. Há uma pergunta sempre repetida quando se trata de estudar o processo de conquista e exploração aqui implantado seja pelos portugueses com pelos espanhóis: A que se deve a superioridade do branco europeu sobre a população autóctone das américas?

Basicamente a superioridade dos europeus se deve às armas de fogo, às doenças transmitidas pelos brancos que provocaram a morte de muita gente e ao aproveitamento da rivalidade e das lutas internas entre tribos e povos inimigos.

Impressão dos europeus sobre os índios. As primeiras impressões são positivas e aos poucos vão surgindo algumas hipóteses sobre sua origem. Aos poucos surgem opiniões e atitudes pessimistas e negativas sobre os indígenas. Fala-se de sua ociosidade e de outros males como a mentira, sodomia, canibalismo, bebedeira. Tudo isso será utilizado como justificativa para os maus tratos e submissão.

Essas opiniões levadas para a metrópole e grandemente aumentadas pelos interesseiros gera o pasmo e a repugnância dos espanhóis, sobretudo, diante das diversas formas de culto aqui praticados. A conclusão que surge é a de que a idolatria precisa ser extirpada. Da justificativa vem os métodos cruéis usados na exploração e submissão dos povos indígenas.

Resultado final. Hoje o número de indígenas é extremamente baixo, ainda que exista o aspecto da miscigenação.

É bom lembrar a existência de múltiplas hipóteses sobre a população e o povoamento na pré-história.

Foto de: reprodução. 

Trabalho Compulsório nas Américas

As opiniões equivocadas sobre os indígenas
tentavam justificar a sua submissão. 

Colonização – Evangelização

Num processo que pode ser considerado rápido e abrangente, respeitando-se as condições de transporte e comunicação daquele tempo os espanhóis conquistaram o que hoje é chamado de América, onde existem os diversos países de língua hispânica. Tratava-se agora de ocupar, colonizar e catequizar as populações descobertas.

Os livros de história afirmam que o anúncio da fé coincidia com uma ação colonialista. Mas, até em que ponto houve cumplicidade da Igreja?

Com relação a esta pergunta existem duas posições: A otimista fala que na coroa espanhola e em sua ação se manteve genuinamente a intenção evangelizadora. A pessimista afirma que se idealizou o evangelho e a Igreja se deixou ser instrumentalizada. Mas o certo é que havia duas intenções. A primeira era de evangelizar, o que por si só é correto e legítimo. A segunda era a de colonizar e isso foi o que ocasionou a opressão.

Papel da Igreja. Não existe uma lei geral de evangelização quimicamente pura. Todos os agentes podiam estar conscientes de ser ou não instrumentalizados em maior ou menor proporção. Houve níveis diferentes de reflexão e de ação na evangelização e estes afetaram a consciência espanhola e europeia. Por isso mesmo, deve-se analisar as mediações concretas com os pressupostos da época.

Quadro de mediações concretas

Quem evangelizou. Foram as ordens religiosas, os grandes bispos, os missionários, a coroa e os bons espanhóis.

Obstáculos da evangelização. Os conquistadores, os encomenderos e os maus eclesiásticos.

Quem veio ao novo mundo e qual era a política da coroa. A imigração era regulada pela Casa de Contratação e havia critérios rígidos no controle de quem vinha para as Américas. De todos os que vieram para as terras conquistadas, 90% são provenientes da Andaluzia. É preciso olhar ainda a composição social e as motivações da imigração

Foto de: reprodução. 

América espanhola - classes sociais

A organização da sociedade implantada nas Américas
era rigidamente organizada em classes.

Significado da descoberta do Novo Mundo para a história

As primeiras experiências e impressões, tanto para o espanhol comum, como para as autoridades geraram forte decepção por não se encontrar ouro ou outros metais preciosos imediatamente. Ao lado disso, surgiram as opiniões conflitivas sobre os índios que vão justificar o abuso, a exploração e a violência dos conquistadores.

Significados da “conquista”. Os espanhóis que chegam, trazem a ideia de “reconquista”, com o mesmo espírito que lutavam no Espanha para expulsar o invasor muçulmano. Havia, da parte da maioria, uma mentalidade agressiva: Era preciso dominar, tornar vassalos os que forem submetidos.

A conquista foi feita sob um forte centralismo administrativo e as maiores vantagens iam para a coroa.

 

Padre Inácio Medeiros, C.Ss.R. 
Mestre em História da Igreja  
pela Universidade Gregoriana 

Escreve série sobre a 
História da Igreja no Brasil 
para o A12.com

 

Escrito por
Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R. (Arquivo redentorista)
Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R

Redentorista da Província de São Paulo, graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma, já trabalha nessa área há muitos anos, tendo lecionado em diversos institutos. Atua na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da Província de São Paulo.

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