Na última quinta-feira (31), o Papa oficializou a nomeação do novo diretor da Specola Vaticana, um dos mais antigos observatórios astronômicos e centros de pesquisa científica do mundo.
O padre jesuíta indiano Richard Anthony D'Souza, S.J., de 47 anos, que já atuava no Observatório, assume a liderança geral da instituição a partir de 19 de setembro.
Natural de Goa, na Índia, criado em uma família cristã, o novo diretor é doutor pelo Instituto Max Planck de Munique e estudos realizados na Universidade de Michigan. O religioso substitui o irmão Guy Consolmagno, que estava à frente do Observatório desde 2015.
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Quando colocada em perspectiva histórica, a astronomia nem sempre esteve alinhada à Igreja Católica. Um dos episódios mais famosos envolve Galileu Galilei. No século XVII, o astrônomo italiano foi confrontado por defender que era a Terra que girava em torno do Sol.
Sua tese foi tomada como uma afronta, ao dizer que a Terra, criação suprema de Deus, não era o centro do universo. Seus julgadores o condenaram à prisão domiciliar e o obrigaram a renunciar publicamente à teoria heliocêntrica.
Essa passagem só teve sua reparação oficial em 1992, quando a Igreja desculpou-se pelo julgamento equivocado de Galilei.
Curiosamente, o interesse pela astronomia surgiu dentro da Igreja ainda no século XVI, antes da história envolvendo Galileu Galilei. No pontificado de Gregório XIII, o santo padre encomendou estudos que resultaram, em 1582, na troca do calendário juliano pelo gregoriano, versão que utilizamos até os dias de hoje.
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O Observatório Astronômico Vaticano foi criado em 1891, como uma forma de resposta do papa Leão XIII às acusações de que a Igreja seria inimiga da ciência.
Originalmente, o centro de observação ficava atrás da Basílica de São Pedro. No entanto, com o crescimento de Roma, as luzes da cidade foram dificultando a observação das estrelas menos brilhantes.
Nos anos 1930, Pio XI decidiu transferir a instituição para o Castelo Gandolfo, residência de verão dos papas. O centro de pesquisas propriamente dito está localizado no interior do estado do Arizona, nos Estados Unidos, em uma instalação inaugurada em 1981, no pontificado de João Paulo II.
Observatório Astronômico no Castelo Gandolfo
Nos trabalhos científicos do observatório, o Vaticano não faz nenhum tipo de interferência. A escolha dos diretores, na prática, não precisa do aval do Papa. Os padres astrônomos publicam estudos nas mais prestigiadas publicações científicas do mundo.
Por isso, a instituição é respeitada internacionalmente, mantendo inclusive acordos de cooperação com a Nasa, a agência espacial dos EUA.
A principal torre da unidade americana exibe uma placa de bronze que recomenda aos pesquisadores, em latim, 'estudar as estrelas, no mais distante espaço, com a ajuda de Deus'.
O Papa Leão XIV fez uma visita no último dia 20 de julho ao Observatório Astronômico, por conta da celebração do aniversário do pouso na Lua, em 1969.
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