Por Joana Darc Venancio Em Igreja Atualizada em 25 SET 2017 - 11H22

Os Professores de Ensino Religioso precisam de apoio

Os Professores de Ensino Religioso precisam de apoio. Não vamos deixar apagar o pavio que fumega (Is 42, 3)  

Ensinar, em algumas concepções pedagógicas, passou a ser definido como ação minimizada que se reduz à instrumentalização. Se precisamos aprender algo, dependemos do ensino. Jesus ensinava! Ensinou Bem Aventuranças (Mt 5,1-11); ensinou quem é o maior no Reino (Mt 18,1-35); ensinou a perdoar (Lc 15,11-32)ensinou o amor (Mt 5,43-48); ensinou a rezar (Lc 11,1-4); ensinou no Templo (Lc 2,39–52 ); ensinou percorrendo a Galileia (Mt 4, 23-24). São inúmeras passagens que apresentam Jesus ensinando.

professor ensino religioso
São muitos os professores que se sentem enfraquecidos e já não têm coragem
de afirmar publicamente sua condição de Professor de Ensino Religioso. 

Poderíamos evitar tragédias, desespero, relativizações, angústias e incertezas, se aprendêssemos plenamente, os ensinamentos da Palavra de Deus e da Igreja. Vivemos em um tempo conturbado. Tempo de relativização, de perseguição e de rejeição das verdades absolutas. Tempos de banalização da vida, da família, da Educação, da autoridade, da religião, e de Deus.

Refletindo sobre ensino, vamos voltar nosso olhar para o Ensino Religioso. O Documento nº 47 da CNBB: “Educação, Igreja e Sociedade”, esclarece: 

O Ensino Religioso escolar visa à educação plena do aluno, a formação de valores fundamentais através da busca do transcendente e da descoberta do sentido mais profundo da existência humana, levando em conta a visão religiosa do educando. O Ensino Religioso deve encaminhar os alunos para a respectiva comunidade de fé, onde nas Igrejas cristãs se dá a evangelização, através da Catequese, da celebração, da prática e da vivência religiosa. 

Como estão os professores que disseram sim à tão significativa missão? Eles têm nossa solidariedade e estímulo? Muitos estão nas Escolas Católicas e recebem apoio das Instituições, mas ainda assim, pela força do contexto histórico, são desafiados na árdua missão de convencer sobre a importância do que ensinam.

A situação é mais difícil e desafiadora, quando nos reportamos aos Professores de Ensino Religioso dos sistemas públicos dos vários estados do Brasil. São diversas realidades e em algumas, estão entregues às próprias condições, levando à frente a missão. Esses Professores podem ser considerados Profetas! Em muitos casos, são minimizados em seu papel e lugar por ensinarem sobre "Aquele que nos ensinou". Além disso, enfrentam o "dragão” furioso da ideologia do estado laico, confundido com estado ateu, que com todas as suas armas e exército, combate com eles.

 

"É preciso espalhar por todo o território nacional, uma "onda” de apoio, de solidariedade e de valorização dos Professores de Ensino Religioso. Eles ensinam o essencial".

São muitos os professores que se sentem enfraquecidos e já não têm coragem de afirmar publicamente sua condição de Professor de Ensino Religioso. Muitos, pela força das circunstâncias, acabam caindo nas armadilhas e cedem às pressões. Em alguns casos, solicitam a troca de função, passando a ser professor de outras disciplinas.

Esta reflexão, mais do que um artigo acadêmico, é um convite para que busquemos os Professores de Ensino Religioso de nossos espaços. Vamos ao encontro deles! Vamos oferecer nosso apoio e incentivo. Vamos ajudá-los na missão, que não é só deles, mas de todos nós. Vamos tornar público nosso reconhecimento. Não vamos deixá-los sozinhos enfrentando o dragão, que está cada vez mais forte alimentado pelas ideologias da perseguição aos Cristãos.Vamos garantir aprendizagens que combatam o dragão.Não vamos deixar apagar o pavio que fumega” (Is 42, 3).

Evidente que, em muitos lugares, o acompanhamento e o incentivo já ocorrem de forma sistemática e organizada. No entanto, é preciso espalhar por todo o território nacional, uma "onda” de apoio, de solidariedade e de valorização dos Professores de Ensino Religioso. Eles ensinam o essencial.

Vivemos tempos de estreitamento das Verdades Cristãs. Todos os dias, em muitas situações, somos agredidos em nossas escolhas, em nossa forma de compreender e viver os valores. Nossos espaços estão sendo reduzidos e avança aceleradamente a defesa do estado laico, geralmente e intencionalmente mal interpretado, como estado ateu. O estado é laico, mas a humanidade não é! Estado laico não significa a destruição da dimensão religiosa, que é inerente à humanidade. Tampouco significa a promoção do ateísmo. A humanidade tem relação com a transcendência e essa não pode ser abolida por leis ou ideologias. Romper com a dimensão religiosa é fragmentar e ferir a condição humana. A Congregação para a Educação Católica na Carta Circular sobre o ensino da Religião na Escola no nº 10, afirma: 

O ensino da religião na escola constitui uma exigência da concepção antropológica aberta à dimensão transcendental do ser humano: é um aspecto do direito à educação (conforme Catecismo, 799). Sem esta disciplina, os alunos estariam privados de um elemento essencial para a sua formação e desenvolvimento pessoal, que os ajuda a atingir uma harmonia vital entre a fé e a cultura. 

Já se aproxima o tempo, em que como os primeiros cristãos, teremos que nos reunir escondidos nas novas catacumbas com medo da perseguição. Não é possível afirmar que têm sido assim com todos os Professores de Ensino Religioso do Brasil, mas já temos notícias, de muitos, que estão enfrentando dificuldades no propósito de ensinar sobre Jesus. Os Professores que resistem, assim como os Primeiros Cristãos, estão entrando nas "pequenas e escondidas catacumbas" para manterem viva a esperança. Vamos entrar nas Catacumbas com eles e garantir a divulgação da Verdade Cristã. Quando sairmos delas, estaremos firmes para publicamente expor nossa fé e expulsar o dragão. 

Escrito por
Joana Darc Venancio (Redação A12)
Joana Darc Venancio

Pedagoga, Mestre em educação e Doutora em Filosofia. Especialista em Educação a Distância e Administração Escolar, Teóloga pelo Centro Universitário Claretiano. Professora da Universidade Estácio de Sá. Coordenadora da Pastoral da Educação e da Catequese na Diocese de Itaguaí (RJ)

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