A Bíblia Aquileia, manuscrito medieval ligado à tradição do antigo Patriarcado de Aquileia, voltou ao Vaticano em uma reprodução fiel ao original. O primeiro volume do fac-símile foi entregue na Casina de Pio IV, nos Jardins do Vaticano.
A obra foi destinada às Pontifícias Academias das Ciências e das Ciências Sociais. O projeto prevê a reprodução dos cinco volumes até 2031.
O manuscrito original está preservado no Tesouro da Catedral de Gorizia, na Itália. A Bíblia foi escrita entre os séculos XII e XIII. Suas anotações, porém, avançam até 1356.
A iniciativa reúne técnicas artesanais medievais e recursos digitais de alta precisão. O objetivo é preservar detalhes do manuscrito e ampliar o acesso a esse patrimônio histórico.
A Bíblia Aquileia é um conjunto monumental dividido em cinco volumes. O texto foi produzido em letra gótica librária, usada por copistas medievais.
O nome está relacionado à importância histórica de Aquileia, cidade que se tornou um centro religioso e cultural no norte da Itália. A região esteve ligada ao Patriarcado de Aquileia.
Segundo Roberto Giurano, presidente da Fundação Scriptorium Foroiuliense ETS, um centro cultural na Itália, o manuscrito fez parte do tesouro de Cividale antes de chegar a Gorizia.
A obra é considerada um importante testemunho da tradição bíblica ligada à região. Por isso, sua preservação envolve aspectos religiosos, históricos e culturais.
A encadernação da Bíblia Aquileia também chamou a atenção dos pesquisadores.
Durante o processo de reprodução, a equipe desmontou o manuscrito de forma digital. As páginas e os cadernos foram analisados para reconstruir sua organização original.
O resultado trouxe uma surpresa. A encadernação do livro apresenta uma característica incomum. O modo como o volume foi montado foge do padrão esperado pelos pesquisadores.
A descoberta levou a equipe a levantar novas hipóteses sobre a origem do códice. Uma delas considera a possibilidade de que o manuscrito tenha sido produzido no Oriente.
O detalhe mostra como a análise de um livro antigo pode revelar informações sobre sua trajetória.
A reprodução exigiu um trabalho especializado. A equipe do Opificium Librorum, centro de produção medieval da Fundação, buscou repetir métodos utilizados por antigos copistas.
O suporte usado no fac-símile foi produzido com fibras de algodão bruto. O material procura reproduzir características do antigo pergaminho.
As tintas também seguem referências históricas. Foram utilizadas fórmulas com componentes de origem vegetal e mineral.
Depois, os cadernos foram montados manualmente. As capas receberam couro de curtimento natural e elementos metálicos produzidos de forma artesanal.
O resultado procura reproduzir a aparência e a estrutura do manuscrito original.
A produção também dependeu de recursos digitais. A Bíblia Aquileia foi digitalizada em alta definição. O processo registrou detalhes da escrita e características provocadas pelo tempo.
A tecnologia permitiu preservar uma versão digital do conteúdo. Dessa forma, informações do manuscrito podem ser armazenadas sem depender apenas da conservação física do livro.
A infraestrutura tecnológica utilizada no projeto também foi desenvolvida para preservar os arquivos por longo prazo.
A relação entre diferentes exemplares da Bíblia também pode despertar curiosidade. Em Aparecida também existe uma tradição ligada à preservação e à difusão das Escrituras, que também aparece em edições destinadas aos fiéis.
A Bíblia de Aparecida é um exemplo dessa aproximação entre o texto bíblico e a cultura católica brasileira. Sua presença ajuda a perceber como a Bíblia pode assumir diferentes formas ao longo dos séculos e em diferentes lugares.
Enquanto a Bíblia Aquileia chama atenção por sua origem medieval e por seu trabalho artesanal, a Bíblia de Aparecida se insere em outro contexto histórico e religioso. As duas ajudam a observar como o texto bíblico atravessa gerações e permanece presente na vida da Igreja.
E mais: Conheça a história da Bíblia de Aparecida, que completou 20 anos
O projeto da Bíblia Aquileia também pretende ultrapassar as fronteiras italianas. A previsão é produzir cinco volumes até 2031. A tiragem será limitada a oito exemplares únicos de cada volume.
Um dos exemplares deverá ser destinado à Biblioteca Nacional do Japão. A Fundação Scriptorium Foroiuliense também iniciou uma colaboração com a Universidade de Tóquio.
A iniciativa amplia o alcance cultural do manuscrito. O objetivo é apresentar a obra a instituições interessadas na história dos livros e das Escrituras.
O projeto também tem uma dimensão relacionada à exploração espacial.
Anteriormente, o astronauta Walter Villadei levou ao espaço uma folha de um fac-símile da Bíblia de Gutenberg produzido pela Fundação. O exemplar está atualmente preservado no Museu Histórico da Força Aérea, em Vigna di Valle.
A equipe avalia a possibilidade de enviar ao espaço uma página da Bíblia Aquileia.
A proposta ainda está em estudo. Caso avance, levaria um fragmento do manuscrito medieval para além da órbita terrestre.
O projeto também prevê uma ação beneficente. Um dos exemplares especiais do fac-símile deverá ser leiloado. A arrecadação será destinada ao Hospital Infantil Buzzi, em Milão.
A cerimônia de entrega no Vaticano contou com representantes das Forças Armadas e de instituições italianas. A participação reforçou a dimensão cultural e social atribuída ao projeto.
O projeto aproxima a pesquisa histórica dos recursos digitais atuais. Ao mesmo tempo, recupera técnicas artesanais usadas há séculos.
A Bíblia Aquileia retorna, assim, ao Vaticano como testemunho de uma tradição que atravessou gerações. Sua reprodução preserva parte dessa história para pesquisadores e instituições nas próximas décadas.
E mais: Leia a Bíblia online aqui!
Fonte: Vatican News
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