Certa vez, o sr. Antônio entrou na igreja para rezar. Seus olhos pousaram sobre uma velha coruja que estava empoleirada dentro de uma fresta da parede. No dia seguinte, na mesma hora, a ave ainda estava lá. No terceiro dia a mesma coisa. Antônio aproximou-se para observar e viu que ela era cega.
Ah, agora entendo, pensou ele, por que esta pobre ave não abandona este buraco escuro e não se mexe. É cega! Sabe lá como faz para se alimentar.
Nisso chegou um falcão e pousou perto da velha coruja. Trazia no bico uma pequena cobra. Começou a despedaçá-la e dar as partes à coruja.
Foi sentar-se na porta da igreja. Esperava que as pessoas que passavam deixassem cair esmolas em sua mão estendida.
Um de seus amigos o reconheceu e perguntou: “Oh, sr. Antônio! O que foi que lhe aconteceu?” Como resposta, o sapateiro contou a história e concluiu: “Não seria aquilo uma chamada do céu, um sinal da vontade de Deus?”
Mas o amigo lhe disse: “Tenho certeza de que você não entendeu o que Deus lhe quis dizer. Se ele fez você presenciar a cena, não o fez para você aprendeu a ser como a coruja, mas como a falcão que se coloca a serviço de um ser necessitado. Diante de Deus, realmente somos como aquela coruja, ele cuida de nós. Mas diante do próximo devemos ser como o falcão”.
Deus nos chama de várias formas, basta estarmos atentos à sua maneira de tocar o nosso coração. Mas precisamos estar embebidos do seu amor.
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