Igreja

Novas cruzes não são respostas para paz

Escrito por Redação A12

11 FEV 2021 - 08H44 (Atualizada em 11 FEV 2021 - 10H07)

A Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) 2021 quer nos ajudar a refletir sobre encontrar caminhos de comunhão. O tema "Fraternidade e Diálogo: Compromisso de amor" tem inspiração em (Ef 2-14): "Cristo é a nossa paz: Do que era dividido fez unidade"

No primeiro capítulo do texto-base, é possível ver um trecho que chama muito atenção ao falar de novas "cruzes", principalmente quando diz que elas não são respostas para paz. Lê-se uma contextualização que lembra o fato de que a cruz era um grande instrumento de violência na época de Cristo, era a pena de morte.

A ordem era mantida na base da violência e no autoritarismo do Império Romano. A religião ditava e fazia a manutenção da hierarquia social. Era a forma de manter o controle sobre a vida das pessoas, em especial os mais pobres, que, pela opressão que sofriam, poderiam causar problemas ao Império.

Era a Lei quem separava os puros dos impuros, que taxava os doentes de pecadores, que silenciava as mulheres, miseráveis e órfãos. Jesus, então, questionou toda esta realidade de desigualdade e poder que descarta pessoas e, infelizmente, permanece até hoje.

Leia MaisCFE: Converter-se ao diálogo, comprometer-se com o amor e redescobrir a paz4 pontos para viver bem a Campanha da Fraternidade 2021Aqui no Brasil, na atualidade observa-se um sistema tão cruel quanto aquele de 2.000 anos no Império Romano. Mudam-se os personagens, a cultura, o local, mas o enredo é parecido.

Podemos citar:

 - Violência e repressão contra negros e pobres;

- A não regulamentação de territórios para povos indígenas;

- Não adoção de medidas efetivas de combate à Covid-19;

- Descarte e não acolhimento à juventude negra, mulheres, povos tradicionais, imigrantes, grupos LGBTQIA+, etc.;

Estes exemplos acima são apenas um aperitivo de tantas outras formas de violência. Segundo o texto-base, todas as cruzes são agudas quando constata-se dados do Atlas da Violência doméstica 2020, publicado pela IPEA, que mostra que as Mortes Violentas por Causas Determinadas (MVCI) aumentaram 25% desde 2017. Para citar apenas um exemplo, em 2018, a morte de negros representou 75,7% das vítimas de homicídios, o que revela também a desigualdade racial. 

Chacinas também são recorrentes no Brasil e atingem pessoas em situação de vulnerabilidade social e econômica e a grande maioria dos casos não tem solução. Este é apenas um de centenas de exemplos que podem ajudar a entender a atual conjuntura social brasileira. 

.:: Não caia na intolerância, na falta de diálogo, na superficialidade ou em mentiras. Adquira o Texto-base da CFE 2021

Vale lembrar que...

A Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) é proposta pela CNBB como parte do itinerário quaresmal em preparação para celebrar a Páscoa do Senhor. Em conjunto com as demais Igrejas-membro do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), a CFE 2021 é a quinta edição ecumênica dessa iniciativa que fortalece a caminhada da Igreja conforme o convite de São João Paulo II na carta encíclica Ut Unum Sint. 

A CFE 2021, portanto, convida à conversão ao diálogo e ao compromisso de amor

“A Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021 quer ser um convite para viver um jejum que agrada a Deus e que conduz à superação de todas as formas de intolerância, racismo, violências e preconceitos. Queremos que nosso arrependimento contribua para assumirmos outras posturas em relação a cada pessoa que encontrarmos ao longo do caminho e que, ao longo dos 40 dias da Quaresma, nos perguntemos se nossa prática cristã promove a paz ou potencializa o ódio. Esperamos que este seja um tempo que nos ajude a testemunhar e anunciar com a própria vida que Cristo é a nossa paz, adotando comportamentos de acolhida, de diálogo, de não violência e antirracistas, diz a CNBB em seu portal.

.:: Uma Campanha da Fraternidade Ecumênica para tempos difíceis 

.:: Dom Odilo comenta polêmicas que envolvem a CFE 2021

Fonte: Com informações do Texto-Base da CFE 2021 e do Portal da CNBB

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