Por Pe. José Luis Queimado, C.Ss.R. Em Igreja

Conhecendo os Evangelhos: Maria Madalena aclama Rabûni!

Conhecendo os Evangelhos compreende uma série de artigos interpretativos.
Em cada artigo será apresentada uma passagem bíblica e uma reflexão. 

EVANGELHO – Jo 20, 11-18 

11 Maria tinha ficado perto do túmulo, do lado de fora, chorando. Enquanto chorava, inclinou-se para olhar dentro do túmulo. 12 Ela enxergou dois anjos, vestidos de branco, sentados onde tinha sido posto o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. 13 Os anjos perguntaram: “Mulher, por que choras”. Ela respondeu: “Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram”. 14 Dizendo isto, Maria virou-se para trás e enxergou Jesus, de pé, mas ela não sabia que era Jesus. 15 Jesus perguntou-lhe: “Mulher, por que choras? A quem procuras?” Pensando que fosse o jardineiro, ela disse: “Senhor, se foste tu que o levaste, dize-me onde o colocaste, e eu irei buscá-lo”. 16 Então, Jesus falou: “Maria!” Ela voltou-se e exclamou, em hebraico: “Rabûni!” (que quer dizer: Mestre). 17 Jesus disse: “Não me segures, pois ainda não subi para junto do Pai. Mas vai dizer aos meus irmãos: subo para junto do meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”. 18 Então, Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor”, e contou o que ele lhe tinha dito. 

maria madalena e jesus (2)

REFLEXÃO 

Ραββουνει! Esta é a palavra grega usada por João para nos mostrar a emoção de Maria Madalena, ao reconhecer o Mestre Ressuscitado. Rabûni ou Rabôni é uma palavra aramaica, língua falada por Maria Madalena e por Jesus, que carrega grande significado para aquele momento. Meu Mestre ou Meu Grande Mestre é a expressão contida nessa única palavrinha aramaica, transliterada para o grego, com a intenção de expressar o quanto o Cristo Glorificado causou admiração naquela simples mulher. É certo que, assim como no caso da mulher que lava os pés de Jesus com suas lágrimas, o sexo feminino era sistematicamente desprezado e oprimido naquela sociedade patriarcal da qual Jesus fazia parte. Mas vemos a reviravolta que o Jovem de Nazaré produz nos valores de uma sociedade exclusivista e machista. Jesus quer se mostrar primeiro a um ser indigno de confiança, cheio de tentações e pecados, pronto para pôr em xeque a forte imagem ideal do homem dominador. Aí podemos notar que a mulher era vista como alguém feito para a perdição do sexo masculino.

Jesus quer, como sempre fez nas suas pregações, resgatar os humilhados e os marginalizados da sociedade, e, até no momento de sua gloriosa Ressurreição, fica do lado dos mais fracos. A mulher é a primeira a ser agraciada com a experiência de vida em abundância, – a primeira a presenciar a vitória da vida sobre a morte. Jesus deseja que seus discípulos tenham fé, por isso mesmo leva os acontecimentos das formas mais duvidosas possíveis. Os primeiros que deveriam aprender a reconstruir um mundo arrebentado pelos preconceitos e humilhações eram os discípulos; esse é o motivo pelo qual Jesus desafia a forma de crer de seus seguidores, apresentando a mulher como fonte primeira de testemunho para a Ressurreição.  

Um dos fatos interessantes desta narrativa é o desconhecimento de Maria Madalena com relação ao Cristo Ressuscitado. Jesus estaria muito diferente em seu corpo glorificado, pois fica irreconhecível em várias citações dos evangelhos (Jo 21, 4; Lc 24, 16). É somente a partir dos gestos inconfundíveis do Mestre que os olhos dos discípulos se abrem: no partir do pão; no tom de sua voz ao chamar a sua discípula (Maria!) e na maneira de estar com os discípulos!

Que Jesus Ressuscitado esteja presente nos momentos mais essenciais de nossas vidas, fazendo com que nós jamais deixemos de aclamar Rabûni! Pois esse Deus-Amor, vencedor das estruturas de morte, quer que nós ajamos para a construção de uma nova forma de vida: onde exista ressurreição daqueles que há muito estão mortos pela ferocidade de um mundo selvagem.

Padre Queimado articulista colunista

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