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Fontes de Roma: tradição viva há mais de 2 mil anos

Pe Jose Inacio de Medeiros

Escrito por Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.

20 JAN 2026 - 14H00 (Atualizada em 20 JAN 2026 - 16H49)

Reprodução/Adobe Stock: Izzard

Em 2024, a Itália recebeu um número recorde de turistas, com as estimativas apontando para cerca de 74 milhões de chegadas de visitantes, incluindo domésticos e estrangeiros, fazendo com que o país se consolide como um dos mais visitados do mundo. No mesmo período, a cidade de Roma bateu recorde histórico ao receber cerca de 22,2 milhões de turistas, registrando aproximadamente 51,4 milhões de pernoites. Para 2025, a previsão falava de mais de 30 milhões de turistas na cidade.

A Itália não consegue superar, porém, a França, que também recebeu um número recorde de turistas, com estimativas variando de 89 milhões a 100 milhões de visitantes internacionais, consolidando-se como o país mais visitado do mundo. O turismo naquele ano foi impulsionado pelos Jogos Olímpicos de Paris e pela reabertura da Catedral de Notre Dame.

Enquanto isso, o Brasil recebeu, segundo números oficiais, cerca de 6,77 milhões de turistas internacionais em 2024. Mesmo registrando um aumento significativo em relação ao ano anterior e a melhor marca da história do turismo brasileiro até então, com os principais visitantes vindo da Argentina e da América do Sul, o país ainda está distante dos números europeus.

Uma das coisas que encantam os turistas que visitam a Cidade Eterna, além de seus monumentos, são as muitas fontes espalhadas por toda a cidade. Calcula-se que existam cerca de 2,5 mil fontes de água potável distribuídas por Roma, sendo cerca de 250 localizadas no centro histórico.

As fontes de Roma estão entre as mais famosas e icônicas do mundo. É comum encontrar desde as pequenas, chamadas de nasoni, por causa da bica de ferro fundido em formato de nariz por onde jorra a água, até as grandes e famosas, que se tornaram atrações turísticas.

Diante disso, muitos se perguntam sobre a origem da água dessas fontes e como elas continuam a jorrar sem parar.

A água de Roma

A água que abastece as fontes de Roma vem principalmente das montanhas que cercam a cidade, como os Montes Apeninos, ou de rios próximos, como o Aniene. Ela é trazida por uma rede de dutos subterrâneos e aquedutos, alguns construídos ainda no tempo da Roma Imperial e que seguem em funcionamento, garantindo água potável gratuita durante os 365 dias do ano, com uma história que remonta a mais de dois mil anos.

Os aquedutos, muitos deles construídos por imperadores, transportam a água por longas distâncias até a cidade, vencendo montanhas e vales, utilizando sistemas de encostas e sifões invertidos para superar os declives.

Nos tempos antigos, a água era distribuída dentro da cidade por torres chamadas de castella, que abasteciam fontes públicas, banhos e residências. Esse legado ainda funciona, embora hoje bombas modernas garantam o abastecimento. Alguns aquedutos possuíam dezenas de quilômetros e levaram anos para serem concluídos.

Água que mata a sede, água que serve de inspiração

Nos tempos modernos, as fontes públicas começaram a ser implantadas durante a primeira Prefeitura de Roma, a partir de 1874, logo após a unificação da Itália, ocorrida entre 1869 e 1870. O objetivo era garantir acesso gratuito à água de qualidade para toda a população.

Além dos chafarizes e pequenos lagos que embelezam praças e jardins, a água chega também às fontes escondidas em becos e vielas.

Quase todas as fontes são semelhantes: cilíndricas, feitas de ferro fundido e com um cano curvo apelidado de “nasone” pelos romanos, oferecendo água fresca mesmo em dias de calor intenso, que chegam a 40 graus. Mesmo com água encanada em casas e estabelecimentos, muitos moradores ainda utilizam as fontes públicas para encher galões e recipientes.

Além das fontes simples espalhadas pelos quartieri, existem as fontes monumentais, como a Fontana di Trevi, a Fontana Acqua Paola, a Fontana dei Quattro Fiumi, na Piazza Navona, e a fonte da Piazza della Rotonda, em frente ao Pantheon, uma das mais antigas da cidade.

Essas fontes monumentais são verdadeiras obras de arte. Se no passado serviam para abastecer pessoas e animais, hoje cumprem um papel simbólico e cultural, inspirando turistas e produções cinematográficas. A Fontana di Trevi, por exemplo, foi imortalizada por Federico Fellini no filme La Dolce Vita (1960) e é atualmente um dos locais mais fotografados de Roma.

Uma coisa é certa: sem suas muitas fontes, o encanto da cidade de Roma não seria o mesmo.


+ A cidade e a queda de Roma na Idade Média


Escrito por:
Pe Jose Inacio de Medeiros
Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.

Missionário redentorista que atua no Instituto Histórico Redentorista, em Roma. Graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma. Atuou na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da antiga Província Redentorista de São Paulo, tendo sido também diretor da Rádio Aparecida.

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