Por Elisangela Cavalheiro Em Igreja

Arquidiocese de Sorocaba investe na formação de leigos para celebração das exéquias

vida eternaO acompanhamento dos funerais católicos já não é uma tarefa exclusiva dos padres. Em muitas dioceses os leigos assumem esse ministério em colaboração com os padres nas chamadas exéquias fúnebres.

Na Igreja do Brasil, muitas dioceses têm procurado formar leigos e leigas para o "Ministério Extraordinário das Exéquias". A exigência vem ao encontro da realidade local, onde muitas vezes o padre não dá conta de atender toda a demanda paroquial, mas não apenas isso. Desde muito tempo a Igreja vem incentivando e reforçando a participação dos leigos nos chamados ministérios extraordinários. 

Consciente dessa realidade, a Arquidiocese de Sorocaba propôs aos fiéis leigos o projeto do Curso de Formação para Ministros das Exéquias. O objetivo é oferecer a esses ministros uma formação mínima e suficiente para a assistência pastoral a velórios e acompanhamento dos enlutados. 

Padre Rodolfo MorbioloA respeito desse tema, o portal A12 entrevistou o padre Rodolfo Morbiolo (foto), diretor do Instituto de Teologia João Paulo II, que é responsável pelo curso. Ele destacou a proposta da formação e falou sobre outros assuntos relacionados com o tema. 

A12 - Qual a proposta desse curso promovido pelo Instituto de Teologia João Paulo II ?
Pe. Rodolfo Morbiolo - Impulsionados pela motivação do Papa Francisco da efetivação de uma Obra de Misericórdia concreta no mundo de hoje como sinal da presença atuante da Igreja na Sociedade, a Igreja de Sorocaba, com seu Bispo e Presbitério, por iniciativa do Instituto de Teologia João Paulo II, vem oferecer a proposta de um grupo de leigos (também Diáconos, caso desejem) que atuem diretamente na execução das exéquias nos velórios municipais e nas casas. Também terá por objetivo organizar uma pastoral junto às famílias enlutadas, marcando este momento tão difícil da vida humana com a solidariedade e o acolhimento, além de uma palavra amiga e evangélica.  

A12 - Como se dará o acompanhamento das famílias enlutadas?
Pe. Rodolfo Morbiolo - Temos por objetivo colocar um plantão de agentes leigos em cada velório público dos Municípios que perfazem o território da Arquidiocese de Sorocaba/SP. E também objetivamos incentivar a criação de núcleos de acompanhamento às famílias enlutadas em cada uma das mais de 60 paróquias da Arquidiocese.  

[Veja o que diz o Catecismo da Igreja Católica sobre as exéquias cristãs]

A12 - O que é o Ministério das Exéquias?  O que compete a esse ministério?
Pe. Rodolfo Morbiolo - O ministério das exéquias, derivado do serviço da Igreja à santificação dos fiéis, compete a todo batizado, mormente aos ministros ordenados. Hoje ele pode ser exercido por leigos e leigas bem instruídos na fé da Igreja, e é um sinal da ministerialidade do Povo de Deus, enquanto socorre na hora da morte a família daqueles que falecem, neste momento dramático da vida neste mundo. Não se deve confundir, no entanto, o serviço das exéquias com o Sacramento da Unção dos Enfermos, próprio do exercício do Sacerdócio Ministerial dos Padres e Bispos, e oferecido em vida ainda aos fiéis adoecidos na ordem da restituição da saúde ou como alívio dos sofrimentos em via de morte iminente.  

A12 - Quando a Igreja passou a autorizar os leigos para esse ministério e qual o papel deles na comunidade?
Pe. Rodolfo Morbiolo - Desde o Concílio Vaticano II, a Igreja Católica tem se aberto aos ministérios leigos. São João Paulo II o enfatizou, e o magistério da América Latina o ressaltou no Documento de Aparecida, há distância de poucos anos. Mês passado, nossos bispos brasileiros emitiram em Conferência Nacional um documento que explicita, incentiva e autoriza, pela via da comunhão hierárquica sempre necessária, o serviço laical. Há regiões bastante necessitadas no Brasil, como em outros territórios de missão, nos quais o trabalho laical leva à vida dos fiéis inclusive os sacramentos do Batismo e do Matrimônio. Faz parte, portanto, do múnus laical, na Igreja e no Mundo, ser presença de Deus em todas as etapas da vida do ser humano, do nascimento à morte.  

 

"O momento da oração das exéquias (...) é oportunidade de reflexão para os familiares e amigos sobre o valor da vida humana vivida na graça e na misericórdia". 

A12 - Qual a mensagem da Igreja diante da morte?
Pe. Rodolfo Morbiolo - A principal mensagem que transmitimos aos enlutados é a da Ressurreição de Cristo como “sacramento”, sinal eficaz da nossa ressurreição final. Como afirma a Escritura: “se morremos com Cristo, cremos que também viveremos com Ele” (Rm 6,8). O momento da oração das exéquias, quando a Igreja entrega nas mãos de Deus, o Pai que ressuscitou seu Filho dos mortos pelo poder do Espírito Santo, a vida daqueles que morrem neste mundo; este momento também é oportunidade de reflexão para os familiares e amigos sobre o valor da vida humana vivida na graça e na misericórdia. Alegra a Deus e consola os que ficam neste mundo, a vida vivida no amor e na misericórdia daqueles que partem. Assim, a celebração das exéquias exorta os fiéis a viver com dignidade como uma obra de misericórdia para com aqueles que os acompanharão no momento de sua partida para a eternidade, fazendo o bem como fez Jesus, construindo assim, aqui neste mundo, o Céu que gozaremos na eternidade.

A12 - É necessário maior reconhecimento e valorização dos leigos nos diversos ministérios?
Pe. Rodolfo Morbiolo - Sim, sem dúvida. Neste momento da vida do mundo não existe evangelização eficaz sem a participação ativa dos leigos e leigos na Igreja e no Mundo. Somente deste modo poderemos estar presentes em todas as periferias existenciais atuais, como sugere Sua Santidade o Papa Francisco.

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