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A crise entre a Rússia e a Ucrânia e seus novos desdobramentos

Governo russo postou tropas na fronteira com o vizinho, querendo que a Otan não inclua a Ucrânia como membro, o que a organização não aceita

Padre Inácio Medeiros C.Ss.R. (Juan Ribeiro)

Escrito por Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R

25 JAN 2022 - 11H21 (Atualizada em 25 JAN 2022 - 11H52)

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Nas últimas semanas, estamos acompanhando os desdobramentos de mais uma crise internacional, com o exército russo se preparando para invadir a vizinha Ucrânia.

A crise é tão forte e tão preocupante que o Papa Francisco, sempre antenado em tudo o que acontece no mundo, clamou aos cristãos para que se faça um dia especial de oração em favor da paz na região, neste dia 26 de janeiro.

Os antigos inimigos da União Soviética, como os Estados Unidos e os países europeus membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), estão esperando algum tipo de movimento militar de Moscou, que já deslocou milhares de soldados para a fronteira com o país do Leste Europeu.

Motivos da crise

A Rússia está esperando uma promessa do Ocidente de que a Ucrânia não fará parte da Otan, a aliança militar ocidental. Mas, ao que tudo indica, esse desejo russo não será atendido.

Antes disso, no mês de março de 2014, a ocupação da Crimeia por tropas russas, fez com que os conflitos se acirrassem e a região acabou se transformando num verdadeiro barril de pólvora. A Criméia é uma república autônoma, localizada no interior da Ucrânia.

Os acontecimentos do passado e a crise do presente só fazem por acentuar a importância estratégica dessa região para a Rússia e para a Europa.

Há tempos a Rússia vem tentando barrar qualquer movimento da Ucrânia em direção das instituições europeias e da Otan, em particular. A Ucrânia faz fronteira tanto com a União Europeia como com a Rússia, mas sendo uma ex-república soviética, tem profundos laços sociais, linguísticos e culturais com a Rússia. O idoma russo é amplamente falado na Ucrânia.

O que vai acontecer a partir de agora pode colocar em risco toda a estrutura de segurança da Europa.

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A diplomacia dos países envolvidos tem se movimentado bastante, mas a Rússia nega que esteja planejando uma invasão da Ucrânia, mesmo sabendo que, em 2004, ela já tomou parte do território ucraniano. Além disso, estima-se que Moscou já possua cerca de 100 mil soldados armados com o que de mais moderno existe no arsenal russo, próximo à fronteira entre os dois países.

As tensões são grandes, e as ameaças do presidente russo, Vladimir Putin, querendo tomar "medidas retaliatórias tecno-militares apropriadas", caso continue o que ele chama de abordagem agressiva do Ocidente, só tendem a acalorar ainda mais as discussões.

As pretensões da Rússia

A Rússia está querendo que a Otan retorne às suas fronteiras anteriores a 1991 e que não haja nenhuma expansão da Ucrânia em direção ao Ocidente e suas instituições. Além disso, deseja também o fim das atividades militares da Otan no Leste Europeu.

Se os países da Europa concordarem com as pretensões da Rússia, na prática isso significará a completa retirada de unidades de combate da Polônia e das repúblicas bálticas - Estônia, Letônia e Lituânia - e que nenhum míssil poderá ser instalado em países como Polônia e Romênia. A Europa ficará, desta forma, com uma ampla área desguarnecida e à mercê dos russos.

O presidente Vladimir Putin, que está a longos anos no poder na Rússia, sente-se prestigiado. A Ucrânia, que já fez parte da União Soviética (que se desintegrou a partir de 1991), está de novo sendo pleiteada porque, como Putin afirmou num recente discurso, “esse colapso (Da URSS) foi a desintegração da Rússia histórica".

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A Rússia mira a Ucrânia não só pelo medo dela se voltar ao ocidente, mas por ser ela um corredor estratégico para se atingir o Mar Negro e, de lá, amplas áreas da Ásia.

Diálogo e entendimento

A pergunta que muitos se fazem é esta: o que o Ocidente pode fazer para contrapor as bravatas ou ameaças reais de Vladimir Putin?

Os principais recursos que o Ocidente possuiu são os econômicos e políticos, com o estabelecimento de sanções contra a Rússia e um aumento da ajuda militar à Ucrânia, na forma de consultores e armas que já estão sendo levadas ao país.

O presidente dos EUA afirmou que seu país está comprometido em "trabalhar em perfeita sintonia" com seus aliados, mas há divisões e obstáculos na relação dos americanos com a Europa, até porque, se a guerra vier acontecer, ela se dará em território da Europa, e não dos Estados Unidos.

Os principais líderes europeus estão fechados numa posição conjunta, afirmando que a Rússia não pode decidir o futuro apenas com os Estados Unidos. A França, inclusive, propôs que os europeus trabalhem em conjunto com a Otan e depois conduzam seu próprio diálogo com a Rússia.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, por sua vez, o mais interessado na questão, quer a realização de uma cúpula internacional envolvendo a França e a Alemanha, juntamente com a Rússia, para resolver a crise.

Naturalmente, como declarou o papa, o caminho do entendimento e da solução dos conflitos pela negociação é diálogo é sempre o melhor caminho. E tomara que ele prevaleça!

Escrito por
Padre Inácio Medeiros C.Ss.R. (Juan Ribeiro)
Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R

Redentorista da Província de São Paulo, graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma, já trabalha nessa área há muitos anos, tendo lecionado em diversos institutos. Atuou na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da Província de São Paulo, atualmente é diretor da Rádio Aparecida

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