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O drama da seca na Europa

A Europa é o continente que está se aquecendo mais rápido em todo o planeta e somente agora começa a ser notado!

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Pe Jose Inacio de Medeiros

Escrito por Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.

18 AGO 2026 - 14H36

Akarny/ Adobe Stock

Quem pensou que a seca somente acontecia no Nordeste do Brasil ou em vastas regiões da África e Oriente Médio está redondamente enganado, pois também a Europa está sendo afetada por uma das maiores secas de todos os tempos.

O drama da seca agrava-se com ondas de calor intenso e falta de chuva, reduzindo o nível de rios que são vitais para o continente, como o Reno, o Danúbio e o Pó. Essa escassez ameaça o transporte fluvial, a geração de energia, a agricultura e o acesso seguro à água potável em várias regiões do continente.

Impactos nos rios e no abastecimento

A drástica diminuição do volume de água nos grandes rios europeus começa a provocar consequências diretas na economia e, por tabela, no dia a dia da população.

Segundo os analistas, a seca está provocando os mais baixos níveis, segundo a medição histórica, nos rios Reno e Danúbio, provocando a dificuldade na navegação e, com isso, a interrupção do tráfego de barcos de carga. Além disso, os países mais afetados pela seca já enfrentam riscos reais de cortes e restrições no abastecimento de água potável e produção de energia.

Prejuízos severos para plantações devido à falha nos sistemas de irrigação também já são perceptíveis e, além da falta de água nos rios, o calor prolongado e o solo seco criam um cenário propício para desastres ecológicos e problemas urbanos.

Em vários países, como Espanha, Portugal, Grécia, Albânia e outros, já se nota um aumento drástico do número de incêndios florestais de grande intensidade, atingindo grandes áreas, com a consequente perda de florestas, plantações e da vida animal e vegetal.

Com a destruição de milhares de hectares de vegetação, muitos vilarejos estão sendo evacuados e algumas cidades já se encontram cobertas por densa fumaça, afetando a saúde respiratória de moradores. E, claro, a queda na produção de alimentos básicos e o temor de colheitas perdidas forçarão a Europa a comprar os produtos faltantes no mercado internacional, podendo favorecer, inclusive, o Brasil e os países do Mercosul, mas com a possibilidade real do aumento do custo de vida e da inflação.

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Aquecimento global e crise climática

A seca que está assolando o continente europeu (e não só) deverá se tornar a seca mais grave dos últimos 500 anos por ser mais intensa, persistente, afetando uma área muito maior.

Pessoas envolvidas com o meio ambiente, cientistas e ecologistas, principalmente, há muito vinham alertando os governos sobre a diminuição da camada de ozônio e as graves consequências que isso acarretaria ao clima mundial. Infelizmente, as medidas protetivas têm se mostrado insuficientes, com as alterações climáticas se agravando a cada ano, com o aumento da estiagem em vários continentes.

Existem aqueles que acreditam que não está longe o dia em que o objetivo das guerras não será mais o de expansão ou econômico, mas sim para a obtenção de água. Em vez de navios petroleiros singrando os mares, poderemos ter navios transportando o líquido precioso em seus tanques.

A população europeia já percebeu que os verões estão se tornando cada vez mais extremos, à medida que a crise climática provocada pela ação humana impulsiona temperaturas sem precedentes. As ondas de calor brutais e sucessivas têm drenado a umidade do solo e dos cursos de água, e a seca tem oferecido pouco alívio.

O Rio Danúbio, o segundo mais longo da Europa, que atravessa 10 países no seu percurso, desde a Alemanha até o Mar Negro, atingiu níveis recordes de baixa, forçando alguns países, como a Hungria, a racionar energia elétrica. A situação pode piorar se os níveis do rio continuarem diminuindo.

Outros rios europeus também estão sofrendo, incluindo o Pó, na Itália, e o Loire, na França, ambos com níveis excepcionalmente baixos em alguns trechos.

Os cientistas alertam que estes níveis recordes de baixa nos rios poderão ser ultrapassados repetidamente no futuro. Para eles, o aquecimento climático contínuo, os extremos hidrológicos que estamos vivendo agora poderão ser apenas “a ponta do iceberg”, e a gestão dos recursos hídricos se tornará cada vez mais desafiadora, transformando-se numa séria questão estratégica.

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Medidas de longo prazo

A única forma de limitar estes extremos vividos agora pela Europa, mas que já são conhecidos em outros continentes, é reduzir rapidamente as emissões de gases que produzem o efeito estufa. Diminuindo a produção de calor em todos os setores da sociedade, fatalmente o planeta voltará a se resfriar, alcançando níveis menos preocupantes, possibilitando a normalização do clima. Além disso, é preciso pensar e apoiar políticas de longo prazo, em vez de medidas paliativas de curto prazo.

A guisa de conclusão, pensamos agora em nosso Brasil, que é o detentor da maior reserva de água potável do planeta. Como estamos cuidando desse imenso reservatório?

O Brasil detém cerca de 12% de toda a água doce superficial e subterrânea do planeta, possuindo a maior reserva hídrica do mundo. Contudo, esse volume é distribuído de forma muito desigual pelo território nacional, gerando contrastes extremos entre a abundância da região Norte e a escassez relativa em áreas densamente povoadas do Sul.

A região norte concentra cerca de 68% a 70% dos recursos hídricos do país, impulsionada pela Bacia Amazônica, mas abriga uma parcela menor da população nacional. O Sudeste e o Nordeste, por sua vez, reúnem a maior parte da população brasileira, mas dispõem de uma porcentagem bem menor da água total do país, cerca de 6% e 3%, respectivamente.

Faz-se necessário recordar que o Brasil abriga a parte majoritária do chamado Aquífero Guarani e o vasto Sistema Aquífero Grande Amazônia (SAGA), um dos maiores reservatórios subterrâneos de água doce do planeta já descoberto.

Milhões de brasileiros ainda sofrem com as falhas no acesso à água tratada e própria para consumo, o que evidencia que a alta disponibilidade na natureza não garante por si só uma distribuição mais igualitária, sobretudo nas grandes cidades.

Para não enfrentarmos situações muito parecidas com as que a Europa está vivendo agora, é preciso continuar limitando o desmatamento e a degradação de matas ciliares, que afetam diretamente a regulação do ciclo hidrológico.

Com a globalização, não podemos “ficar olhando apenas para nosso umbigo”, preocupados apenas com os nossos problemas, sabendo que o problema de um acaba por se transformar em problema de todos!

Escrito por:
Pe Jose Inacio de Medeiros
Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.

Missionário redentorista que atua no Instituto Histórico Redentorista, em Roma. Graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma. Atuou na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da antiga Província Redentorista de São Paulo, tendo sido também diretor da Rádio Aparecida.

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