Certa vez, um mestre e seu discípulo retornavam à cabana, seguindo uma longa estrada. Ao passarem perto de uma moita de samambaia, ouviram gemidos. Verificaram e descobriram caído um homem.
Estava pálido e com uma grande mancha de sangue no corpo, próxima do coração. O homem tinha sido ferido e jogado ali, inconsciente.
Com muita dificuldade, mestre e discípulo carregaram o homem para a cabana, onde trataram dos ferimentos e providenciaram condução para levá-lo ao hospital.
O homem contou que havia sido assaltado e que, ao reagir, fora ferido com uma faca. Disse que conhecia seu agressor e que não descansaria enquanto não se vingasse.
Ao receber alta, voltou-se para o mestre e disse:
- Muito lhe agradeço ter salvo minha vida. Tenho de partir e levo comigo a gratidão por sua bondade. Vou ao encontro daquele que me atacou e vou fazer com que ele sinta a mesma dor que senti.
O mestre olhou fixamente para ele e disse:
- Vá e faça o que deseja. Entretanto, devo informar-lhe de que você me deve três mil moedas de ouro, como pagamento pelo socorro que lhe prestamos.
O homem ficou assustado e disse:
- Senhor, é muito dinheiro! Sou um trabalhador e não tenho como lhe pagar esse valor!
- Se você não pode me pagar pelo bem que recebeu, disse o mestre, com que direito quer cobrar o mal que lhe fizeram?
O homem ficou confuso, e o mestre concluiu:
- Antes de cobrar alguma coisa, procure saber quanto você deve. Não faça cobrança pelas coisas ruins que lhe acontecem, pois a vida pode cobrar de você tudo que você lhe deve. E com certeza você não vai ter condições de pagar.
“Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5,7).
O vento que às vezes tira algo que amamos é o mesmo que nos traz algo que apreciamos. Por isso, não devemos chorar pelas perdas, e sim amar o que nos é dado todos os dias.
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