Por Pe. José Luis Queimado, C.Ss.R. Em Igreja

Conhecendo os Evangelhos: A messe é grande!

EVANGELHO – Mt 9, 35-38 

35 Jesus andava por todas as cidades e aldeias, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando toda doença e enfermidade. 36 Vendo as multidões, teve pena delas, porque estavam cansadas e abatidas como ovelhas sem pastor. 37 Disse então a seus discípulos: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. 38 Por isso, pedi ao Senhor da messe que mande operários para sua messe”. 

Jesus cura homem endemoninhado
 Jesus cura um endemoninhado.

REFLEXÃO 

Para bem entendermos o sentimento de tristeza de Jesus ao ver uma multidão que estava abandonada como ovelhas sem pastor, precisamos nos lembrar do acontecimento que sucedeu este pequeno trecho do Evangelho. Jesus havia curado um endemoninhado, e os fariseus acusaram-no dizendo que Ele dava ordem aos demônios em nome do príncipe dos demônios, ou seja, Belzebu! É nítido, principalmente em Mateus, o conflito entre Jesus e os fariseus. Enquanto o povo se maravilhava com os feitos do Mestre, os escribas e fariseus acusavam-no de feitiçaria ou de cumpridor das ordens desse tal Belzebu.

O príncipe dos demônios (βεελζεβοὺλ – Belzebu) era o símbolo de abominação para os judeus, pois representava uma divindade estrangeira (cananeia), que manchava a honra de IHWH (Javé), como já falamos em outro texto desta série bíblica. O senhor das Moscas (Belzebu – também conhecido como Ba’al) era algo execrável e temido pelos judeus mais fiéis, e Jesus é acusado de realizar as obras pela força desse deus cananeu. Isso, com certeza, feriu os sentimentos religiosos de Jesus, pois ele era um judeu fiel à sua cultura e religião.

Mas a missão de Jesus não se abala pelos falatórios insustentáveis, pelas calúnias maldosas. Ele segue pregando a Boa-Nova vinda do Pai-Bondoso. Passa por todas as vilas, vilarejos e cidades. Convida mais operários para a messe, pois existem muitos famintos por uma palavra confortadora.

 

"Assim como Jesus convidou, somos novamente interpelados a servir ao Reino de Deus e lutar pela libertação dos povos. Mas de que devemos libertar os povos?"

As ovelhas e a seara (plantação) são símbolos muito fortes para aquela realidade rural e campesina em que Jesus atuava. Ele tem pena daquelas pessoas que lembram as ovelhinhas sem pastor, desorientadas e correndo sérios riscos com os perigos externos.

Assim como Jesus convidou, somos novamente interpelados a servir ao Reino de Deus e lutar pela libertação dos povos. Mas de que devemos libertar os povos? É nossa obrigação iniciar a salvação do ser humano completo, aqui e agora. Se Deus tivesse nos colocado no mundo somente para se preocupar com o futuro longínquo, não valeria a pena viver! Mas a vida deve ser valorizada agora, pois é o maior dom que Deus nos confiou; se não fosse assim, Jesus não teria se encarnado! Por isso, temos de salvar as pessoas das injustiças, daquilo que fere os seus corpos e de tudo o que massacra os seus sonhos e sentimentos, isto é, sermos bons pastores!

A salvação eterna é aquilo a que mais aspiramos nesta terra, mas ela começa aqui, por isso não podemos pular etapas! Assim sendo, irmãos e irmãs, Jesus nos convida a pastorearmos um rebanho confuso e, muitas vezes, sedento da palavra de vida! Sendo religioso consagrado, ou leigo itinerante, ou casado, ou solteiro, ou político, ou professor, ou policial, ou empresário, somos interpelados a ajudar as ovelhas a encontrarem uma melhor pastagem nas campinas verdes das palavras que saciam a fome e estancam a sede! Assumamos a nossa vocação!   

Padre Queimado articulista colunista

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