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Curiosidades da História: A origem da expressão “Bode Expiatório”

Padre Inácio Medeiros C.Ss.R. (Juan Ribeiro)

Escrito por Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R

27 JUL 2022 - 14H45 (Atualizada em 28 JUL 2022 - 11H10)

Reprodução/iStock Photo

Quantas vezes você já ouviu a expressão “ser bode expiatório” ou então você já se sentiu o bode expiatório de alguém?

Esta expressão é bastante conhecida entre nós, mas o fato curioso é que provavelmente muita gente não faz ideia de onde e como essa expressão surgiu.

O que significa ser “bode expiatório”?

Nós usamos essa expressão para falar de alguém que é acusado injustamente de algo que não fez, acabando sendo punido por isso. Nestas circunstâncias, as pessoas acusadas injustamente acabam sendo chamadas ou consideradas como um “bode expiatório”, mesmo não tendo nada a vez com o famoso animal.

Leia MaisCuriosidades da História: O uso dos garfos e as mudanças na culináriaA busca por bode expiatório chega a ser um ato irracional ao determinar que uma pessoa, um grupo de pessoas ou até mesmo alguma coisa seja responsável por um ou mais problemas, sem a constatação real dos fatos.

Mas a origem desta expressão é bem diferente da ideia ou do contexto em que muitos utilizam hoje em dia. Precisamos voltar alguns séculos no passado, mergulhando no mundo do Antigo Testamento, relembrando uma antiga tradição do mundo judaico pós-êxodo para entender a origem deste ditado.

O livro de Levítico (Lev 16, 6-10) traz alguns dados sobre o que era chamado de “Dia da Expiação”. Nesse dia, o povo hebreu fazia vários rituais, buscando com eles acalmar a “ira de Deus” pela purificação dos pecados de toda a nação. Entre os elementos mais importantes estava a utilização de dois bodes selecionados. Um deles deveria ser sacrificado e, com seu sangue, misturado com o de um touro, se marcariam as paredes do templo.

Antes do sacrifício era feito um sorteio para ver qual dos bodes seria abatido, se transformando no "expiatório", que carregaria, desta forma, todos os pecados do povo. O outro animal, em vez de ser sacrificado, deveria ser enxotado deserto adentro, entregue à própria sorte, carregando os pecados do povo, devendo buscar água e comida, mas certamente em algum momento acabaria morrendo. Isso sem ter culpa de nada, tal como é feito nos tempos modernos, quando atribuímos a culpa a um inocente que se faz expiatório.

Leia MaisCuriosidades da História: Uma breve história do pãoAo longo da história, temos muitos casos de pessoas, de minorias ou grupos marginalizados que foram utilizados como “bode expiatório”, pagando por algum infortúnio ou fracasso. Podemos nos recordar da “caça às bruxas”, dos judeus que foram ironicamente alvo de sua própria tradição, de pessoas inocentes que foram culpabilizadas pela Peste Negra, por infortúnios como seca ou praga ou qualquer outro tipo de desgraça.

Na teologia cristã e na vida da Igreja a figura do bode expiatório é vista como uma antecipação simbólica do sacrifício de Jesus, que atraiu para si os pecados da Humanidade, “carregando as nossas dores e as nossas enfermidades”. Jesus é, ao mesmo tempo, sacerdote, altar e cordeiro entregue ao sacrifício.

Escrito por
Padre Inácio Medeiros C.Ss.R. (Juan Ribeiro)
Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R

Redentorista da Província de São Paulo, graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma, já trabalha nessa área há muitos anos, tendo lecionado em diversos institutos. Atuou na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da Província de São Paulo, atualmente é diretor da Rádio Aparecida

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