Por Joana Darc Venancio Em Igreja Atualizada em 22 MAR 2018 - 09H43

Educar na fé e pela fé: uma resposta à proposta do relativismo

“E Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens” (Lc 2, 52). Como seria bom podermos dizer que todos os que por nós foram e são educados, cresceram e crescem em Graça, estatura e sabedoria diante de Deus e dos homens.

Temos sido instrumentos de formação de sujeitos íntegros? Somos referenciais coerentes com os valores do Evangelho e da Igreja? Damos exemplo de ética, de moral? Disse Jesus: "Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais também vós" (Jo 13,15). Podemos fazer essa afirmação sobre nosso comportamento?

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A Igreja, através de muitos documentos dedicados à Educação, tem se preocupado com a “emergência educativa”. Ela nos chama a refletir intensamente sobre os grandes desafios de educar. Desafios intensificados neste contexto histórico que nos confunde que nos desestabiliza e nos faz acreditar e defender o relativismo como princípio democrático, sem que percebamos a força devastadora do mesmo. O relativismo está matando as grandes e eternas verdades dos valores cristãos, éticos e morais.

Nossa resposta à proposta do relativismo deve ser a Educação na fé e para a fé. Esta não é missão fácil! É missão desafiadora, que exige coerência. Exige o testemunho e o exemplo daquele que pretende educar. Educar na está nos primórdios do Evangelho e nos fundamentos da Igreja.

Quando não assumimos a Educação na fé e para , colaboramos para que o relativismo se mantenha e nos arraste para a defesa dos “tempos líquidos”, inclusive dando força ao ateísmo e a desesperança.

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O Catecismo da Igreja Católica (§2125) orienta sobre a necessidade da Educação na e para a fé, nos apresenta e reflete as consequências de quando negligenciamos esta missão:

Na medida em que rejeita ou recusa a existência de Deus, o ateísmo é um pecado contra a virtude da religião. A imputabilidade desta falta pode ser seriamente diminuída em virtude das intenções e das circunstâncias.

Na gênese e difusão do ateísmo, "grande parcela de responsabilidade pode caber aos crentes, na medida em que, negligenciando a educação da fé, ou por uma exposição enganosa da doutrina, ou por deficiência em sua vida religiosa, moral e social, se poderia dizer deles que mais escondem do que manifestam o rosto autêntico de Deus e da religião".

O sentimento da esperança faz a sintonia entre a Teologia (Os fundamentos de nossa Fé) e a Pedagogia (as práticas educacionais). Ambas deveriam estar em busca, através da Educação, do sentido da existência e para qual é necessário redimensionar a condição humana.

É na esperança, que vem da fé, que se refaz a religação da humanidade ao sentido próprio de sua existência, que para o cristão é a ligação com Jesus. Daí a importância de nosso conhecimento profundo sobre o pensamento da Igreja Católica Apostólica Romana acerca da educação e da formação humana. Daí a importância e urgência da Educação na fé e pela fé.

Leia MaisEducação a distância também é obra educativaOs ensinamentos da Igreja acerca da educação possibilita refazer a reflexão, superar as contradições, evidenciar novas perguntas e acrescentar novas dimensões à formação humana. A ligação com a transcendência não pode perder de vista a íntima ligação com a realidade do sujeito.

Os ensinamentos da Igreja acerca da educação possibilita refazer a reflexão, superar as contradições, evidenciar novas perguntas e acrescentar novas dimensões à formação humana.

Neste sentido, a existência e as vivências humanas para os educados na e pela fé, não são consideradas como fatalidades, mas escolhas claras e reais.

Se eu escolho ser reto vou pronunciar e executar a retidão. “Diante de ti ponho a vida e ponho a morte, mas tens que saber escolher” (Dt 30, 19). A deliberação é a capacidade de escolher a própria condição. Quem escolhe a retidão, escolhe a vida!

E Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens (Lc 2, 52). No entanto, toda sociedade e particularmente a família e a escola, têm sofrido as consequências de um modelo cada vez mais líquido e relativista, onde as “grandes verdades” estão sendo diluídas em nome da efemeridade e da superficialidade.

Bento XVI, nosso querido Papa Emérito, chamava-nos e chama insistentemente a ter cuidado com a “ditadura do relativismo”, pois este deixa cada um, como medida de si mesmo. Quando nos colocamos como medida de nós mesmos, também nos colocamos a favor do individualismo e da efemeridade, permitindo assim, que Deus seja banido de nossa existência, já que Deus é amor e é eterno.

A ditadura do relativismo não tem consequência somente particular, mas envolve toda a sociedade colocando em perigo a convivência e nossa condição humana. Pelo relativismo todas as concepções éticas e morais são entendidas como produtos históricos e culturais. Sendo assim, não há verdade absoluta. Tudo que é absoluto e duradouro é considerado como maléfico à sociedade. Deus é absoluto, logo precisa ser descartado. A , a família, a religião, os valores éticos e morais, podem ser descartados. Dessa forma é implantada a sociedade da barbárie, da anomia, do ateísmo e da desesperança.

Escrito por
Joana Darc Venancio (Redação A12)
Joana Darc Venancio

Pedagoga, Mestre em educação e Doutora em Filosofia. Especialista em Educação a Distância e Administração Escolar, Teóloga pelo Centro Universitário Claretiano. Professora da Universidade Estácio de Sá. Coordenadora da Pastoral da Educação e da Catequese na Diocese de Itaguaí (RJ)

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