Por Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R Em Histórias de Vida

Quem matou Pat Hudson?

Em uma luta de boxe, um dos lutadores, o Pat Hudson, morreu. Alguém da multidão gritou:

- Quem matou Pat Hudson?

O árbitro disse:

- Eu não, com certeza. Não apontem para mim. É claro que eu poderia ter interrompido a luta no oitavo round, e o Pat não teria morrido. Mas o público ia protestar. Eles vieram ver uma boa luta, e acabariam por dizer que eu os enganei.

A multidão gritou:

- Não somos os culpados. Viemos para assistir à luta. É uma vergonha que um boxeador bom como o Pat tenha morrido. Foi uma grande perda para o mundo dos esportes.

O empresário de Pat Hudson disse:

- É extremamente doloroso para mim falar da morte de Pat. Sua esposa e filhos sofrem uma perda terrível. Mas tenho a consciência limpa. Ninguém pode me responsabilizar pelo que aconteceu.

Os homens das cadeiras dos aposentados e idosos disseram:

- A morte de Pat nada tem a ver conosco. Não estávamos gritando e berrando junto com a plateia, e nem o conhecíamos. É uma pena que ele tenha morrido, mas não é culpa nossa.

O jornalista disse:

- Não olhem para mim. Sou completamente inocente. Estava apenas fazendo a cobertura da luta, o que é o meu trabalho profissional.

O boxeador que o nocauteara disse:

- Não matei Pat. Não sou assassino. Sou um ser humano respeitável e um bom desportista. É verdade que o atingi, mas fiz tudo de acordo com as regras do jogo.

Mais uma vez ouviu-se uma voz vinda da multidão:

- Quem matou Pat Hudson?

Somos parte da sociedade injusta que governa nosso mundo. Injusta e anônima. Todos lavam as mãos como Pilatos. Tentamos fechar os olhos para os problemas sociais, como a fome, a discriminação, os crimes... Não fui eu, pensamos. Sempre inventamos desculpas, até razoáveis, para justificar a nossa apatia.

Isso mostra-se particularmente tentador quando somos os beneficiários e não as vítimas da injustiça. A maioria das pessoas que vivem no chamado Primeiro Mundo se beneficia, de alguma, forma da injustiça global.

(Fonte: Peter Ribes, sj)

Escrito por
Padre Antônio Queiróz dos Santos (Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R)
Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R

Mais conhecido como Padre Queiróz (in memoriam) recolheu ao longo de seu ministério centenas de histórias que falam de forma simples e popular da fé e das realidades do povo de Deus.

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