Por Polyana Gonzaga Em Igreja

Deus é rico em misericórdia: 'Sacramento da Penitência ou Reconciliação'

 

Um dos sacramentos em que se manifesta com maior força a bondade e o amor de Deus por nós é o da Penitência ou Reconciliação, também conhecido como Confissão. Antes de aprofundarmos nesse sacramento, é importante conhecermos um pouco mais sobre a misericórdia divina, para que não tenhamos mais medo, nem preconceito em buscar o perdão de Deus através desse sacramento.


Jesus é a encarnação da misericórdia


Jesus veio ao mundo para nos revelar o amor misericordioso do Pai. Ele é a própria encarnação da misericórdia. Poderíamos dizer que Jesus tem uma predileção pelos pecadores. Basta lembrarmos de vários que Jesus perdoou e chamou a segui-lo. Alguns deles são Maria Madalena e Pedro, que se tornaram santos.


Maria Madalena, antes de encontrar-se com Jesus, era uma prostituta. Após experimentar o perdão e a misericórdia do Senhor, converteu-se e nunca mais deixou de segui-lo. Todos os apóstolos, exceto João, fugiram quando Cristo foi preso e crucificado. Ela foi uma das poucas que permaneceram fiéis e de pé diante da Cruz. Também foi uma das primeiras a testemunhar a ressurreição de Jesus, antes até dos apóstolos.


Pedro, de caráter impetuoso e irascível, expressava com clareza a fragilidade humana: mesmo depois de ter presenciado o Senhor realizar coisas fantásticas, inúmeros milagres, nega-o três vezes, justamente no momento que Jesus mais precisava dele. Aquele que antes era audacioso, de forte caráter, manifesta toda a sua miséria e fraqueza ao mentir e negar Cristo. E qual é a atitude de Jesus com Pedro quando o reencontra naquele belíssimo encontro à margem do rio, após ter ressuscitado? Perdoa-o e o convida à maior missão que um homem poderia ter no mundo: ser o chefe de sua Igreja.


“Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes? Respondeu ele: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. Perguntou-lhe outra vez: Simão, filho de João, amas-me? Respondeu-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. Perguntou-lhe pela terceira vez: Simão, filho de João, amas-me? Pedro entristeceu-se porque lhe perguntou pela terceira vez: Amas-me?, e respondeu-lhe: Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas.” (Jo 21, 15-17)


Podemos perceber com esses dois exemplos de vida que Cristo, além de nos perdoar, eleva a nossa dignidade e nos convida a coisas maiores. Ele faz isso porque nos ama profundamente e sempre aposta por nós.
A misericórdia do Pai é infinita


O Beato João Paulo II escreveu uma profunda reflexão sobre a misericórdia do Pai em sua encíclica Dives in Misericordia. Em um trecho de sua reflexão sobre a parábola do filho pródigo (uma das três parábolas da misericórdia), diz o seguinte:


“A misericórdia apresentada por Cristo na parábola do filho pródigo tem a característica interior do amor, que no Novo Testamento é chamado «agape». Este amor é capaz de debruçar-se sobre todos os filhos pródigos, sobre qualquer miséria humana e, especialmente, sobre toda miséria moral, sobre o pecado. Quando isto acontece, aquele que é objeto da misericórdia não se sente humilhado, mas como que reencontrado e «revalorizado». O pai manifesta-lhe alegria, antes de mais nada por ele ter sido «reencontrado» e por ter «voltado à vida». Esta alegria indica um bem que não foi destruído: o filho, embora pródigo, não deixa de ser realmente filho de seu pai.”

Não ter medo ou preconceito de receber esse sacramento


Aprofundando na misericórdia de Deus e em sua atitude para com os pecadores, vemos que não há razão para não buscarmos o seu perdão através do sacramento da Reconciliação. Questões como “eu me confesso diretamente com Deus”, “o meu pecado não tem perdão”, “por que confessar-me com um homem pecador igual a mim?” e tantas outras, não têm nenhum sentido se comparadas ao amor de Deus por nós e ao desejo de Cristo que nós sempre busquemos o seu perdão.


