Por Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R Em História da Igreja Atualizada em 12 MAR 2020 - 09H37

O renascimento e a arte de Rafael Sanzio

Para falar de Rafael, precisamos entender o que foi o chamado Renascimento e como ele se desenvolveu.

Da Idade Média aos fulgores do renascimento

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A Idade Média havia sido uma época na qual as obras literárias e artísticas do passado não mais estavam disponíveis e acessíveis ao povo. Por causa da invasão dos
povos germânicos e de outros povos que sitiaram a Europa por vários séculos, as obras de arte ficaram escondidas por longo tempo nos mosteiros, em suas bibliotecas, nas grandes catedrais e uma parte delas nos castelos medievais.

Passado o período das invasões, a Europa começou a ter contato com esse enorme acervo, do qual boa parte viera do Império Bizantino ou foi conquistado aos muçulmanos no tempo das Cruzadas. Isso acelerou o processo de renovação política, econômica e cultural que estava se iniciando, dando origem ao movimento conhecido como Renascimento.

O apogeu do Renascimento se daria no século XII. As fontes de pesquisa abundantes como nunca promoveriam uma renovação sem precedentes nos estudos jurídicos, religiosos, filosóficos e científicos e também no campo das artes.

O movimento de expansão europeia possibilitou o contato com os muçulmanos, no Oriente Médio, no norte da África e na Península Ibérica dando aos estudiosos do Ocidente o conhecimento das obras clássicas que não existiam na Europa Ocidental. Isso favoreceu os artistas e pensadores que buscaram sua fonte de inspiração na cultura greco-romana. Daí vem o nome de Renascimento, uma vez que a cultura clássica passou a ser a inspiradora de todo o movimento de retomada artística e cultural.

No Renascimento os estudiosos e artistas passam a ser financiados pelos ricos banqueiros das cidades italianas como Florença, pelos comerciantes e nobres do norte e do centro da Itália. Da Itália, o movimento se expandiria por outros países. Esses financiadores da arte passaram a ser chamados de Mecenas, mas o interesse não era simplesmente artístico, pois havia a clara intenção política de usar a influência e carisma que o mecenato proporcionava para manter o seu poder e influência.

Papel da Igreja no renascimento

Ao longo da Idade Média, os papas interferiram na política europeia de maneira cada vez mais forte. A influência política e cultural do Papa, por exemplo, atingiu o auge com as Cruzadas, culminando com a célebre Questão das Investiduras, no século XI, quando o papado assumiu um grande poder político. Serão os papas os grandes incentivadores da arte em todas as suas expressões durante o período do renascimento.

Isso explica o fato de ter sido a Basílica de São Pedro o grande projeto artístico do Renascimento. Sua obra foi iniciada em 1506, construída no mesmo lugar da Basílica de Constantino, que precisou ser demolida. A Basílica de São Pedro foi uma das maiores construções planejadas do início da era moderna, tendo quatro arquitetos diferentes, demorando mais de cem anos para ficar completamente pronta. Ela foi erguida sobre o túmulo de São Pedro, apóstolo de Jesus Cristo e primeiro papa da cristandade.

Michelangelo, Rafael e outros nomes de destaque do período estiveram a serviço dos papas e, por isso, a Igreja conserva ainda hoje grandes obras artísticas deste período, como a Pietá, de Michelangelo, que está na Basílica de São Pedro.

Auge do renascimento

Depois dos muitos ensaios e movimentos realizados a partir do final da Idade Média, num processo que foi se intensificando até o século XV, o Século XVI marca o auge do renascimento. Neste período é que agirão, entre tantos outros, os três grandes mestres renascentistas: Michelangelo, Rafael e Leonardo da Vinci.

Eles se dedicaram às mais diversas atividades: Rafael, além de pintor foi também arquiteto; Michelangelo, por sua vez, foi escultor, arquiteto, poeta e engenheiro e, por fim, Leonardo da Vinci foi matemático, inventor, músico, engenheiro, botânico, escultor, arquiteto e escritor.

