Por Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R (in memoriam) Em Histórias de Vida

O imitador de animais

Havia, certa vez, numa pequena cidade, um rapaz que imitava animais. Qualquer bicho que pedissem para ele imitar, ele o fazia com perfeição: Porco, cachorro, gato, cabrito, cavalo... Passarinhos então... Enganava até os próprios passarinhos.

 

Um dia, apareceu na cidade um homem desconhecido, que se dizia também imitador de animais. E desafiou o jovem a uma aposta, para ver quem imitava melhor.

 

O rapaz topou. O valor da aposta era alto. Combinaram a data e o local: O auditório da cidade. O animal a ser imitado era um porquinho, um leitão.

 

A notícia espalhou-se e, na noite marcada, o auditório ficou repleto. Todos os habitantes estavam certos de que o rapaz ia ganhar a aposta.

 

O primeiro a se apresentar foi o rapaz da cidade. Imitou tão bem um leitão, que toda a plateia o aplaudiu longamente, gritando em coro: "Já ganhou, já ganhou..."

 

Em seguida, foi a vez do forasteiro. Ele usava um capote. Logo de início, quando a assembleia ouviu o som, já o vaiou em coro: “Já perdeu, já perdeu...”

 

No final, sabe o que ele fez? Abriu o seu capote, pegou o leitão e mostrou para todos. Não era ele que estava produzindo os sons, e sim o próprio animal!

 

Como que os nossos julgamentos são subjetivos, viciados, preconceituosos e influenciados pelos nossos afetos ou desafetos!

 

Foi por isso que os fariseus e os mestres da Lei do tempo de Jesus ficaram cegos e surdos, e não viram nem ouviram os sinais que Deus lhes mandava, através do seu Filho.

 

“Esta geração é uma geração perversa. Busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas” (Lc 11,29; Cf livro de Jonas). Depois que Jonas foi engolido pela baleia, e reapareceu vivo, o povo de Nínive ficou assustado com o prodígio e se converteu. Os judeus não precisavam esperar Jesus morrer e ressuscitar, para acreditar nele. A ressurreição de Jesus foi um duplo sinal: Da sua divindade e da incredulidade radical daqueles que o mataram, que resultou no maior crime da História.

 

Que Maria Santíssima nos ajude a ser abertos a Deus, a fim de não precisarmos do “sinal de Jonas”, isto é, de só acordarmos depois que cometermos um horrível pecado.

Escrito por:
Padre Antônio Queiróz dos Santos (Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R)
Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R (in memoriam)

Missionário redentorista, recolheu ao longo de seu ministério centenas de histórias que falam de forma simples e popular da fé e das realidades do povo de Deus.

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