Igreja

4 pontos para entender a devoção ao sangue de São Januário

Veja como a Igreja católica compreende esse fenômeno religioso que ocorre três vezes ao ano em Nápoles.

Escrito por Redação A12

17 SET 2021 - 11H13 (Atualizada em 17 SET 2021 - 11H42)

Reprodução relicario_sangue_sao_januario_2 (Reprodução)

O fenômeno que envolve o sangue de São Januário atrai a atenção do mundo inteiro. Primeiro, pela devoção que toca os católicos e, depois, pela expectativa que cerca este acontecimento.

Em parte, todo o mundo espera que ocorra o “milagre”, porque quando ele não acontece é sinal ou prenúncio de alguma tragédia. A última vez que ele não ocorreu foi em dezembro de 2020, dentro do contexto da pandemia de Covid-19.

O relicário com o sangue de São Januário fica dentro da chamada Capela do Tesouro, na Catedral de Nápoles, na Itália.

Para entender este fenômeno, listamos alguns pontos desta devoção. Confira logo após a foto. 

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Altar da Capela do Tesouro, no centro o nicho onde fica o relicário com o sangue


Três vezes por ano

Este fenômeno ocorre três vezes ao ano, em uma cerimônia cheia de simbolismos e, como dissemos, chama a atenção do mundo inteiro.

As datas esperadas pelos devotos são: 1° domingo do mês de maio, data da primeira trasladação do corpo do santo; 19 de setembro, dia do santo e data de sua morte, e 16 de dezembro, que recorda a procissão realizada com as relíquias do santo em 1631, que impediu a erupção do vulcão Vesúvio.

Liquefação do sangue: fato prodigioso ou milagre

A liquefação do sangue deste santo, ou seja, quando ele passa do estado sólido para o líquido, é considerada por muitos como milagre. Mas, embora seja uma celebração da qual já participaram papas, a Igreja mantém uma atitude prudente em relação a São Januário.

A dissolução do sangue é chamada pela Igreja de "fato prodigioso", e não um milagre que envolve a fé de todos os católicos. A veneração popular da liquefação é permitida, mas não é reconhecida.

Uma explicação científica dada para o fenômeno, segundo nota do site Vatican News, é chamada de “tixotropia”, que é quando substâncias chamadas tixotrópicas são encontradas naturalmente em estado sólido, mas são capazes de passar para o estado líquido após agitação.

No entanto, em certa ocasião, o cardeal Crescenzio Sepe, arcebispo emérito de Nápoles, disse que o sangue já estava líquido no momento da abertura do nicho que protege a ampola, antes mesmo de ser retirado e movimentado. 

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Relicário com o sangue em estado líquido apresentado aos fiéis em Nápoles


A celebração em que ocorre o fenômeno

Na celebração, são entoadas canções e invocações ao santo, para que o sangue volte ao seu estado natural, enquanto o abade responsável pela capela ou arcebispo da arquidiocese retira o relicário de um nicho no altar e mostra o sangue. Quando se torna líquido, é agitado um lenço branco.

Se o sangue não se liquefaz imediatamente, iniciam-se preces, rezam-se salmos penitenciais e quando a liquefação ocorre, é entoado o Te Deum, um canto de ação de graças, e os sinos repicam para que toda a cidade saiba do acontecimento.

Quanto ao líquido, trata-se verdadeiramente de sangue humano, comprovado por análises espectroscópicas.

O registro mais antigo do "milagre" consta de uma crônica do século XIV. Desde 1659, estão rigorosamente anotadas todas as liquefações, que já somam mais de dez mil!

Quem foi São Januário

São Januário é o principal padroeiro de Nápoles e, segundo a tradição, viveu no quarto século depois de Cristo. Foi bispo de Benevento em uma época de perseguição aos cristãos. Foi condenado à decapitação e, na ocasião de sua morte, seu sangue teria sido coletado por mulheres presentes neste momento. São Januário chegou a ser retirado do calendário dos santos e sua memória tornou-se facultativa fora de Nápoles.

Quer conhecer a Capela do Tesouro de São Januário? Confira aqui neste link, em 360º.

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Catedral de Nápoles onde fica a Capela do Tesouro com o sangue do santo


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