Por Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R Em História da Igreja Atualizada em 05 OUT 2018 - 09H12

Viagens Missionárias de São Paulo Apóstolo

PÁGINAS DE HISTÓRIA DA IGREJA

HISTÓRIA ANTIGA 05

O termo grego apóstolo significa 'enviado' ou 'representante'. Supõe que o enviado tenha os mesmos pensamentos e sentimentos daquele que o enviou e comunique fielmente sua mensagem. Isso se aplica bem a Paulo e Barnabé, os primeiros a receberem o envio missionário a partir da comunidade de Antioquia, na Síria. Dali eles partem em missão.

Missão recebida, missão cumprida

Para bem desempenhar a missão recebida, levando o Evangelho e a fé cristã aos gentios, Paulo usou para isso o método das Viagens Missionárias, realizando ao menos quatro, num ritmo bastante acelerado, se levarmos em consideração as condições de transporte e viagens da época. Mas ele demonstrava-se incansável por causa do Evangelho.

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Primeira Viagem (Anos 46-48; narrativa em At 13-14)

Característica: Abertura aos Pagãos.

Saulo e Barnabé partem de Antioquia, na Síria, passam pela Ilha de Chipre e, em Salamina, anunciam Jesus na sinagoga; depois atravessa a ilha a pé, evangelizando. Em Pafos. ele adota o nome romano Paulo, anunciando o Evangelho ao procônsul romano e causa cegueira ao mago Barjesus. Segue por mar para a Ásia Menor, Panfília e Perge. Marcos regressa da missão e Paulo fica irritado.

A Ásia Menor é atravessada pela Via Imperial Augusta ou Sebaste, que vai do porto marítimo de Éfeso até o porto fluvial de Tarso. Na região da Psídia, visita a cidade de Antioquia da Psídia, após andar 260 kms a pé, pela Via Augusta. Atravessando os montes Taurus, repletos de salteadores, chegam à cidade, onde evangelizam na sinagoga, mas Paulo é perseguido pelos Judeus e se volta para os gentios.

Na Licaônia, evangeliza Icônio, continuando a viagem pela Via Augusta em mais 140 km. Evangeliza na sinagoga e é perseguido pelos judeus. A população tenta linchá-lo e ele foge para Listra. Lá, depois de outros 40 km da Via Augusta, cura um paralítico e não entende o dialeto local.

Leia MaisA Era Apostólica da Igreja PrimitivaAs Primeiras comunidades e a formação da IgrejaCristianismo - Da Pregação de Jesus até ConstantinoO povo também não entende o grego. É venerado como o deus Mercúrio. Chegam os de Icônio e convencem a população a apedrejá-lo. É arrastado para fora da cidade como morto. Volta a entrar na cidade e parte no dia seguinte. Em Derbe, evangeliza sem perseguição.

Regressando da primeira viagem, Paulo e Barnabé passam por todas as cidades evangelizadas, “ordenando anciãos” nas comunidades. Tomam um navio no porto de Atália e regressam a Antioquia da Síria, onde relatam a missão para a comunidade.

Concílio de Jerusalém (Narrativa em At, 15). Os judaizantes de Jerusalém vão a Antioquia da Síria e defendem a circuncisão dos gentios. A comunidade envia Paulo e Barnabé a resolverem a questão com os apóstolos. Em Jerusalém, narram tudo o que fizeram entre os pagãos. Os apóstolos concordam que os pagãos não precisam converter-se ao judaísmo antes de serem cristãos. Reenviam os dois a Antioquia da Síria acompanhados por Silas, trazendo uma carta para a comunidade.

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Segunda Viagem (Anos 49-52; narrativa em At 15,36-18,23)

Característica: Entrada do Evangelho na Europa

Paulo decide visitar as comunidades fundadas na primeira viagem, mas desentende-se com Barnabé e convida Silas (Silvano) a acompanha-lo. Visitam as regiões da Síria e da Silícia e voltam às comunidades de Derbe e Listra. Em Icônio, encontram Timóteo. Passam por Antioquia da Psídia e por Trôade. Atravessam o mar Egeu e entram na Europa.

