“Relinquo vos liberos ab utroque homine” (“Eu vos deixo livres de um ou de outro homem”)”.
Muita gente não sabe, mas dentro da Itália moderna existem mais dois países, um deles, o Vaticano, muito conhecido apesar de minúsculo e outro, San Marino, que pouco aparece e muita gente nem sabe que existe.
Para qualquer pessoa, mesmo para aquelas que já visitaram a Itália, é bem fácil olhar o mapa e nem perceber a existência de San Marino, o terceiro menor país da Europa e um dos menores do mundo, superando apenas o minúsculo Estado do Vaticano e o pequenino Principado de Mônaco.
Como se fosse uma ilha, San Marino é literalmente cercado por todos os lados pela Itália, como um estado à parte. Tem sua própria bandeira, seu brasão de armas, suas próprias leis, sua moeda. Os habitantes de San Marino podem usar euros e circular livremente.
Com área de 61,2 km², onde vive uma população de apenas 33,9 mil habitantes, quase a população da cidade de Aparecida (SP), o país se organiza como uma república, escondido nos Montes Apeninos do nordeste da Itália, cortado por rios que são afluentes do Marecchia. A título de comparação, a cidade de São Paulo tem 1.521 km².
Diversos elementos tornam a história de San Marino bastante singular, sendo considerado o mais antigo da Europa, o único país do continente que tem mais carros do que gente e, o mais curioso, um país que foi fundado por um santo.
São Marinho (ou Marino, como se diz em italiano) era um cortador de pedras que fugiu da ilha de Rab, hoje parte da Croácia, para escapar da perseguição contra a fé cristã movida pelo imperador romano Diocleciano. Uma vez na Itália, foi ordenado diácono pelo bispo Gaudêncio, de Rímini, em 301 d.C. Acredita-se que tenha morrido em 366.
Pouco tempo depois de sua ordenação, uma mulher com demência o acusou de ser seu marido fugitivo. Marinho teve de escapar novamente, agora para o Monte Titanoi, onde construiu uma pequena capela e um mosteiro onde viveu como eremita pelo resto da sua vida. A capela se transformou no centro do território do que viria a ser o Estado de San Marino, também é chamado de Sereníssima República de San Marino.
A fama da santidade de Marino atraía a muitos e, com os anos, a área localizada ao redor do mosteiro foi sendo ocupada como o lar de uma população refugiada que também buscava um lugar nas montanhas para se defender da perseguição do imperador.
Quando esse povo que morava no meio da montanha foi descoberto, a proprietária das terras, de nome Felicissima, fez doação à pequena comunidade católica, o que explica o nome que o país mantém até os dias de hoje.
Conta-se que o lema usado nas armas de San Marino, “Libertas” (“Liberdade”, em latim), veio das últimas palavras do santo fundador - “Relinquo vos liberos ab utroque homine” (“Eu vos deixo livres de um ou de outro homem”)” – talvez se referindo ao papa e ao imperador, as maiores autoridades de então.
Existe, porém, uma pergunta que está sem respostas mais convincentes até hoje: Como um país tão minúsculo sobreviveu às guerras ou invasões como a de Napoleão Bonaparte ou até mesmo ao processo de Unificação que levaria à constituição da Itália moderna entre os anos de 1869-1870?
Apesar do tamanho e população reduzida, San Marino prosperou durante séculos. Esteve brevemente em perigo de invasão durante a ascensão de Napoleão Bonaparte, no entanto, um de seus regentes, Antonio Onofri, conseguiu o respeito do líder francês, garantiu a segurança e autonomia do país.
O país não participou diretamente da luta pela unificação no período conhecido como “Rissorgimento”, mas ofereceu asilo e apoio a muitos que dela participaram, até mesmo para Giuseppe Garibaldi.
San Marino também permaneceu neutro durante as duas guerras mundiais, dando abrigo para milhares de refugiados após a queda de Mussolini na Itália. em 1943. Ao longo do conflito a cidade-estado foi destino de cerca de 100 mil refugiados que fugiam das tragédias da Segunda Guerra Mundial.
Reconhecido internacionalmente como independente em 1815, em 1862 também a república foi reconhecida pelo recém-nascido Estado italiano, com o qual assinou um acordo comercial ao qual se juntou a união monetária em 1939. Nos tempos atuais esse acordo comercial passou a valer para todos os países da União Europeia, em 1993, com sua entrada na área do euro em 2002.
A organização política de San Marino se baseia em antigos estatutos da Idade Média, com algumas atualizações subsequentes. Os chefes de Estado e do executivo são dois capitães regentes, eleitos por seis meses pelo Grande e Geral Conselho; os capitães regentes presidem o Congresso de Estado, que detém poder executivo. Esse conselho é composto por 60 membros, eleitos por cinco anos por sufrágio universal. Vários partidos políticos disputam e se alternam no governo.
Proporcionalmente, San Marino é hoje um dos países mais ricos do mundo em termos de renda per capita. Sua economia, que gira principalmente em torno do turismo, é considerada altamente estável. O país não tem dívidas, desfruta de excedente econômico e ostenta um dos menores níveis de desemprego do continente europeu.
O povo de San Marino permaneceu fiel às suas raízes cristãs. Hoje, mais de 90% da população é católica. Sua data nacional é a festa de São Marino, o santo padroeiro a quem o país dedica seu próprio nome.
Fato curioso: quando Abraham Lincoln ocupava a presidência dos Estados Unidos, San Marino o nomeou seu cidadão honorário. Lincoln escreveu-lhes afirmando que “um governo baseado em princípios republicanos pode ser administrado de modo a ser seguro e duradouro”.
:: São Marino é celebrado pela Igreja no dia 04 de setembro. Leia mais em Santo do Dia
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