Sobre a primeira ideia equivocada basta dizermos que Cristo foi quem instituiu o sacramento da reconciliação. Em um de seus encontros com os apóstolos, depois de ressuscitar, disse o seguinte: “Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos.” (Jo 20, 22-23).

A respeito da segunda afirmação podemos afirmar que todo pecado tem perdão. Não há nenhuma ferida que Jesus não seja capaz de curar. Por isso Ele morreu na Cruz: para perdoar todos os nossos pecados.


Por último, não devemos ter qualquer medo ou preconceito de confessarmos os nossos pecados a um sacerdote, pecador como a gente. Cristo quis escolher o próprio homem para ser instrumento de seu amor misericordioso. Ele quer que nossos sentidos experimentem o perdão. Além da graça que atua no sacramento, escutamos as palavras do Senhor na pessoa do sacerdote: os teus pecados estão perdoados. O sacerdote age in persona Christi (na pessoa de Cristo). Naquele momento em que estou me confessando com o sacerdote é Cristo quem se faz presente na pessoa dele para perdoar-me.
Alguns aspectos desse sacramento


Alguns nomes desse sacramento são: sacramento da Conversão (o que se busca ao confessar-se é atender o convite de Jesus à conversão), sacramento da Penitência (esforço que fazemos para ajudar-nos a reparar os pecados cometidos e fortalecer-nos para a luta), sacramento da Confissão (porque confessar os pecados é elemento essencial desse sacramento), sacramento do Perdão (porque através dele recebemos o perdão e a paz) e finalmente sacramento da Reconciliação (porque manifesta ao pecador o amor de Deus que reconcilia).


Os passos para uma boa confissão são os seguintes: exame de consciência, arrependimento de ter pecado (contrição), confissão dos pecados e a decisão de não pecar mais (esse é o sentido da penitência pedida pelo sacerdote).


Ao confessar-se é muito importante que sejam ditos todos os pecados que lembrarmos no momento, especialmente os mortais. Se esquecermos de algum pecado, não tem problema, pois Deus perdoa todos os pecados. Porém, se conscientemente ocultarmos alguma falta grave, a confissão não é plena: é como irmos ao médico querendo ficar curado e ocultarmos um dos sintomas. A confissão das faltas leves também é altamente recomendável, pois nos ajuda a tomarmos mais consciência de nossa condição de pecadores, buscando assim cada dia sermos mais semelhantes a Cristo.


Os ministros desse sacramento são os bispos e seus sucessores e os presbíteros. Cristo deu o poder de perdoar os pecados apenas a eles. Eles têm missão, apesar de sua condição de pecadores, de serem transmissores da misericórdia de Deus. A graça de Deus adquire uma força maior quando é transmitida por vasos de barro.


Ao recebermos o sacramento, somos reconciliados nos quatro níveis de relação: com Deus, comigo mesmo, com meus irmãos (e por consequência com a Igreja) e com a criação.


Uma prática muito recomendável para obter a misericórdia de Deus para com os nossos irmãos e irmãs que partiram para uma nova vida é a indulgência.


Acolhamos o dom da reconciliação, acompanhados por Maria, a mãe da misericórdia


Maria, como ninguém, quer que todos acolham o amor do seu Filho. Ela é, como rezamos na Salve Rainha, a Mãe da misericórdia. Com Maria, nenhum pecador está perdido. Um dos últimos recursos que tem o pecador é a Ave Maria.


Acolhamos o dom da reconciliação, guiados por Nossa Mãe Aparecida, confiantes de que Deus sempre acolhe o seu filho pródigo.


Para aprofundar nesse sacramento:
- Catecismo da Igreja Católica: 1422-1498:
- Beato João Paulo II, Encíclica Dives in misericórdia (sobre a Misericórdia Divina)

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