Há obras de arte que atravessam o tempo como sinais de fé. A Bíblia do duque Borso d’Este é uma dessas obras.
Considerada por muitos o “livro mais lindo do mundo” e a “Bíblia da Monalisa”, a obra de arte volta a ser exibida após um século, agora por ocasião do Jubileu. E retorna exatamente ao lugar onde conquistou o coração de Roma cem anos atrás: a Sala Capitular do Senado italiano.
Entre 22 de novembro e 15 de janeiro de 2026, o público poderá ver de perto um dos manuscritos mais preciosos do Renascimento italiano do século XV, uma oportunidade única de contemplar a obra de arte em miniatura em todo o seu esplendor, que une devoção, política, arte e sensibilidade religiosa.
Detalhe do Livro do Cântico dos Cânticos
O Jubileu ofereceu o motivo perfeito para a exposição. O ano de 2025 é Ano Santo, onde é realizado o Jubileu ordinário, celebrado a cada 25 anos na Igreja. Assim, abriu-se uma oportunidade rara de celebrar a beleza da fé por meio de uma obra que, desde sua criação, foi pensada para honrar a Sagrada Escritura.
A obra permaneceu sob a guarda da nobreza europeia por gerações, até que, em 1922, a última imperatriz da Áustria a repassou a um colecionador de antiguidades em Paris.
Cem anos atrás, o empresário e intelectual Giovanni Treccani comprou a Bíblia pelo valor de 3,3 milhões de francos franceses, sendo considerada “o livro mais caro da época”, segundo informações da diretora da Gallerie Estense em Modena, Alessandra Necci. Ao ver a Bíblia iluminada, Treccani ficou tão emocionado, segundo relatos, que saiu dali “comovido até às lágrimas”.
Após adquiri-la, Giovanni Treccani tomou uma atitude fundamental para a preservação da obra: ele decidiu doar a Bíblia de Borso d’Este, garantindo que o manuscrito permanecesse acessível ao público e protegido.
A Bíblia foi encomendada por Borso d’Este, duque das cidades de Ferrara e Modena, que governava uma das cortes mais refinadas e importantes do século XV.
O duque fez a encomenda aos grandes artistas do Renascimento: o calígrafo Pietro Paolo Marone e os ilustradores Taddeo Crivelli e Franco dei Russi, que lideraram a criação da Bíblia entre os anos de 1455 e 1461. Outros artistas auxiliaram o trabalho: Marco dell'Avogadro, Giorgio d'Alemagna e Girolamo da Cremona.
São mais de seiscentas páginas, ilustradas por cerca de mil imagens em miniaturas. Dividida em dois volumes, a Bíblia é contornada com ouro e pigmentos de lápis-lazúli afegão. Os desenhos revelam cenas vibrantes da Bíblia e da vida no século XV, além de delicadas representações de música, dança, plantas e animais.
Na reabertura da mostra que recebeu o título “E Deus viu que era bom”, em latim “Et vidit Deus quod esset bonum”, Dom Rino Fisichella chamou atenção para o que realmente importa: a Bíblia não é apenas um objeto de arte, mas a Palavra de Deus traduzida em beleza.
Para ele, as margens iluminadas, o ouro que brilha e os pigmentos raros funcionam como uma “oração visual”. “As páginas decoradas com ouro e pigmentos preciosos tornam-se um convite à contemplação capaz de aproximar o visitante do mistério que atravessa toda a Escritura”, afirmou Dom Rino.
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Fonte: Vatican News
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