Em meio a tantos acontecimentos e tantas turbulências do mundo, um fato passou meio despercebido no mês de abril: no dia 24 de abril, completaram-se 50 anos em que Dom Aloísio Lorscheider, de saudosa memória, recebeu a dignidade de cardeal do Papa Paulo VI.
Fato interessante é perceber como existe uma espécie de linha comum que vai enfileirando fatos, a uma primeira vista dispersos, numa linha de tempo de forte ligação.
Como o nascimento de um menino no município de Estrela, interior do Rio Grande do Sul, pode estar ligado àquilo que esse menino se tornaria, um cardeal da Igreja, que não se apegou ao título, fazendo dele uma forma apropriada de servir à Igreja por onde passou.
Os caminhos da vida e da fé traçados por Dom Aloísio Lorscheider, que o levaram ao posto de cardeal-presbítero pelo papa Paulo VI, no dia 24 de abril de 1976, há exatos 50 anos, mostram essa continuidade. Se fechasse os olhos quando criança, talvez o pequeno Aloísio Léo Arlindo Lorscheider tivesse dificuldade para encontrar paralelos entre sua cidade de origem e os lugares por onde passaria desde as fases de estudo e trabalho, passando pela atuação que o levaria a ser conselheiro dos papas no Vaticano.
Sua trajetória bastante singular celebra a história de um dos mais longevos arcebispos da Arquidiocese de Fortaleza (1973-1995), que conciliou o ofício na capital cearense com os ofícios na Igreja do Brasil, com a participação em dois conclaves que elegeram os papas João Paulo I e João Paulo II, e depois sua chegada em Aparecida (1996) como “o homem certo, no lugar certo, há hora certa”.
Em 28 de janeiro de 2004, sua renúncia foi aceita e, em 25 de março do mesmo ano, entregou a arquidiocese a Dom Raymundo Damasceno Assis, tornando-se arcebispo emérito de Aparecida. Retornou então para o Convento dos Franciscanos, em Porto Alegre, onde passou seus últimos dias. Faleceu às 5h30min do dia 23 de dezembro de 2007, no Hospital São Francisco, em Porto Alegre, depois de quase um mês de hospitalização.
Dom Aloísio e o Papa São João Paulo II
Dom Frei Aloísio Lorscheider, ou Cardeal Lorscheider, nasceu no dia 8 de outubro de 1924, em Picada Geraldo, município de Estrela (RS), filho de José Aloysio Lorscheider e Verônica Gerhardt Lorscheider. Depois do curso primário, ingressou em 1934 no seminário dos franciscanos, em Taquari, onde fez os cursos Ginasial e Colegial.
Em 1942, fez o noviciado e o primeiro ano de Filosofia no Convento São Boaventura, em Daltro Filho e Garibaldi. Em 1944, foi transferido para o Convento Santo Antônio, em Divinópolis (MG), onde terminou o curso de Filosofia e fez o curso de Teologia. Passou a adotar o nome religioso de Frei Aloísio, nome que conservou até o final de sua vida.
Foi ordenado sacerdote a 22 de agosto de 1948, lá mesmo em Divinópolis, passando por diversos serviços de sua ordem, no Brasil e em Roma, onde foi buscar especialização.
No dia 3 de fevereiro de 1962, foi nomeado pelo Papa João XXIII, bispo da recém-criada Diocese de Santo Ângelo (RS) onde passaria 11 anos.
Participou ativamente do Concílio Vaticano II (1963-1965), e em novembro de 1963, foi eleito para a Secretaria de União dos Cristãos. Como "padre conciliar" participou de todas as sessões do Concílio Vaticano II.
Terminado o Concílio, foi eleito Secretário Geral da CNBB, posto que lhe abriu o caminho para a presidência, que exerceu por dois mandatos seguidos, nos duros tempos da ditadura militar no Brasil, enquanto era também eleito presidente do Celam, atingindo o auge de sua influência no final do pontificado de Paulo VI, que o admirava muito e pedia com frequência sua ajuda competente. Foi também um dos baluartes da Assembleia Geral do Episcopado Latino-Americano em Puebla (1979) e deve-se muito a ele a linha e o conteúdo do seu documento final.
No dia 24 de abril de 1976, foi nomeado como Cardeal pelo Papa Paulo VI e, em 24 de maio, recebeu a investidura, com o barrete cardinalício, sob o título de São Pedro in Montorio. Tomou parte nos dois conclaves em 1978, que elegeram os papas João Paulo I e João Paulo II.
E aí se inscreve um obscuro capítulo da vida de Dom Aloísio, do qual se “ouve falar”, mas sobre o qual não há nenhuma confirmação. No conclave em que foi eleito papa o Cardeal Albino Luciani, Dom Aloísio era o cardeal que mais se destacava entre todos os que não eram italianos. E sobre ele se dirigiam as expectativas para a hipótese de ser eleito um cardeal que não fosse italiano. Consta que o próprio João Paulo I teria confidenciado seu voto em Dom Aloísio.
E por que, então, Dom Aloísio não foi eleito no conclave que se seguiu à repentina morte de João Paulo I? Aí entra outro episódio que alterou a situação. Infelizmente, nos dias que antecederam a morte de João Paulo I, Dom Aloísio teve uma crise cardíaca, enquanto pregava retiro aos padres da diocese de Santa Cruz do Sul. Superada a crise, foi para o conclave. Dizem que em Roma tinham até preparado uma cadeira de rodas para recebê-lo no aeroporto, para mostrar que este cardeal estava fora de combate! O episódio teve evidente repercussão. Morto um papa de repente, não iriam eleger um cardeal que tinha problemas cardíacos...
Porém, Dom Aloísio soube servir à Igreja com muita dedicação, mesmo não sendo papa. Tornou-se uma referência importante, por seu testemunho de humilde competência e serena coragem. Sua presença foi particularmente importante: para o povo simples, de quem foi pastor, como atestam centenas de testemunhos em Fortaleza e Aparecida, e para a CNBB, que ele qualificou com sua lúcida contribuição teológica, pastoral e administrativa.
Por isso mesmo, é justo que se recorde data tão significativa de seu centenário como cardeal da Santa Igreja de Cristo!
50 anos da proclamação de Dom Aloísio Lorscheider
O dia 24 foi marcado pelos 50 anos em que Dom Aloísio Lorscheider, de saudosa memória, recebeu a dignidade de cardeal do Papa Paulo VI. Leia abaixo e saiba mais!
Oração da Paz
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