A rotina de milhares de crianças foi interrompida no início do ano, em Jerusalém. Cerca de 10 mil alunos de escolas cristãs da Cidade Santa não retomaram as aulas. A interrupção deve-se por causa da decisão das autoridades israelenses de não renovarem as permissões de trabalho de 171 professores dos territórios palestinos ocupados.
A medida atingiu estruturas históricas da presença cristã em Jerusalém. 12 instituições educacionais cristãs em Jerusalém anunciaram greve.
Tradicionalmente reconhecidas pela qualidade acadêmica e pela convivência entre cristãos e muçulmanos, essas escolas sempre funcionaram como espaços de diálogo e formação humana, em um território marcado por tensões constantes.
A Secretaria-Geral das Instituições Educacionais Cristãs de Jerusalém classificou a decisão de não renovar o trabalho dos professores como “medidas arbitrárias”, alertando que tais ações “beneficiam apenas aqueles que desejam minar a vida educacional e pedagógica”, em comunicado divulgado no dia 10 de janeiro.
O Ministério da Educação palestino também apoiou o protesto das escolas cristãs.
“Essas medidas fazem parte de um ataque direcionado ao sistema educacional palestino em Jerusalém, numa tentativa de minar a identidade palestina, confiscar o direito à educação e impedir o direito à liberdade de movimento”
Segundo o Irmão Daoud Kassabry, diretor do Colégio La Salle de Jerusalém, as restrições começaram no verão de 2025, quando as permissões passaram a ser renovadas por prazos reduzidos.
Após a repercussão do protesto, aconteceu um recuo parcial das autoridades israelenses. Algumas autorizações foram renovadas, mas por apenas cinco dias, em vez do prazo habitual de sete.
Atualmente, Israel concedeu autorizações temporárias para que palestinos da Cisjordânia possam trabalhar legalmente em território israelense, porém, sempre condicionadas a verificações de segurança e com duração limitada.
Mas a situação pode mudar. Um projeto de lei, em análise, propõe proibir a contratação de professores formados em instituições dos territórios palestinos. Cerca de 60% do corpo docente em Jerusalém é formado em territórios palestinos, desta forma, a iniciativa irá interferir diretamente nas instituições de ensino.
Fonte: Vatican News
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