Por Polyana Gonzaga Em Santo Padre Atualizada em 28 AGO 2019 - 18H48

Por que o Papa convocou o Sínodo para a Amazônia?

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Encontro do Papa Francisco com os povos da Amazônia em Puerto Maldonado, no Peru.


No mês de outubro, o
Papa Francisco vai colocar a Pan-Amazônia no centro das atenções da Igreja, com o Sínodo para a Amazônia. Serão 22 dias de debates acerca do tema ‘Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral’.

O Papa reunirá no Vaticano, entre os dias 6 e 27 de outubro, bispos dos nove países que abrangem a região Pan-Amazônica. Desse território, em números arredondados, 67% pertence ao Brasil, 13% ao Peru, 11% à Bolívia, 6% à Colômbia, 2% ao Equador e 1,1% à Venezuela, Suriname, Guiana e Guiana Francesa.

O anúncio do Sínodo aconteceu no dia 15 de outubro de 2017, na Praça São Pedro, em Roma, logo após a canonização dos protomártires brasileiros de Cunhaú e Uruaçu e de dois adolescentes indígenas mexicanos mártires.

“Acolhendo o desejo de algumas Conferências Episcopais da América Latina, assim como ouvindo a voz de muitos pastores e fiéis de várias partes do mundo, decidi convocar uma Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a região Pan-amazônica. O Sínodo será em Roma, em outubro de 2019. O objetivo principal desta convocação é identificar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, especialmente dos indígenas, frequentemente esquecidos e sem perspectivas de um futuro sereno, também por causa da crise da Floresta Amazônica, pulmão de capital importância para nosso planeta. Que os novos Santos intercedam por este evento eclesial para que, no respeito da beleza da Criação, todos os povos da terra louvem a Deus, Senhor do universo, e por Ele iluminados, percorram caminhos de justiça e de paz, afirmou o Papa em seu discurso.

O Arcebispo emérito de São Paulo, Cardeal Dom Cláudio Hummes, em seu recente livro ‘O Sínodo para a Amazônia’, revela que a decisão do Papa de realizar o Sínodo para a Amazônia resulta de um processo gradual, que se iniciou em 2013, durante a sua viagem ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro.

“Quero convidar a todos a refletirem sobre o que Aparecida disse a propósito da Amazônia, incluindo o forte apelo ao respeito e à salvaguarda de toda criação que Deus confiou ao homem, não para que explorasse rudemente, mas para que a tornasse um jardim” (Discurso do Papa na JMJ 2013)

Na ocasião do discurso citado acima, o Pontífice fala sobre uma Igreja com rosto amazônico e pede aos bispos brasileiros “para serem corajosos, para terem ousadia!”.

Em 2007, quando esteve no Brasil para abertura da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho (CELAM), o então Papa Bento XVI, em discurso aos jovens no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, chamou a atenção para a devastação ambiental da Amazônia e as ameaças à dignidade humana de seus povos e pediu aos jovens “um maior compromisso nos mais diversos espaços de ação”.

:: Dom Cláudio Hummes fala sobre o Sínodo da Amazônia

O Documento de Aparecida, texto conclusivo da V Conferência, realizada em Aparecida (SP), em 2007, refere-se à Amazônia ressaltando a exclusão dos indígenas e crescente depredação da natureza. Na época, o Papa Francisco participou da conferência ainda como Cardeal Arcebispo de Buenos Aires.

Leia MaisPapa afirma que Sínodo sobre Amazônia não é parlamento, nem reunião de cientistas ou políticos“Nas decisões sobre as riquezas da biodiversidade e da natureza as populações tradicionais têm sido praticamente excluídas. A natureza foi e continua sendo agredida. A terra foi depredada. As águas estão sendo tratadas como se fossem uma mercadoria negociável pelas empresas, além de haver sido transformadas em um bem disputado pelas grandes potências. Um exemplo muito importante nesta situação é a Amazônia”. (Documento de Aparecida, 84).

Ainda segundo Dom Cláudio Hummes, por todas essas razões o Sínodo para a Amazônia será um acontecimento histórico e cheio de esperanças neste ano de 2019.

"Será em Roma, para que o Papa possa estar todos os dias conosco neste Sínodo e possa assim repercutir no mundo inteiro a importância da missão na Igreja, dos missionários de tantos séculos, mas sobretudo, os atuais, e todo o povo da Amazônia, nós da Igreja no Brasil e dos demais países da Pan-Amazônia”, afirmou Dom Cláudio.

:: Veja outros conteúdos sobre o sínodo da Amazônia em A12.com/sinododaamazonia


Fonte:

  • Documento de Aparecida: Texto conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe.
  • HUMMES, Cláudio. Sínodo para a Amazônia: São Paulo: Paulus, 2019. Coleção Comunidade e Missão.
  • w2.vatican.va
  • Vatican News
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