Esses três grandes artistas estavam em plena atividade: A Última Ceia, de Da Vinci, o teto da Capela Sistina, de Michelangelo, e a Escola de Atenas, de Rafael, são obras deste período em que a arte atinge seu esplendor indo da pintura até a ciência política.

A arte de Rafael Sanzio

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Além de sua ação no tempo do renascimento, Rafael marca uma forte influência em grandes pintores do século XX, como Salvador Dalí.

Ele nasceu em Urbine, Itália, no dia 6 de abril e morreu no mesmo dia 37 anos depois, devido à uma insuficiência cardíaca. Aprendeu as primeiras lições de desenho e pintura com seu pai que era o encarregado de um ateliê próspero, dedicado à criação de obras para a aristocracia romana. Seu pai, porém, morreu quando ele tinha apenas 11 anos.

Antes mesmo da morte do pai, Rafael já havia ingressado no ateliê do célebre pintor Perugino, que foi seu grande professor. Ali ele trabalhou em obras importantes, quando era um adolescente com 14 anos.

A primeira obra-prima assinada por Rafael foi “O Casamento da Virgem”, composta em 1504, para as igrejas de Cittá di Castello. Nesse mesmo ano, se mudou para Florença, entrando em contato com grandes mestres da arte como Leonardo da Vinci e Michelangelo.

Em 1508, Rafael foi chamado a Roma pelo Papa Júlio II, iniciando o período mais intenso e frutífero de sua vida, na produção de afrescos e outras obras das salas do Vaticano.

Em 1514, após a morte de Michelangelo, ele foi nomeado arquiteto-chefe da fábrica de São Pedro, se tornando o responsável pelo projeto que modificou o plano da basílica de São Pedro do formato de uma cruz grega para uma cruz latina

A última comissão papal importante foi a produção de uma série de 10 tapeçarias, das quais sete resistiram, representando cenas da vida de São Paulo e São Pedro, feitas para a Capela Sistina onde agora estão novamente expostas.

Rafael morreu no mesmo dia em que nasceu, 6 de abril. Seu sepultamento foi seguido por uma grande multidão. Coube a ele a honra de ser sepultado no panteão de Roma, honraria reservada somente aos heróis da pátria.

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O desenvolvimento renascentista não foi homogêneo em todas as regiões, variando de um lugar para o outro, de um país para outro, uma vez que começava também o tempo de afirmação dos Estados Nacionais Modernos.

O maior esplendor artístico e cultural aconteceu na Itália, em especial na cidade de Florença, mas também na região de Flandres, na Holanda, Inglaterra e na Alemanha. De modo geral, nas localidades onde o comércio mais prosperou é surgiu uma burguesia rica, disposta a financiar a produção artística e intelectual da época, competindo e fazendo páreo com a Igreja.

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O Renascimento ocasionou a
renovação dos mais variados campos do conhecimento, produzindo artistas, pensadores, cientistas e literatos do porte de um Cervantes ou Shakespeare, cujos trabalhos influenciaram toda a produção intelectual dos séculos posteriores.

No período do Renascimento (séculos XV e XVI), o mundo assistiu a profundas transformações no campo da política, da economia, das artes e das ciências. Esse sistema artístico retomou valores da cultura clássica (representada pelos autores gregos e latinos), como a autonomia de pensamento e o uso individual da razão, em oposição aos valores medievais, como o domínio da fé e a autoridade da Igreja.

A diversificação cultural fundada no humanismo, no antropocentrismo e no individualismo fornecerão vários elementos que propiciarão as mudanças que viriam nos séculos seguintes.

Escrito por
Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R. (Arquivo redentorista)
Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R

Redentorista da Província de São Paulo, graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma, já trabalha nessa área há muitos anos, tendo lecionado em diversos institutos. Atua na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da Província de São Paulo.

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