Em 2024, a Itália recebeu um número recorde de turistas, com as estimativas apontando para cerca de 74 milhões de chegadas de visitantes, incluindo domésticos e estrangeiros, fazendo com que o país se consolide como um dos mais visitados do mundo. No mesmo período, a cidade de Roma bateu recorde histórico ao receber cerca de 22,2 milhões de turistas, registrando aproximadamente 51,4 milhões de pernoites. Para 2025, a previsão falava de mais de 30 milhões de turistas na cidade.
A Itália não consegue superar, porém, a França, que também recebeu um número recorde de turistas, com estimativas variando de 89 milhões a 100 milhões de visitantes internacionais, consolidando-se como o país mais visitado do mundo. O turismo naquele ano foi impulsionado pelos Jogos Olímpicos de Paris e pela reabertura da Catedral de Notre Dame.
Enquanto isso, o Brasil recebeu, segundo números oficiais, cerca de 6,77 milhões de turistas internacionais em 2024. Mesmo registrando um aumento significativo em relação ao ano anterior e a melhor marca da história do turismo brasileiro até então, com os principais visitantes vindo da Argentina e da América do Sul, o país ainda está distante dos números europeus.
Uma das coisas que encantam os turistas que visitam a Cidade Eterna, além de seus monumentos, são as muitas fontes espalhadas por toda a cidade. Calcula-se que existam cerca de 2,5 mil fontes de água potável distribuídas por Roma, sendo cerca de 250 localizadas no centro histórico.
As fontes de Roma estão entre as mais famosas e icônicas do mundo. É comum encontrar desde as pequenas, chamadas de nasoni, por causa da bica de ferro fundido em formato de nariz por onde jorra a água, até as grandes e famosas, que se tornaram atrações turísticas.
Diante disso, muitos se perguntam sobre a origem da água dessas fontes e como elas continuam a jorrar sem parar.
A água que abastece as fontes de Roma vem principalmente das montanhas que cercam a cidade, como os Montes Apeninos, ou de rios próximos, como o Aniene. Ela é trazida por uma rede de dutos subterrâneos e aquedutos, alguns construídos ainda no tempo da Roma Imperial e que seguem em funcionamento, garantindo água potável gratuita durante os 365 dias do ano, com uma história que remonta a mais de dois mil anos.
Os aquedutos, muitos deles construídos por imperadores, transportam a água por longas distâncias até a cidade, vencendo montanhas e vales, utilizando sistemas de encostas e sifões invertidos para superar os declives.
Nos tempos antigos, a água era distribuída dentro da cidade por torres chamadas de castella, que abasteciam fontes públicas, banhos e residências. Esse legado ainda funciona, embora hoje bombas modernas garantam o abastecimento. Alguns aquedutos possuíam dezenas de quilômetros e levaram anos para serem concluídos.
Nos tempos modernos, as fontes públicas começaram a ser implantadas durante a primeira Prefeitura de Roma, a partir de 1874, logo após a unificação da Itália, ocorrida entre 1869 e 1870. O objetivo era garantir acesso gratuito à água de qualidade para toda a população.
Além dos chafarizes e pequenos lagos que embelezam praças e jardins, a água chega também às fontes escondidas em becos e vielas.
Quase todas as fontes são semelhantes: cilíndricas, feitas de ferro fundido e com um cano curvo apelidado de “nasone” pelos romanos, oferecendo água fresca mesmo em dias de calor intenso, que chegam a 40 graus. Mesmo com água encanada em casas e estabelecimentos, muitos moradores ainda utilizam as fontes públicas para encher galões e recipientes.
Além das fontes simples espalhadas pelos quartieri, existem as fontes monumentais, como a Fontana di Trevi, a Fontana Acqua Paola, a Fontana dei Quattro Fiumi, na Piazza Navona, e a fonte da Piazza della Rotonda, em frente ao Pantheon, uma das mais antigas da cidade.
Essas fontes monumentais são verdadeiras obras de arte. Se no passado serviam para abastecer pessoas e animais, hoje cumprem um papel simbólico e cultural, inspirando turistas e produções cinematográficas. A Fontana di Trevi, por exemplo, foi imortalizada por Federico Fellini no filme La Dolce Vita (1960) e é atualmente um dos locais mais fotografados de Roma.
Uma coisa é certa: sem suas muitas fontes, o encanto da cidade de Roma não seria o mesmo.
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