Por Joana Darc Venancio Em Igreja Atualizada em 25 SET 2017 - 11H22

Educar é romper o olhar determinista do mal acreditando no desenvolvimento das potencialidades para o bem

Caros educadores: como é grande a tarefa que Jesus coloca em suas mãos. Não se entreguem à tentação de fracionar a verdade... Tenham amor pela verdade, pelo bem e pela beleza. Não caiam na tentação do fácil, que os tornam fracos. (p.21-22) 

Não é tarefa fácil ser educador! A partir da orientação firme de Papa Francisco, colocamo-nos intensamente a refletir. Quem aceita esta missão, muitas vezes, fica perplexo e fraco diante das árduas situações a serem enfrentadas. 

educacao bem

É exatamente pela existência dessas situações que somos chamados a educar. Jesus afirmou: "Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento" (Lc 5,32). Jesus, ao se aproximar dos considerados impuros, não os via somente na condição de pecadores, mas no que poderiam se transformar para o bem. Jesus enxergou o que não estava visível e fez com que cada um buscasse dentro de si, através d´Ele, as possibilidades de vida nova. Ao fazer com que o pecador tomasse consciência de si estabelecia uma relação entre o que ele era e o que poderia ser, não o reduzindo assim ao determinismo a ele intencionado. Eis uma grande lição que redimensiona nosso olhar.

Sendo uma tarefa colocada por Jesus em nossas mãos, a educação não pode ser canal para o fechamento da esperança, tampouco para o afastamento da responsabilidade humana na construção de seu tempo e de sua humanidade. Em seu livro que tem o título: “Educar: exigência e paixão desafios para educadores cristãos”, Papa Francisco, quando ainda era Cardeal Bergoglio, orienta aos que aceitaram a missão de educar (p.20). Diz ele: 

"Que cada pessoa que se una ao projeto para exercer seu papel de educador o faça em plena sintonia com o ideário, com disposição ao trabalho em comum, assumindo com responsabilidade o espaço que lhe cabe. E assim, cada um com suas peculiaridades, tornará a troca mais rica, servindo a um projeto maior e persistente. O projeto que é o de Deus para o homem. Uma atmosfera especial deve reinar. Marcada pela busca da sabedoria". 

 

"O nível de desenvolvimento do sujeito da educação não pode ser determinado apenas pelo que consegue produzir de forma independente em sua realidade real, mas o que ele pode realizar, caso suas potencialidades sejam por ele identificadas e apreendidas". 

Para não corrermos a tentação de fracionar a verdade e não cairmos no risco do caminho mais fácil, que nos torna fracos, precisamos ter bases sólidas e como educadores Católicos, devemos filtrar as Teorias educacionais, sem nos deixar confundir por elas e encontrar metodologias que ajudam a colocar em prática o olhar de Jesus sobre o “sujeito a ser educado”. Podemos, por exemplo, ver na Teoria de Vygotsky um respaldo interessante. O autor nos ajuda olhar o sujeito para além do que pensamos que ele é, mas o que ele pode vir a ser quando passa pelo processo educativo. Vygotsky chama de "Desenvolvimento Real" o que representa o estado atual do sujeito e as estruturas interiores que ele já possui, pois já foram construídas. A existência desse sujeito, revelada no cotidiano de suas experiências e vivências, proporcionarão oportunidade de construir novas estruturas. Essas novas estruturas, possíveis de serem construídas estão na “Zona de Desenvolvimento Proximal”. Nela Vygotsky identifica outro nível de desenvolvimento que, tanto quanto o nível real, deve ser considerada na educação, na formação do sujeito. O nível de desenvolvimento do sujeito da educação não pode ser determinado apenas pelo que consegue produzir de forma independente em sua realidade real, mas o que ele pode realizar, caso suas potencialidades sejam por ele identificadas e apreendidas.

Cabe à educação, em todos os seus espaços (Escola, Igreja, Família...) investir intensamente na Zona de Desenvolvimento Proximal, sem negligenciar o desenvolvimento real, mas fomentar pelos hábitos e atitudes e não apenas pela cognição, o sentido do bem e suas consequências na vida do sujeito e de sua sociedade. Neste contexto, Vygotsky nos convoca a atuar, pela Educação, nas potencialidades do indivíduo, potencialidades ainda não desenvolvidas, mas que podem vir a ser dependendo de suas relações, experiências e interações.

Escrito por
Joana Darc Venancio (Redação A12)
Joana Darc Venancio

Pedagoga, Mestre em educação e Doutora em Filosofia. Especialista em Educação a Distância e Administração Escolar, Teóloga pelo Centro Universitário Claretiano. Professora da Universidade Estácio de Sá. Coordenadora da Pastoral da Educação e da Catequese na Diocese de Itaguaí (RJ)

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