Igreja

A Igreja acredita em vida fora da terra?

Quais as teorias que justificam a existência de vida inteligente fora de nosso planeta? Leia sobre este assunto abaixo e confira!

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Escrito por Pe. José Inácio Medeiros, C.Ss.R.

03 JUN 2026 - 14H55 (Atualizada em 03 JUN 2026 - 15H25)

Mono/Adobe Stock

Existe um conto do escritor Ray Bradbury intitulado "Os Balões de Fogo" (título original: The Fire Balloons ou And the Moon Be Still as Bright, dependendo da compilação) cuja história, incluída no gênero ficção científica, muitas vezes é incluída em antologias como “O Homem Ilustrado” ou associada ao universo de “As Crônicas Marcianas”.

Essa história pode ser incluída numa questão que há muito mexe com a imaginação das pessoas, tendo dado origem a livros, filmes, séries de TV e até mesmo músicas. Uma delas, no rol dos clássicos sertanejos, pergunta: Será que existe mesmo disco voador? Desta forma, se trabalha a questão da possibilidade de vida inteligente fora do planeta terra. E frequentemente nos deparamos com histórias de criaturas extraterrestres e OVNIS que andam rondando a terra, tendo perseguido aviões ou aparecido a algumas pessoas.

E a questão pode ser ainda desdobrada de outra forma: A Igreja também acredita em vida extraterrestre?

Dimazel/Adobe Stock  Dimazel/Adobe Stock Representação do planeta terra

Principais aspetos do conto

A história de Ray Bradbury acompanha um grupo de missionários cristãos que viajam para o planeta Marte com o objetivo de levar a religião católica aos marcianos. Lá os missionários encontram seres marcianos que não tinham forma física humana, mas sim forma de balões azuis flamejantes e etéreos, daí a razão do título do conto.

Em sua obra, Bradbury explora os desafios do encontro de culturas, a definição de alma e vida inteligente, e a possibilidade de Cristo ter assumido diferentes formas físicas para salvar diferentes espécies existentes fora do planeta terra.

Yurii Zymovin/Adobe Stcok Yurii Zymovin/Adobe Stcok Uma mulher lendo um livro de Ray Bradbury

Um dos missionários, Padre Peregrine, descobre que esses seres são formas de vida mais avançada, imortais e livres de pecado, o que o leva a questionar se eles precisam mesmo de evangelização, concluindo que o seu papel é o de aprender com eles, como que justificando o encontro de culturas.

Os marcianos eram etéreos, criaturas de pura energia, mas isso não impediu o padre de tentar convertê-los para descobrir que eles há muito abandonaram os corpos físicos, e, com eles, todas as tentações, se tornando criaturas puras e sem pecado. Numa primeira conclusão, Padre Peregrine chega a deduzir que os marcianos, ao contrário dos seres humanos, não precisavam ser salvos.

Em busca de explicações

O mais curioso é que, essa situação descrita numa obra de ficção, se aproxima de questionamentos atuais e da posição do Vaticano. Em 2012, o então Diretor do Observatório Astronômico do Vaticano, Padre José Funes, revelou em uma entrevista que Roma aceitaria perfeitamente a ideia de vida extraterrestre, e que podem ser bem diferentes de nós, mas ressaltando um detalhe interessante: Existem discussões entre os teólogos ligados ao Papa que se perguntam se os chamados “aliens” precisariam ou não ser salvos.

Extrapolando, se faz a análise da parábola da ovelha perdida como expressão daqueles que precisam da ação da Igreja, na figura das 99 ovelhas que permaneceram no redil enquanto o pastor bom procurava a que se perdeu. O conto de Bradbury questiona se os “marcianos”, bem como o resto do Cosmos, já viviam na glória de Deus, e somente os seres humanos tivessem se desgarrado.

A crença de que Cristo seja um só, nascido em condições humanas no do seio da Vigem Maria, e na certeza de que a salvação conquistada por ele na cruz atinge não apenas o ser humano, mas a todas as criaturas, deriva a inquietante pergunta:

chevron_right Jesus nasceria da mesma forma ou em forma diferente em cada civilização ou forma de vida espalhada pelo Cosmos?

A científica Equação de Drake afirma a existência de milhões de civilizações na Via Láctea e, como tal, a salvação alcançada por Cristo teria alcançado a todos?

A Equação de Drake é um argumento probabilístico criado em 1961 pelo astrônomo Frank Drake. Ela não foi feita para tentar dar uma resposta definitiva, mas sim para organizar as variáveis necessárias e estimular o debate científico sobre quantas civilizações extraterrestres avançadas e comunicáveis podem existir na Via Láctea.

Na verdade, ainda hoje, mesmo com o avanço das pesquisas e exploração do cosmos, existem mais perguntas do que respostas e muitas especulações inconclusivas.

Essas especulações não contradizem o fato de que, quando os seres humanos começarem a colonizar o Sistema Solar e fora dele, poderemos ter missionários indo junto, primeiro para cuidar das almas dos colonos e depois das novas civilizações que forem encontradas, sejam parecidas ou não com os seres humanos.

.:: Leia também: O que a Igreja fala sobre alienígenas?

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