Por Elisangela Cavalheiro Em Igreja Atualizada em 17 JAN 2019 - 15H34

Lavagem do Bonfim reúne milhares de devotos em Salvador

Shutterstock.
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Tradicional igreja do Senhor do Bonfim, em Salvador (BA)



A maior manifestação religiosa popular da Bahia, a Lavagem do Bonfim, que desde 2014 é chamada de Lavagem de Corpo e Alma pela Arquidiocese de Salvador, ocorre nesta quinta-feira (17), dentro dos festejos em honra do Senhor Bom Jesus do Bonfim. 

O reitor da Basílica Santuário Senhor Bom Jesus do Bonfim, padre Edson Menezes da Silva, conversou com o A12 sobre como o Santuário acolhe a presença de tantos grupos e denominações religiosas que integram esse festejo popular. O reitor contou ainda como surgiu a história dessa devoção e descreveu as diversas manifestações religiosas que o povo baiano presta ao Senhor do Bonfim, o Senhor Ressuscitado

Ouça entrevista com o reitor:

Com uma programação inclusiva, o reitor do Santuário afirma a importância da proximidade da Igreja com todos os fiéis e grupos que homenageiam o Senhor do Bonfim nesses dias.  

"A Lavagem do Bonfim é um grande acontecimento, que tem uma característica ecumênica, que favorece o diálogo inter-religioso, a convivência e o encontro pacífico entre representantes e membros de diversas religiões e diversos países do mundo. É um grande encontro de unidade na diversidade. Nós entendemos que é algo natural, que foi sendo construído durante a história. Nós valorizamos todo o acontecimento e toda a diversidade existente e que se expressa, e estamos procurando marcar presença e ficar no meio do povo. E, estando no meio do povo, favorecermos e possibilitarmos o diálogo com a Igreja e com o Santuário, respeitando as manifestações de fé de cada pessoa", assinalou o reitor na entrevista. 

O reitor lembrou, ainda, a iniciativa do Santuário e da Arquidiocese que ocorre desde 2014, com a integração dessas manifestações dentro da programação religiosa

"A Lavagem, durante muito tempo, foi entendida pelos reitores do Santuário e também pela Arquidiocese como um evento profano. Então, aqueles que dirigiam o nosso Santuário fechavam as portas da Basílica e deixavam que tudo pudesse acontecer aqui na praça. Logo que cheguei, tomei a decisão de acolher, de dizer uma palavra, de saudar os participantes e de transmitir uma bênção, o que aconteceu no ano de 2009. Depois, percebi que nós devíamos marcar presença e, no ano de 2014, começamos a conversar e tivemos essa ideia de dar um nome à nossa caminhada, de forma que ela tivesse uma identificação. Então demos esse nome de 'Lavagem de Corpo e Alma', entendendo que a caminhada tem uma característica penitencial e orante. Nós constatamos que existe uma parte profana, mas uma boa parte do povo baiano encara a lavagem e entende que, naquele dia, é também um dia em que se deve manifestar a devoção ao Senhor do Bonfim, e muitos caminham com esse propósito", acrescenta. 

A imagem do Senhor do Bonfim é representada pelo Cristo na cruz. Entretanto, o reitor explica que a devoção ao Senhor do Bonfim indica o Cristo Ressuscitado. "É uma devoção a Jesus Ressuscitado, para que, assim como Jesus, nós tenhamos todos um 'bom fim'", afirma. 

Gildo Lima/Santuário.
Gildo Lima/Santuário.
Imagem do Senhor do Bonfim revela Cristo na cruz, mas exalta a ressurreição.



História da devoção e programação dos festejos

O culto ao Senhor Bom Jesus do Bonfim, na Bahia, surgiu em 1745, com o Capitão de Mar e Guerra, o português Teodósio Rodrigues de Faria. Devoto do Senhor do Bonfim, depois de sobreviver a uma tempestade em alto mar, prometeu construir uma igreja em honra ao Cristo Crucificado, e assim procedeu, tornando-se assim o primeiro ex-voto dessa devoção

A Festa do Senhor do Bonfim teve início com uma associação leiga católica no mesmo ano. Mas cinquenta anos depois, mulheres de uma irmandade religiosa começaram a lavar a igreja, fato que depois ganhou a adesão de membros de outras expressões religiosas, e a festividade ganhou, então, um aspecto cultural. Diante dessa mistura de crenças, a Igreja fechou a capela para essa manifestação popular.

Em 2009, a Arquidiocese e o Santuário iniciaram um trabalho de evangelização, acolhida e diálogo ecumênico e inter-religioso com esses grupos e, cinco anos depois, em 2014, passou a realizar o que chamam de 'Lavagem de Corpo e Alma', que congrega todos os devotos e grupos na procissão de oito quilômetros da Igreja da Conceição da Praia, no Comércio, até a Igreja do Bonfim, com direito a bênção e aspersão dos fiéis.

O cortejo das baianas, bem como a lavagem das escadarias, continua ocorrendo dentro da programação, sendo antecedido por um ritual de bênção e apresentação da imagem do Senhor do Bonfim. A programação encerra com a exposição da Imagem Peregrina do Senhor do Bonfim próxima à porta principal da Basílica, para veneração pública dos fieis. A partir deste momento, todo o povo tem acesso ao adro da Basílica Santuário do Senhor do Bonfim.

A solenidade principal ocorre sempre no domingo após a Lavagem, com missa. A Procissão dos Três Pedidos, no fim da tarde, encerra a intensa programação festiva. 

"A gente precisa abrir as nossas portas, a gente precisa acolher e a gente precisa aproveitar para evangelizar, e é exatamente isso que eu faço", finaliza o reitor. 

Acesse o site do Santuário para outras informações: www.santuariosenhordobonfim.com. 

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