Havia, certa vez, um monge que, após vários anos de vida no mosteiro, conseguiu muitas vitórias. Orava e meditava horas inteiras, as mãos tornaram-se calejadas devido ao trabalho rude no campo, as paixões iam amortecendo pouco a pouco...
Somente um defeito resistia a todos os esforços: seu gênio irascível. Por um nada ele se enraivecia. Se um confrade, ao colher espigas no campo, deixava uma para trás, ele já se irritava. Se, na capela, alguém desafinava ao cantar, dava-lhe uma cotovelada.
Um dia, em conversa com seu superior, disse que não suportava o jeito dos colegas. Eles o irritavam demais. Preferia morar sozinho. Como experiência, foi-lhe permitido viver no deserto.
Fez lá sua cabana e sentiu-se feliz. Pelo menos na primeira noite. No dia seguinte, ao buscar água na cisterna, o balde virou, derramando toda a água. “Paciência”, disse consigo. Tirou nova água e foi caminhando para a cabana.
Ao abaixar-se na porta, o balde virou-se de novo. “Maldito”, exclamou impaciente. Voltou ao poço, encheu o balde pela terceira vez e enfrentou o caminho de volta. Já nervoso como estava, tropeçou e caiu com balde e tudo, enquanto a língua despejava uma enxurrada de palavrões.
Passou o dia rezando e refletindo. À noite, concluiu: Agora eu sei onde está o defeito. Não é nos meus confrades do mosteiro, mas em mim. Eu é que devo mudar de gênio. O inimigo está dentro de mim, não nos outros. Vou voltar para o mosteiro e começar tudo de novo.
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