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O futebol visto pelos papas

A beleza de compartilhar sonhos e amizades. Confira!

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Escrito por Pe. José Inácio Medeiros, C.Ss.R.

09 JUN 2026 - 08H34 (Atualizada em 09 JUN 2026 - 09H01)

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“O futebol pode causar profundas mudanças políticas; após períodos de dramas e fortes tensões, pode expressar um profundo desejo de fraternidade entre os povos” Papa João Paulo II

Estamos próximos do início de mais uma edição da Copa do Mundo, desta vez com a participação de 48 seleções, com jogos realizados no México, Estados Unidos e Canadá. Graças à excessiva comercialização e postura de muitos jogadores em campo e fora dele, o futebol perdeu muito de seu encanto e o patriotismo de antes se torna agora bastante discutível.

A seleção brasileira já não mexe com a nação como antes, mas ainda assim o futebol continua como um esporte capaz de incutir valores e promover o crescimento humano em jovens e adultos.

A FIFA congrega mais países do que a Nações Unidas e o futebol continua sendo um dos esportes mais populares e difundidos do mundo. Ao longo da Copa do Mundo as transmissões que ocorrerão pelas inúmeras plataformas mexerão com os ânimos e com os nervos dos espectadores.

Enquanto as equipes se preparam para a copa, aumentam as expectativas e esperanças, sobretudo, entre os torcedores. O esporte universal deverá também apresentar inúmeros exemplos de solidariedade, de esportividade, de “fair play” que poderão ensinar valores que vão muito além da mera habilidade técnica, transmitindo valores e lições de vida como nos pedem os papas ao longo dos tempos.

A este respeito, é interessante a gente se perguntar: qual o ponto de vista dos Papas sobre o futebol? Numa visão de síntese, pode se dizer que para eles, o esporte em geral e o futebol em particular devem ser vistos, antes de tudo, como um jogo de equipes, como meio de fomentar amizades e sonhos, como os que surgem nos campos de periferia, paróquias e oratórios.

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Os papas e o futebol

Alguns papas expressaram sua preferência por esse ou por aquele time, como o Papa Francisco que era torcedor do San Lorenzo da Argentina e o Papa Leão XIV que expressou sua preferência pelo Real Madri. Outros não expressam sua preferência, mas quase todos os papas costumam receber times vencedores de campeonatos no Vaticano, ganham camisas, troféus, bolas e outros elementos que fazem referência o esporte.

Em épocas diversas, os Papas aproveitam essas ocasiões para, além de parabenizar os vencedores ou consolar os perdedores, apresentar o pensamento da Igreja sobre o esporte e sobre o futebol.

Ao receber o time do Nápoles em 27 de maio de 2025, o recém-eleito Papa Leão XIV aproveitou para afirmar que o futebol, em nível competitivo, não é apenas um comércio, mas deve ser visto também como função educativa. Falando sobre a importância deste aspecto afirmou: “Quando o esporte se torna um comércio, corre o risco de perder os valores que o tornam educativo, podendo até se tornar deseducativo”. E o Papa aproveitou a ocasião para fazer um sensível apelo aos pais e educadores: “Devemos prestar muita atenção na qualidade moral da experiência esportiva, em nível competitivo, pois está em jogo o crescimento humano dos jovens”.

Antes dele, Papa Francisco já tinha recordado a beleza do futebol como forma de desenvolver o espírito de equipe e socialização das Pessoas: "o futebol é um jogo de equipe; não se pode se divertir sozinhos... As pessoas gostam do futebol porque recorrem a um sonho. Jogar é um direito, é experimentar a felicidade de jogar".

Falando durante um encontro realizado em 24 de maio de 2019, promovido pelo jornal esportivo "La Gazzetta Dello Sport" disse o Papa Bergoglio: “A beleza de jogar bola, é poder fazê-lo com outras pessoas no campo. A bola se torna um meio para convidar pessoas reais a compartilhar amizade, se reunir em um lugar, se olhar nos olhos".

Em outra ocasião, ao receber a seleção italiana de futebol em audiência, em 2019, o Papa Francisco afirmou: “A bola desperta atração. Lembro-me que, perto da minha casa, havia uma pequena praça. Ali jogávamos bola, mas nem sempre tínhamos uma, porque na época as bolas eram de couro e eram muito caras; não havia plástico e nem borracha... Nossa bola era feita de pedaços de tecido. Apesar disso, fazíamos milagres!”.

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O futebol pode operar maravilhas

Recordando o Santos de Pelé que ao excursionar pela África realizou a proeza de parar uma guerra, lembramos as palavras o Papa João Paulo II, ele também amante do esporte: “O futebol pode causar profundas mudanças políticas; após períodos de dramas e fortes tensões, pode expressar um profundo desejo de fraternidade entre os povos”, disse ele, em 8 de maio de 2000, se dirigindo aos líderes da UEFA (União das Associações Europeias de Futebol), acrescentando:

“O futebol não é um espaço marginal da história, podendo ajudar a superar barreiras e promover a unidade”. 

E concluiu afirmando:

“Que o futebol, como qualquer esporte, se torne cada vez mais expressão da primazia do ‘ser’ sobre o ‘ter’; que tenha coragem de se libertar de tudo o que o impede uma proposta positiva de solidariedade e fraternidade, respeito mútuo e intercâmbio justo entre homens e mulheres do nosso mundo” Papa João Paulo II

Depois de João Paulo II, Bento XVI também usou da Audiência Geral de 1º de agosto de 2007, para se referir à história de um país profundamente abalado por guerras e violências:

“Refiro-me a uma boa notícia sobre o Iraque, que suscitou uma explosão de alegria popular em todo o país. Refiro-me à vitória da seleção iraquiana de futebol na Copa da Ásia. Trata-se de um sucesso histórico para o Iraque, que, pela primeira vez, se tornou campeão de futebol da Ásia... Esta experiência de uma partilha feliz revela o desejo de um povo por uma vida normal e pacífica. Espero que este evento possa contribuir para a construção do Iraque, com a colaboração de todos, por um futuro de autêntica paz, liberdade e respeito mútuo” Papa Bento XIV

De João Paulo I, sucessor de Papa Paulo I, não há o que falar, porque não teve muito tempo de se referir ao esporte devido ao curto pontificado, mas antes dele, o próprio Paulo VI, na oração do Angelus de 29 de setembro de 1968, dia em que começava o campeonato de futebol na Itália, falou a respeito do bom uso do tempo e nele, a parte tocante ao esporte:

“Ao terminar o verão e as férias, retornam as atividades normais em todos os setores: colheita e semeadura nos campos, as escolas reabrem (esperemos!...) e começa um novo ano letivo; os escritórios retomam seus horários normais e, hoje, recomeçam os campeonatos de futebol. A vida retoma seus ritmos intensos de trabalho e lazer. Todo o nosso tempo é tomado por uma agenda ordenada e rigorosa, que torna as ações e o dia a dia do homem moderno uniformes e determinados” e completou: “assim, será possível rever nossos extraordinários campeões e os grandes jogos. Mas, é maravilhoso ver ainda os que jogam nas praias, nos campos de periferia ou em oratórios juvenis. Podemos ver os craques que jogam e driblam, para o divertimento das crianças, que, talvez, têm os mesmos sonhos” , Papa Paulo VI

Por tudo o que os papas falaram e por aquilo que o futebol representa, especialmente numa Copa do Mundo, as palavras do craque Pelé já diziam: "O futebol é música, dança e harmonia. Não há nada mais legal e divertido do que ver a bola rolar".

.:: LEIA MAIS: Como a fé e a Copa do Mundo se conectam?

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