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Irã vive novo ciclo de protestos em meio a repressão estatal

Pe Jose Inacio de Medeiros

Escrito por Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.

22 JAN 2026 - 10H45 (Atualizada em 22 JAN 2026 - 15H08)

Reprodução/Adobe Stock: Borna_Mir

Localizado na Ásia Ocidental, fazendo fronteira com diversos países da Ásia, possui área de 1,6 milhões de km², é o segundo país em extensão da Ásia, maior que países como Alemanha, Itália e França juntas. Ali vive uma população de cerca de 92 milhões de habitantes. Sua posição é estratégica por unir várias regiões, possuindo uma das maiores reservas de petróleo, de gás e de riquezas minerais do mundo.

O Irã abrigou algumas das civilizações mais antigas do mundo e depois, conhecido como Pérsia, formou um grande império que dominou vasta região até se confrontar com o poderio macedônico de Alexandre Magno.

Em 651, a região foi conquistada pelos muçulmanos e, com poucas modificações, chegou até o século XX. Em 1953, com apoio britânico e dos Estados Unidos, houve um golpe de estado e o país tornou-se uma monarquia autocrática até que em 1979, aconteceu a Revolução Islâmica que expulsou a monarquia do Xá Reza-Pahlavi, fechou novamente o país às influências estrangeiras com a criação da República Islâmica.

Seu sistema político combina elementos de uma democracia parlamentar e de uma teocracia religiosa comandada por clérigos do islamismo, com a máxima autoridade acumulada nas mãos do Aiatolá.

Protestos e repressão

Nas mais de três décadas no poder, o aiatolá Ali Khamenei já enfrentou diversas ondas de protestos, todos reprimidos com violência, enquanto manteve uma política de linha dura em relação a costumes. Seu governo foi acusado de matar opositores exilados, e de reprimir jornalistas e intelectuais não alinhados ao regime.

Desde o início dos protestos generalizados contra o regime do aiatolá nos últimos dias de 2025, o movimento tem se expandido tanto em escalada quanto em violência, tornando-se a mais nova crise do governo de Teerã.

Os protestos eclodiram no final de dezembro em Teerã e foram motivados por uma crise econômica porque a moeda do país, o rial, perdeu metade de seu valor frente ao dólar e a inflação ultrapassou os 40% em dezembro. Com o passar dos dias e com o crescimento da repressão policial, os manifestantes passaram a exigir também a renúncia de Ali Khamenei.

A onda anterior de protestos contra o regime tinha ocorrido em 2022, após a morte da jovem Mahsa Amini sob custódia da polícia moral iraniana. Foram os maiores protestos em décadas no país, que estimularam muitas iranianas a se recusar a usar o obrigatório lenço de cabeça. A repressão do governo foi intensa, com organizações de direitos humanos estimando que mais de 5 mil pessoas foram mortas.

Gravidade da situação

Há muitos anos, o Irã tem enfrentado dificuldades econômicas agravadas agora pela reimposição de sanções pelos Estados Unidos, adotada a partir de 2018, quando o presidente Donald Trump tirou o país do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano que havia sido costurado por Barack Obama.

Num cenário de desabastecimento, a população enfrenta inflação elevada, acima de 40% ao ano e uma crescente desigualdade entre os cidadãos comuns e a elite do país, além de denúncias de uma crescente corrupção no governo. A riqueza gerada pelo petróleo e gás exportados pelo país não tem chegado para todos.

Ao contexto econômico cada vez mais precário somam-se as tensões políticas internas, pois desde a Revolução Islâmica de 1979, o país funciona como uma "República Teocrática" que, na prática, acaba funcionando como um regime ditatorial no líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, está no poder desde 1989.

Existe uma constituição federal elaborada logo após a Revolução Islâmica, mas sua interpretação e aplicação dependem muito da autoridade religiosa que determina a eleição do primeiro-ministro e a orientação da política exterior.

O regime é alvo de críticas por violações de direitos humanos e restrições a liberdades sociais, especialmente entre os mais jovens, que foram os que encabeçaram vários protestos nos últimos anos.

Eixo da Resistência em dificuldade

O Irã é chamado de “Eixo do Mal” pelos Estados Unidos, que acusam o país de financiar o terrorismo internacional.

O aiatolá Ali Khamenei usa a estratégia de construir e fortalecer estruturas paralelas dentro do Estado que espelham algumas de suas instituições, como o Exército e as agências de inteligência. É o caso da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC), uma força paralela aos militares tradicionais, que passou a influenciar fortemente a política do país.

Uma das estratégias centrais de política externa é apoiar, com verbas e armas, organizações que atuam como intermediárias do Irã para confrontar Israel. Essa estratégia de guerra por procuração foi adotada para evitar um enfrentamento direto.

Organizações como o Hezbollah, o Hamas e os houthis, que formam o chamado Eixo da Resistência, sofreram derrotas importantes recentemente.

Num contexto externo desfavorável e com as crescentes manifestações internas, analistas já começam a duvidar da capacidade das lideranças religiosas de levarem adiante a Revolução Islâmica, que passa por um forte processo de esgotamento.

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Escrito por:
Pe Jose Inacio de Medeiros
Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.

Missionário redentorista que atua no Instituto Histórico Redentorista, em Roma. Graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma. Atuou na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da antiga Província Redentorista de São Paulo, tendo sido também diretor da Rádio Aparecida.

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