Por Raquel de Godoy Retz Em Igreja

‘Eu falo, falo e meus filhos não me ouvem’

Você é do tipo que repete a informação? Você é do tipo que diz uma só vez, com cara de bravo e espera que seus filhos façam exatamente como ordenou? Você dialoga expondo seus argumentos e deixa que seu filho tome a decisão final?

A arte da boa comunicação envolve inúmeras variáveis, que alguns pais podem não conhecer e assim comprometer a qualidade e a eficácia do diálogo com seus filhos.

pais e filhos

Sabemos que a clareza da mensagem bem como a disposição do mensageiro e do receptor em transmitir e acolher a mensagem, respectivamente, é fundamental, mas vale lembrar que a comunicação está mergulhada num espaço repleto de sentimentos, que filtram a mensagem emitida.

O mais importante da comunicação em família é a transmissão de sentimentos, valores, pensamentos e reflexões significativas para a formação das crianças, bem como para fortalecer os vínculos afetivos.

A criação de um clima ou um ambiente adequado, no qual a comunicação em família tenha sucesso não é uma tarefa fácil para os pais, sobretudo com a falta de tempo, a multiplicidade de informações atuais, a desvalorização da opinião dos pais em comparação com a força das mídias e a dificuldade em lidar com as frustrações. Estas características muitas vezes são atribuídas ao tempo “pós- moderno” ou ao atual momento, em que vivemos.

Nossa atenção sobre alguns tópicos pode nos ajudar a melhorar a qualidade do diálogo em família.

- Manter a abertura de mente: Sentir-se à vontade para partilhar o que se pensa, esclarecer dúvidas, expressar sentimentos, propor novas ideias ou contar as preocupações de forma livre e com a segurança de que qualquer destas mensagens será respeitada sem que passe por julgamentos prévios como preconceitos.

- Garantir disponibilidade de tempo: Iniciar uma conversa e ser interrompida é sempre ruim, mas pode ocorrer. Sabendo-se que depois o assunto será retomado com tempo para argumentações e exposição de vários pontos de vista, ameniza a questão. O problema está em nunca ter tempo. Os assuntos mais complexos, sobretudo para a adolescência como sexualidade, drogas, namoros ou mesmo questionamentos religiosos precisam de tempo para garantir confiança e abordagem cautelosa. É comum que estes assuntos não sejam abordados completamente e esta prática pode causar má compreensão da mensagem ou mesmo indicar que os pais não desejam abordar o assunto.

- Valorizar diferentes pontos de vista: Pensar diferente é o que mais encontramos, sobretudo entre um adulto e um adolescente ou criança. Mas, para qualquer pessoa, saber que seu ponto de vista é valorizado, mesmo que não seja compartilhado, é fundamental. Saber que meu pensamento, quando expresso foi ouvido, refletido, valorizado e somente depois, argumentado e “vencido”, já abre portas para compreender a versão do outro.

Pais autoritários e pais permissivos ou negligentes perdem o controle sobre exigências e a dosagem certa de carinho, ingredientes que possibilitam uma comunicação focada em transmitir valores, garantindo o desenvolvimento e autonomia dos filhos.

Não é necessário que o adulto goste e compartilhe das ideias e vontades dos adolescentes, mas que seja capaz de compreender e respeitar estas ideias, para abrir diálogo e assim, com argumentos claros e afeto, auxiliá-lo no seu desenvolvimento.

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