Existe um conto do escritor Ray Bradbury intitulado "Os Balões de Fogo" (título original: The Fire Balloons ou And the Moon Be Still as Bright, dependendo da compilação) cuja história, incluída no gênero ficção científica, muitas vezes é incluída em antologias como “O Homem Ilustrado” ou associada ao universo de “As Crônicas Marcianas”.
Essa história pode ser incluída numa questão que há muito mexe com a imaginação das pessoas, tendo dado origem a livros, filmes, séries de TV e até mesmo músicas. Uma delas, no rol dos clássicos sertanejos, pergunta: Será que existe mesmo disco voador? Desta forma, se trabalha a questão da possibilidade de vida inteligente fora do planeta terra. E frequentemente nos deparamos com histórias de criaturas extraterrestres e OVNIS que andam rondando a terra, tendo perseguido aviões ou aparecido a algumas pessoas.
E a questão pode ser ainda desdobrada de outra forma: A Igreja também acredita em vida extraterrestre?
Representação do planeta terra
Principais aspetos do conto
A história de Ray Bradbury acompanha um grupo de missionários cristãos que viajam para o planeta Marte com o objetivo de levar a religião católica aos marcianos. Lá os missionários encontram seres marcianos que não tinham forma física humana, mas sim forma de balões azuis flamejantes e etéreos, daí a razão do título do conto.
Em sua obra, Bradbury explora os desafios do encontro de culturas, a definição de alma e vida inteligente, e a possibilidade de Cristo ter assumido diferentes formas físicas para salvar diferentes espécies existentes fora do planeta terra.
Uma mulher lendo um livro de Ray Bradbury
Um dos missionários, Padre Peregrine, descobre que esses seres são formas de vida mais avançada, imortais e livres de pecado, o que o leva a questionar se eles precisam mesmo de evangelização, concluindo que o seu papel é o de aprender com eles, como que justificando o encontro de culturas.
Os marcianos eram etéreos, criaturas de pura energia, mas isso não impediu o padre de tentar convertê-los para descobrir que eles há muito abandonaram os corpos físicos, e, com eles, todas as tentações, se tornando criaturas puras e sem pecado. Numa primeira conclusão, Padre Peregrine chega a deduzir que os marcianos, ao contrário dos seres humanos, não precisavam ser salvos.
Em busca de explicações
O mais curioso é que, essa situação descrita numa obra de ficção, se aproxima de questionamentos atuais e da posição do Vaticano. Em 2012, o então Diretor do Observatório Astronômico do Vaticano, Padre José Funes, revelou em uma entrevista que Roma aceitaria perfeitamente a ideia de vida extraterrestre, e que podem ser bem diferentes de nós, mas ressaltando um detalhe interessante: Existem discussões entre os teólogos ligados ao Papa que se perguntam se os chamados “aliens” precisariam ou não ser salvos.
Extrapolando, se faz a análise da parábola da ovelha perdida como expressão daqueles que precisam da ação da Igreja, na figura das 99 ovelhas que permaneceram no redil enquanto o pastor bom procurava a que se perdeu. O conto de Bradbury questiona se os “marcianos”, bem como o resto do Cosmos, já viviam na glória de Deus, e somente os seres humanos tivessem se desgarrado.
A crença de que Cristo seja um só, nascido em condições humanas no do seio da Vigem Maria, e na certeza de que a salvação conquistada por ele na cruz atinge não apenas o ser humano, mas a todas as criaturas, deriva a inquietante pergunta:
chevron_right Jesus nasceria da mesma forma ou em forma diferente em cada civilização ou forma de vida espalhada pelo Cosmos?
A científica Equação de Drake afirma a existência de milhões de civilizações na Via Láctea e, como tal, a salvação alcançada por Cristo teria alcançado a todos?
A Equação de Drake é um argumento probabilístico criado em 1961 pelo astrônomo Frank Drake. Ela não foi feita para tentar dar uma resposta definitiva, mas sim para organizar as variáveis necessárias e estimular o debate científico sobre quantas civilizações extraterrestres avançadas e comunicáveis podem existir na Via Láctea.
Na verdade, ainda hoje, mesmo com o avanço das pesquisas e exploração do cosmos, existem mais perguntas do que respostas e muitas especulações inconclusivas.
Essas especulações não contradizem o fato de que, quando os seres humanos começarem a colonizar o Sistema Solar e fora dele, poderemos ter missionários indo junto, primeiro para cuidar das almas dos colonos e depois das novas civilizações que forem encontradas, sejam parecidas ou não com os seres humanos.
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