Igreja

10 pontos para entender a Campanha da Fraternidade 2026

Escrito por Giovana Marques

25 FEV 2026 - 07H39 (Atualizada em 25 FEV 2026 - 12H00)

A cada ano, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reúne os fiéis em torno de um tema concreto que provoca a reflexão e convida ao compromisso com os irmãos e irmãs mais vulneráveis.

A Campanha da Fraternidade (CF) busca despertar a solidariedade e o engajamento social, especialmente durante o tempo litúrgico da Quaresma. Neste período, a Igreja no país convida a uma ação transformadora à luz da Palavra de Deus.

Essa iniciativa da CNBB existe no país desde 1964, ou seja, há 62 anos. Teve origem no contexto do Concílio Vaticano II e se estende até os dias atuais como proposta pastoral, baseada na Doutrina Social da Igreja.

“A Igreja emite um juízo moral em matéria econômica e social, «quando os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigem». Na ordem da moralidade, se preocupa com aspectos temporais do bem comum em razão de sua ordenação ao Sumo Bem, nosso fim último. Procura inspirar as atitudes justas na relação com os bens terrenos e nas relações socioeconômicas” (Catecismo da Igreja Católica, n. 2420).

Segundo o missionário redentorista, Pe. Camilo Lopes, C.Ss.R., em 1961, três padres responsáveis pela Cáritas no Brasil idealizaram uma Campanha com o intuito de arrecadar fundos para assistir aos pobres, daí surgiu o nome “Campanha da Fraternidade”.

Em 2026, a CF traz como tema Fraternidade e Moradia e como lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). Refletindo o mistério da encarnação de Jesus, cada pessoa é convidada a conhecer a realidade de moradia no Brasil.

Entenda, a seguir, a CF 2026 a partir de 10 pontos retirados do texto-base:

1. Qual é o objetivo geral da Campanha 2026?

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“Promover, a partir da Boa-Nova do Reino de Deus e em espírito de conversão quaresmal, a moradia digna como prioridade e direito, junto aos demais bens e serviços essenciais a toda a população.”

A falta de moradia fere a dignidade dos filhos e filhas de Deus. Segundo o texto-base da campanha, mais que uma carência material, essa realidade de inúmeros brasileiros é uma exclusão social.

2. A moradia é um direito humano

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O texto mostra ainda que a moradia no Brasil, embora seja um direito garantido pela Constituição, funciona na prática como uma “mercadoria cara e dependente da lógica do mercado”.

A Campanha quer evidenciar que o problema no país não é individual, mas estrutural, ligado ao modelo econômico e urbano.

3. A desigualdade urbana 

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A urbanização brasileira, segundo o material da CF 2026, foi marcada pela exclusão: quem não consegue acessar o mercado formal ocupa periferias, áreas de risco e regiões sem infraestrutura adequada.

A CF, portanto, busca provocar consciência e mobilização para transformar essa realidade por meio de políticas públicas e presença solidária da Igreja.

4. Deus veio morar entre nós

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O lema, retirado do Evangelho de João (1,14), mostra que Deus não permanece distante da realidade humana. A CF ilumina-se por essa e outras passagens bíblicas, afirmando que Jesus se identifica com os pobres e excluídos:

Jesus sem lugar na hospedaria (Lc 2,7), vive sem ter onde reclinar a cabeça (Lc 9,58).

5. Fé e compromisso social

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A casa, de acordo com o texto-base, na tradição bíblica, é espaço de vínculos e dignidade. Ainda, o magistério recente reforça que moradia e trabalho são direitos sagrados.

Além disso, a Doutrina Social da Igreja, conforme o material, apresenta princípios fundamentais para enfrentar o problema da moradia: bem comum; destino universal dos bens; ecologia integral e opção preferencial pelos pobres.

6. Fortalecer a solidariedade concreta

Lucas/Adobe Stock  Lucas/Adobe Stock

A CF 2026 deseja fortalecer o laço da solidariedade concreta, a fim de aproximar cada um daqueles que vivem sem moradia. “Em tempos de tantos desafios sociais, a Igreja é chamada a ser pobre com os pobres, a fixar seu olhar no Senhor, mas com os pés na história”.

7. Conversão pessoal, comunitária e social


“A conversão quaresmal não é apenas pessoal e interior, mas também comunitária e social, como ensina o Concílio Vaticano II”. (Texto-base pág.7)

O convite da CF no tempo da Quaresma é para uma “conversão integral”, que torne cada fiel um discípulo missionário comprometido com a dignidade humana e o bem comum.

8. Convite à ação pastoral

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Na missa de abertura da CF 2026, o arcebispo Dom Jaime Spengler, presidente da CNBB, além de apresentar o apelo individual da campanha, chamou as comunidades a uma atitude concreta:

“Seria muito bonito que cada paróquia pudesse se propor a construir ou ajudar a reformar uma casa para quem não a tem. Além disso, seria importante a existência de uma pastoral da moradia.”

9. Papa: não restringir a partilha a apenas um período

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Na mensagem enviada pelo Papa Leão XIV, ele destaca que a reflexão e iniciativa sobre essa difícil realidade de moradia não aconteça, contudo, somente em um período.

“Mas gere em todos a consciência de que a partilha dos dons que o Senhor generosamente nos concede não pode restringir-se a um período do ano, a uma campanha ou a algumas ações pontuais, mas deve ser uma atitude constante, que nos compromete a ir ao encontro de Cristo presente naqueles que não têm onde morar”.

10. Papa: que as iniciativas inspirem as autoridades governamentais

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Na conclusão da mensagem, com a Bênção Apostólica, enviada pelo Pontífice, ele desejou que as iniciativas a partir da CF 2026 possam inspirar as autoridades políticas, “a fim de que, trabalhando todos em conjunto, seja possível oferecer à população mais carente melhorias significativas nas condições de habitação”.  

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