Por Polyana Gonzaga Em Igreja Atualizada em 28 OUT 2019 - 14H40

"Escutar o clamor dos pobres é o clamor de esperança da Igreja", diz Papa Francisco

A Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Pan-Amazônia encerrou-se neste domingo (27). Desde o primeiro domingo de outubro, bispos dos nove países que compõem a Pan Amazônia estiveram reunidos junto ao Papa Francisco para sugerir e apontar novos caminhos para a Evangelização na região Amazônica.

Hoje o Papa Francisco presidiu a missa de encerramento do Sínodo dos Bispos, na Basílica de São Pedro. Em sua homilia, o Papa falou sobre escutar as vozes dos pobres e refletir sobre a precariedade de suas vidas, ameaçadas por modelos de progresso predatórios.

"Precisamente nessa situação, muitos de nós testemunharam que é possível olhar a realidade de modo diferente, acolhendo de mãos abertas, como uma dádiva, habitando na criação, não como meio a ser explorado, mas como a casa a ser ser guardada, confiando em Deus. (...) Quantas vezes, mesmo na Igreja, as vozes dos pobres não foram escutadas, acabando talvez silenciadas. Rezemos pedindo a graça de saber escutar o clamor dos pobres: é o clamor de esperança da Igreja. Assumindo nós o seu clamor, também a nossa oração atravessará as nuvens". 

O Sínodo da Amazônia

Buscando uma contribuição da Igreja à Ecologia Integral, o Sínodo destacou a participação de indígenas, leigos e, principalmente, das mulheres.

O documento final foi aprovado no sábado à noite (27), por quase unanimidade entre os padres sinodais. Os apontamentos ficam nas mãos do Papa Francisco, que deve decidir os rumos da evangelização na região. Filho da ‘Laudato Si’, como já disse o próprio Papa Francisco, o Sínodo traz para a Igreja um rosto amazônico.

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Rosto Amazônico

Polyana Gonzaga/ A12
Polyana Gonzaga/ A12


Dom Evaristo Spengler, bispo da Prelazia do Marajó, no Pará, explica que uma Igreja com rosto amazônico é uma Igreja mais que enculturada, que saiba dialogar com culturas diferentes.

“Antes do Concílio Vaticano II, o conceito era de que a Igreja evangelizava a partir de sua própria cultura. Hoje, o conceito é evangelizar nas culturas, e não mudando a cultura e a língua dos povos originários, mas aproveitar as sementes do verbo já presentes nessa cultura e levar a luz do Evangelho, anunciando explicitamente a Jesus Cristo, completou.

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A mulher no Sínodo

A doutora em Sociedade e Culturas Amazônicas, especialista em Sociedade e Fronteiras e História da Igreja na Amazônia, professora Márcia de Oliveira, participou de todo o processo sinodal como perita.

Ela destacou que o ponto alto do Sínodo foi a oportunidade de compartilhar diversas experiências, sonhos e esperanças.

Polyana Gonzaga
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“Uma Igreja das periferias, das bases. É uma Igreja onde estão presentes os povos indígenas. Não dá para falar da participação das mulheres sem considerar as mulheres indígenas. De maneira especial, para mim, o ponto forte foi a mulher indígena. Essas mulheres que trouxeram emoção, coração e, ao mesmo tempo, tanta razão, conteúdo e sua luta para compartilhar conosco”.

A Igreja pós-sínodo da Amazônia

Ainda segundo Márcia, o sínodo foi um momento em que conseguimos trazer para o debate elementos que estavam bastante ‘evitados’ por alguns setores da Igreja, em especial alguns setores mais conservadores. “Mas não há como negar que, de fato, temos uma Igreja indígena, uma Igreja com rosto de mulher, uma Igreja das periferias, uma Igreja com rosto de migrante. É preciso considerar todos esses elementos e repensar a Igreja a partir dessas diferenças. Essa é a grande contribuição que o Sínodo traz para toda Igreja: pensar a Igreja a partir dessa diversidade. Em pleno século XXI, nós somos marcados pela diversidade e, ao mesmo tempo, marcados pelos desafios de respeitar essas diferenças e reconhecer que das periferias podem vir elementos muito bons”.

Documento final

Márcia afirmou que o documento final contempla toda essa pluralidade. “É um documento muito respeitoso com as diferenças, com os processos da Igreja nessas realidades. Cabe ao Papa Francisco pensar a exortação apostólica a partir desses elementos, que contribuirão para sonhar uma Igreja nessa região, nessa perspectiva. Hoje, reconhecer as diferenças, respeitá-las e integrá-las à vida da Igreja é um dos grandes desafios e a retomada do Evangelho de Jesus Cristo de acolher a todos, sem distinção, e alcançar uma Igreja onde todos têm lugar. É a hora e a vez daqueles que estavam excluídos de alguns serviços, alguns ministérios. São elementos importantes, que nos fazem repensar os rumos da ação pastoral e reintegrar quem estava deixado de lado”.

Se preferir, ouça:

Entenda o que foi Sínodo para a Amazônia

O anúncio do Sínodo aconteceu no dia 15 de outubro de 2017, na Praça São Pedro, em Roma, logo após a canonização dos protomártires brasileiros de Cunhaú e Uruaçu e de dois adolescentes indígenas mexicanos mártires.

Na ocasião, o Pontífice falou sobre uma Igreja com rosto amazônico e pediu aos bispos brasileiros “para serem corajosos, para terem ousadia”.

:: Por que o Papa convocou o Sínodo para a Amazônia?

O Sínodo nada mais é que uma reunião convocada pelo Papa a cada quatro anos, reunindo no Vaticano uma parcela dos bispos do mundo inteiro. Estes são chamados de Sínodos Ordinários.

Se sentir necessidade de estudar um assunto ou uma realidade com mais profundidade, o Papa também pode convocar Sínodos extraordinários, como aconteceu com o Sínodo dos Bispos sobre a Família, em outubro de 2015.

Além do Papa, participaram do Sínodo os bispos eleitos representantes episcopais pelas suas respectivas conferências e que tenham as indicações aprovadas pelo Papa.

No Sínodo Amazônico, reuniram-se bispos e padres sinodais de nove países que compõem a região Pan-Amazônica: Brasil, Peru, Bolívia, Colômbia, Equador e Venezuela, Suriname, Guiana e Guiana Francesa), além de lideranças indígenas, lideranças de outras igrejas cristãs, religiosos e leigos.

:: O que é e quem participou do Sínodo para a Amazônia?

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