O norte da Macedônia é cortado pela Via Ignátia, que vem de Roma e acaba no mar Negro, após a cidade de Filipos. Em Filipos, fundam a comunidade na casa de Lídia. Paulo exorciza uma escrava e é açoitado e preso. Durante a noite, a prisão se abre e Paulo e Silas são libertados. Ao saber que são cidadãos romanos, as autoridades se apavoram e pedem que deixem a cidade. Seguem viagem e passam por Anfípoles e Apolônia. Na Tessalônica, Paulo evangeliza na sinagoga e muitos creem, mas é perseguido e sai da cidade. Na Beréia, prega e é bem recebido pelos gregos, mas logo chegam os judeus de Tessalônica e ele parte para Atenas. Na região da Acaia, visita Atenas, sendo convidado a falar no Areópago, onde prega o kerigma cristão para os filósofos e é mal recebido.

Em Corinto, chegando à cidade, vindo de Atenas, conhece Priscila e Áquila, que são judeus tendeiros. Habita com eles durante um ano. Os judeus o acusam ao procônsul Galeão, mas não são atendidos. De regresso da segunda viagem, sai de Corinto e segue pelo mar Egeu até Éfeso. Prossegue pelo Mediterrâneo para Cesaréia e de lá, para Antioquia da Síria.

Terceira Viagem (Anos 49-52; narrativa At 15,36-18,23)

Característica: “Os habitantes da Ásia, judeus e gregos puderam ouvir a Palavra do Senhor.” (At 19,10b)

Paulo parte mais uma vez de Antioquia da Síria e o retorno é pela Cesáreia e Jerusalém.

Está acompanhado de Silas, começando a viagem por terra, visitando as comunidades da Galácia e da Frígia. Na Jônia chega a Éfeso. Na comunidade já existente, Paulo encontra Apolo, judeu convertido. Impõe as mãos e invoca o Espírito Santo sobre os irmãos. Permanece por dois anos evangelizando na escola de Tirano. Manda queimar os livros de magia e é acusado pelos ourives da deusa Artêmis.

Na Macedônia, volta a visitar Filipos, Tessalônica e Beréia. Na Acaia passa três meses, certamente em Corinto. Depois da Macedônia, volta e fica um tempo em Filipos, de onde começa o regresso da terceira viagem.

Regresso da terceira viagem: Parte de Filipos pelo mar Egeu, para a Frígia. Lá visita Trôade, onde preside a fração do pão com a comunidade e faz uma longa homilia noite a dentro. Reanima o jovem que havia caído da janela. Na região da Panfília, visita Mileto. Ali reúne os líderes das comunidades e se despede. Segue pelo Mediterrâneo para o porto de Tiro.

Em Tiro, permanece por sete dias com a comunidade, depois continua viagem por terra, rumo a Jerusalém. Na Tolemaida, passa e descansa por um dia na comunidade. Na Palestina, chega em Cesaréia e visita os irmãos. Todos recomendam que não vá a Jerusalém. Decide ir, porque está pronto a morrer por Jesus Cristo.

Fim da terceira viagem: chegada a Jerusalém e permanência em Jerusalém e na prisão de Cesaréia (cap.21-26). Em Jerusalém, ao chegar, procura os apóstolos. Entra no templo, sendo perseguido e preso. Fala ao povo e conta sua conversão. Os judeus começam a linchá-lo. É recolhido pelos soldados e levado para a fortaleza. Os romanos o apresentam ao Sinédrio para ser julgado. Mas nada se conclui. É enviado a Cesaréia, com escolta, por ser cidadão romano. É julgado pelo procurador Félix. Permanece na fortaleza, com permissão para receber os amigos. É novamente julgado pelo procurador Festo, diante do rei Agripa. Para livrar-se das acusações dos judeus, apela a César.

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Em Éfeso, Paulo conheceu o templo de Artemis

Quarta Viagem (Anos 52-62; At 15-28,23)

Característica: o testemunho de Paulo chega até os confins do mundo.

É preso sob a guarda do centurião Júlio. Embarca por mar e o navio costeia a Palestina. Ao aportar no porto de Sidom, tem permissão de visitar a comunidade. Volta ao navio e a viagem segue rumo a Chipre. Lá, embarca no navio Alexandrino que vai para a Itália. Passa pela ilha de Creta. Segue para a Itália e o navio naufraga na tempestade, perto da ilha de Malta. Passa o inverno em Malta.

Na primavera, embarca no navio Dióscoro. Chega ao porto de Possuoli, na cidade de Óstia, na Itália. Vai a pé para Roma. Aluga uma casa, onde habita e recebe judeus e gentios até ser julgado e condenado e receber o martírio, entre os anos de 64 e 67.

Escrito por
Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R. (Arquivo redentorista)
Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R

Redentorista da Província de São Paulo, graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma, já trabalha nessa área há muitos anos, tendo lecionado em diversos institutos. Atua na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da Província de São Paulo.

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